O direito de ir às ruas

Por Jose Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – A mentira inventou que a mentira tem pernas curtas. Que mentira, que lorota boa. A mentira tem pernas compridas, grossas, roliças. A mentira é cabeluda, cheia de charme. Viaja de supersônico com botas de sete léguas.

Autoproclamada dona da verdade, dona mentira inventou a lorota de que as manifestações de rua no dia de 15 março, em apoio ao presidente da República, seriam um golpe contra a democracia.

Constituição Federal – Capítulo I – Dos Direitos e deveres individuais e coletivos – Art. 5 – Parágrafo XVI:

Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

Não se vislumbra na mensagem do presidente da República um fio de cabelo de sapo que possa configurar ofensa aos poderes constituídos ou ao Congresso Nacional. O presidente é que foi chamado até de arroz doce. As lideranças governistas deram vacilo na votação em plenário e agora correm par tirar o prejuízo através de veto. 

As manifestações visam garimpar apoio popular para o presidente da República se livrar do chamado “parlamentarismo branco”, ou furta-cor, no qual os inocentes donos do Congresso poderiam dispor de uma bagatela de 30 bilhões de denários para fazer caridade pública. 

Os goelas, aliás, os donos do Congresso Nacional juram ser movidos pelas melhores intenções para deglutir, ou seja, para distribuir recursos bilionários com seus filhotes. 

Somos todos bem intencionados na vida. Se você perguntar a um senador a bordo de uma retroescavadeira: Quais são suas intenções, excelência? Ele dirá: minhas intenções são as mais nobres possíveis. Eu quero apenas estraçalhar, exterminar e trucidar esse bando de filhos de mães não republicanas.  Quero mandá-los para o céu, diria, cheio de intenções angelicais.   

Haveria suspiros antidemocráticos no meio do caminho? Com a palavra o vice-presidente general Mourão, figura inoxidável: o governo cumpre a missão de restaurar e reerguer a Pátria, de libertá-la do jugo da corrupção, da criminalidade e da submissão ideológica vermelha.

E mais, tremei mundiça vermelha: o Brazil está na trilha para se transformar numa vibrante e próspera democracia liberal do Hemisfério Sul, noves fora os coronarovírus marxista e submarxista.              

Depois da travessia do mar vermelho, o Governo navega muito além de factoides do dia a dia ou eventuais dissonâncias de seus  personagens expostos na ribalta. O Brazil conquistou seu livramento. Oh glória!

*Jornalista

Publicado em: 02/03/2020