Coluna da quinta-feira

Patrícia fora do balcão, avisa Álvaro

Em entrevista, ontem, a este colunista e blogueiro, o líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (PR), jogou um balde de água gelada na pretensão dos pré-candidatos a prefeito do Recife, Mendonça Filho, do DEM, e Daniel, do Cidadania, de trazerem à pré-candidata Patrícia Domingos para construção de um entendimento capaz de levar à escolha de um candidato único do bloco, como pregam os dois pretendentes, já com um prévio acordo fechado lá atrás, antes da delegada ser confirmada pelo Podemos.

“A candidatura de Patrícia não está no balcão de negócios”, diz Dias, enfaticamente, adiantando que o partido, ao buscar o ingresso da delegada, não pensou em barganhar com ninguém por estar certo de que ela tem potencial eleitoral para ganhar a eleição, independente de alianças partidárias. “Patrícia é o fato novo e terá autonomia, ao lado do nosso presidente estadual, Ricardo Teobaldo, para decidir os rumos da campanha”, acrescentou.

Desde que a delegada entrou no páreo, Mendonça e Daniel esperam dela uma sinalização para a construção de um palanque único. Um deles chega a sonhar com a possibilidade de Patrícia aceitar a vice, numa composição envolvendo os três partidos – DEM, Cidadania e Podemos. Mas ao assegurar o seu ingresso na legenda via Brasília, ou seja, através da presidente Renata Abreu e do próprio Álvaro, Patrícia acabou avocando para si o rumo que tomará daqui para a frente.

Na entrevista, o senador se mostrou bastante empolgado com a candidatura de Patrícia, chegando a afirmar que está aberto a participar de sua campanha no Recife. “Serei uma presença constante no Recife, porque sei que estamos oferecendo o que há de mais novo e revolucionário na política. Patrícia é a certeza de que Recife, enfim, encontrará um rumo”, assinalou.

Fim do castigo – Na entrevista que concedeu, ontem, ao Frente a Frente, direto de Brasília, o deputado Felipe Carreras disse que já cumpriu o castigo imposto pelo PSB por ter votado a favor da reforma da Previdência. Salientou que está de volta às comissões temáticas da Casa e que reabriu, junto com os demais dez parlamentares punidos, as negociações com a direção socialista. Carreras, no entanto, ressaltou que isso não significa, na prática, que venha a votar sob a orientação do partido nos principais projetos que forem postos em discussão na Câmara. “Continuarei votando com a minha consciência”, afirmou.

Obediência canina – Em conversa com este blogueiro, ontem, em Brasília, o senador Humberto Costa garantiu que se curvará à decisão do PT se a direção nacional optar de fato pela candidatura de Marília Arraes. Fez a ressalva, porém, de que o diretório municipal vai derrotar, em votação, a tese da candidatura própria. “Mas essa não é a instância final, esta pertence ao comando nacional do PT”, enfatizou. O PT deve decidir se vai com ou sem Marília para o embate no Recife até o final de março.

Poço de mágoa – Dentre outros motivos para não apoiar Marília, Humberto guarda o ressentimento dela não ter obedecido à resolução do PT na eleição passada em apoio à reeleição do governador Paulo Câmara. “Ela sequer votou em mim para o Senado”, reclamou. Pelo tom do senador, a pré-candidata petista exerce o seu mandato e toma as suas decisões políticas fugindo as orientações partidárias, seja no âmbito de Brasília, no Congresso Nacional ou em Pernambuco.

Água no chope – Os Ferreira, grupo liderado pelo prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), estavam bem próximos de selar entendimento com o Palácio pelo qual o PSB não teria candidato em Jaboatão, mas o sinal amarelo foi aceso com o anúncio da transferência do domicílio eleitoral do ex-deputado Silvio Costa do Recife para o município. Se vier de fato a disputar a Prefeitura de Jaboatão, Silvio pode botar água no chope de Anderson, que já não tem um cenário favorável à reeleição.

CURTAS

IRMÃO DIRETOR – Informações levantadas pelo blog apontam que Pedro Campos, irmão do candidato a prefeito do Recife pelo PSB, João Campos, está cotado para assumir uma diretoria na Compesa. Recém concursado como engenheiro da Compesa, mesmo tendo pouco mais de um ano de experiência na estatal, Pedro já ocupa desde o início da gestão de Manuela cargo de confiança como assessor de diretoria. Uma empresa com a capilaridade e o poder de fogo da Compesa, que atende mais de 170 municípios em todo o Estado e investe mais de R$ 800 milhões por ano, pode ser utilizada pela primeira vez como uma máquina para eleger prefeitos, bombeando votos ao invés de água.

RACHADINHA – O senador Flávio Bolsonaro (sem partido) entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio para tentar, mais uma vez, paralisar as investigações sobre suspeita “rachadinha” no gabinete dele quando era deputado estadual. A defesa do parlamentar alega que os fatos são relativos ao tempo em que ele estava na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e, por isso, deveriam ser analisados em segunda instância.

CRISTOVAM E CINTRA – A degola do empresário Douglas Cintra da chefia da Sudene, ontem, lembrou o episódio do senador Cristovam Buarque quando caiu do Ministério da Educação no Governo Lula, só com uma pequena diferença: Cristovam ainda recebeu um telefonema, enquanto Cintra soube pela mídia online. Isso prova que a lealdade do presidente aos que batem continência ao seu Governo é próxima a zero.

Perguntar não ofende: Quem vai ser a próxima vítima do presidente Bolsonaro?

Publicado em: 05/03/2020