Clima: negociadores trabalham para salvar conferência

Negociadores trabalham de madrugada para "salvar" conferência sobre mudanças climáticas da ONU. Encontro de países terminaria na sexta-feira, 13, mas ainda não há acordo.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na cúpula do clima em Madri 02/12/2019 REUTERS/Sergio Perez

Do Portal Terra - Por Reuters

 

Os negociadores trabalharam até as primeiras horas deste domingo, 15, para tentar garantir um forte compromisso global de combater as mudanças climáticas, depois que alguns dos países mais vulneráveis ??disseram que estavam sendo deixados de lado em uma maratona da cúpula da ONU em Madri.

As negociações estavam programadas para terminar na sexta-feira, 13, mas se estenderam para um segundo dia extra, enquanto as principais economias e estados menores lutavam para resolver questões pendentes no âmbito do Acordo de Paris de 2015.

Kevin Conrad, enviado climático da Papua Nova Guiné, disse aos delegados que as conversas tinham que ser "abertas e transparentes", ecoando preocupações expressas por alguns outros países em desenvolvimento de que suas vozes não estavam sendo ouvidas. "Nas últimas 24 horas, 90% dos participantes não estiveram envolvidos nesse processo", disse Conrad.

Carolina Schmidt, ministra chilena que preside o encontro anual de duas semanas, apelou aos mais de 190 países do acordo de Paris para que se unissem e enviassem um claro sinal de apoio antes de uma fase crucial de implementação em 2020. "Estamos quase lá. É difícil, mas vale a pena", disse Schmidt aos participantes, muitos dos quais mal dormiram durante a cansativa fase final.

Antes, o Chile enfrentou críticas ferozes após apresentar uma versão do texto da cúpula. Ativistas disseram que o documento era tão fraco que 'traía' o espírito do acordo de Paris.

Defensores de medidas firmes contra as mudanças climáticas alertam que o acordo de Paris poderá se desfazer, a menos que os países da cúpula de Madri sinalizem que estão prontos para honrá-lo, apresentando planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Cientistas alertam que os países precisam agir rapidamente para evitar o aquecimento global, reduzindo emissões no âmbito do Acordo de Paris. Para isso, os países que assinaram o documento precisam aumentar seu comprometimento em 2020.

A cúpula revelou um grande abismo entre um movimento de ativismo climático vociferante e a inércia apresentada pelas principais economias mundiais, ainda que as emissões de dióxido de carbono tenham atingido recordes.

As conversas em Madri ficaram atoladas em disputas por possíveis brechas nas regras que regem o comércio internacional de carbono, favorecido pelos países mais ricos para reduzir o custo de cortar as emissões. Carlos Fuller, negociador-chefe da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, disse que os 44 países mais baixos do bloco queriam regras rígidas, mas estavam sendo afastados, já que países maiores dominavam as negociações. "Somos parte desse processo ou não?", Perguntou Fuller a repórteres do lado de fora de uma sala de reuniões.

Schmidt disse que estava comprometida com a transparência e pessoalmente facilitaria as tentativas de romper o impasse sobre o comércio de carbono, enquanto outros trabalhavam para resolver outro conjunto de disputas sobre ajuda financeira a países mais pobres devastados pelos impactos climáticos. /Reuters

Publicado em: 15/12/2019