Quanto vale uma vida?

Por Mônica Moraes*

Sim, uma vida. Mas, não uma vida qualquer. A vida da pessoa que você mais ama. Quanto vale? Se todo dinheiro do mundo lhe fosse ofertado em troca da vida dessa pessoa, você aceitaria?

Pois é exatamente o que se propõe ao pedir que as pessoas votem às ruas em nome da economia. Cada pessoa morta pelo coronavírus tem alguém que a ama, como você a essa pessoa.

E você pode estar pensando: Ah, mas, sempre se morreu. Todo dia morre gente. Morre gente vítima de H1N1, tuberculose, AIDS, de qualquer outra doença... ou vítima da violência. E ninguém precisou ficar em casa por causa disso. Claro, porque no caso dessas doenças, ficar em casa, provavelmente, não as salvaria. Quanto à violência, ninguém nunca sabe como ou quando irá acontecer.

Agora é diferente. Sabemos como e quando tudo vai acontecer. Mais que isso, sabemos como evitar que muitas dessas mortes aconteçam.

É uma gripezinha – que se propaga vertiginosamente e que, em muitos, não provoca quase nada, mas que está levando a vida de milhares em todo mundo. Sabe por quê? Porque não podemos atender a todos os infectados com eficácia. Não conseguimos dar conta, nem com a velocidade, nem com a estrutura que precisamos para salvar as vidas dos que desenvolvem os sintomas mais graves – nem aqui, nem em lugar nenhum do mundo. E isso pode acontecer comigo, com você ou com aquela pessoa que você pensou.

Aquela... que você mais ama. Essa é a questão. Por isso, precisamos ficar em casa. Uma hora ou outra vamos ter contato com esse vírus. Mas, não dá para ser todo mundo ao mesmo tempo. Temos que tentar atender pouco a pouco os infectados e salvarmos as vidas preciosas das pessoas, que são as mais importantes do mundo para alguém, em algum lugar, ainda que nesse momento não seja para você.

Agora, você pode estar pensando: Ah, mas o país vai quebrar! As pessoas vão perder o emprego. A miséria e a violência vão aumentar.

Vamos fazer um exercício: Se o coronavírus não existisse e, por algum outro motivo, você perdesse tudo. Mas, tudo mesmo! Imagine que as contas estão chegando, as dívidas se acumulando e a fome está batendo à sua porta. Você, que sempre se virou. Trabalhou para pagar seus boletos com muito sacrifício, se vê agora sem nada. Quem você acha que deve ou pode te ajudar agora?

Um parente, um vizinho, o governo? Quem sabe pessoas mais ricas, talvez até seu chefe ou um grande empresário? Bom, muitas pessoas, tem mais do que precisam para viver. E, provavelmente, te ajudar não faria com que faltasse a elas o essencial. Algumas até nem sentiram falta do dinheiro gasto com você. Pois, é. Isso é possível. No mundo tal como nos apresentaram, não. Mas, de fato é possível, sim. Mas, provavelmente o seu chefe, muitos empresários e principalmente o governo, não querem gastar com você! Essa é a verdade! Porque você não é importante de fato para eles. Os lucros que você os faz ganhar é o que importa! Por isso, dê-se o valor, cuide-se, proteja-se, ame-se e não saia de casa!

Não sei se você acredita em Deus, eu acredito. Acho inclusive que de alguma forma a natureza está nos colocando frente à questão mais recorrente e séria ao longo da existência humana – O que é mais importante, o dinheiro ou a vida? Se você for às ruas em nome da economia estará respondendo que o dinheiro tem mais valor. E se você acredita em Deus, sabe que estará trocando o bem mais precioso que lhe foi dado por Ele, pelo que faz muitas vezes os homens se sentirem mais importantes que Deus aqui na terra.

 Veja o mundo com seus próprios olhos, os olhos do amor de Deus!

*Jornalista

Publicado em: 26/03/2020