A realidade vai além da ficção

José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Breaking news: a invasão dos bárbaros extraterrestres ao nosso planeta está sendo transmitida ao vivo, de costa a costa nos Estados Unidos da América, pela rádio CBS – Columbia Broadcasting System, com audiência de mais de 6 milhões de terráqueos. O programa relata que marcianos em fúria acionam armas mortíferas, incendeiam as cidades e lançam veneno nos rios.

São travadas batalhas ferozes entre os terráqueos e os alienígenas. Os exércitos humanos são aterrorizados. Espalhou-se o pânico na face da terra. Os crentes prostraram-se de joelhos pediram clemência ao Criador. Castigo dos céus, estavam sendo cumpridas as profecias. O mundo parou.

Aconteceu em 1938. Esta foi uma obra de ficção. Programa radiofônico “A Guerra dos Mundos”, transmitido pela CBS, criação artística do cineasta Orson Welles com base em livro de ficção científica, relatou a invasão de extraterrestres marcianos ao nosso planeta. Os alienígenas haviam desembarcado numa máquina gigante de guerra tipo um disco voador e lançam fumaça venenosa na cidade de New York.

Somente depois da transmissão os milhões de ouvinte foram alertados que se tratava de uma ficção artística. 

Em tempos da maldita pandemia, a realidade hoje vai muito além da ficção. A realidade é feito a linha do horizonte, sempre fugidia. A ficção de Orson Welles seria agora apenas uma inocente cantiga de ninar criança. “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”, lembra a sublime criação de William Shakespeare.   

Take it easy, brother, fique peixe, somos todos pecadores, mas os Deuses do Olimpo ainda não decretaram o trânsito em julgado do Juízo Final. A vida continua. A menos enquanto os semideuses do Olimpo em Brasília não decidirem subjugar a vida de todos os habitantes do planeta Brazil.

O santíssimo bicho-grilo evangelista João cantou as guerras do fim do mundo na epopeia do Apocalipse, o mais maravilhoso livro já escrito na humanidade terrestre. “Houve batalhas no céu” (Apocalipse 12-7). 

Os Deuses do Olimpo castigam a humanidade terrestre. Os Deuses são desumanos, demasiadamente desumanos, no dizer de Nietzsche, ou são demasiadamente Desumanos, desde os saudosos tempos do paraíso de Eva e Adão.

Até agora a humanidade terrestre não deu certo, a contar 100 mil anos de quando uma mulher feminina das cavernas deu à luz um bebê de Neandertal e depois o marmanjo se enroscou com uma  Mulher Sapiens.   

A história da desumanidade terrestre é uma história de guerras, dilúvios, pestes, pandemias, escravidão, guerras, a fome ancestral na África, terremotos, tsunamis, a servidão nos cinco continentes.

A epopeia do Apocalipse do santíssimo bicho-grilo João evangelista é a epopeia dos martírios da humanidade. 

*Jornalista

Publicado em: 11/05/2020