Pesquisa dá vitória ao PT numa cidade anti-petista

Por Tonico Magalhães*

Na semana passada, uma pesquisa de opinião sobre pré-candidaturas à Prefeitura do Recife assanhou o mundo político da cidade. A ansiedade está em alta para suceder o prefeito Geraldo Júlio que até agora vem sendo medianamente avaliado, embora governar o Recife não seja uma tarefa fácil.

Com a experiência de ter sido prefeito da Capital por duas vezes, Joaquim Francisco me disse, em entrevista à TV Nova em 2016, que a nossa cidade tem uma “população arrebitada” que não deixa passar nada e exerce um eficaz sistema de cobranças ao Executivo.

Depois de ganhar a eleição, enfatizou, vêm as cobranças. “E como agir diante da carência de recursos do Município para tantas necessidades em todos os bairros? Por isso, o político tem que ser verdadeiro, não fazendo promessas que não possa cumprir”.

Para Joaquim, é importante que ele monte uma equipe coesa, com secretários do prefeito e não deles mesmos, pensando em usarem o cargo para se eleger vereador.

“Se é um político jovem, ele não percebe a diferença entre o bom e o mau conselho. Aí o que vale é a experiência de vida do homem público. Só se aprende levando pancadas no lombo ao longo da vida”.

Uma lição para os marinheiros de primeira viagem como os deputados João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). A respeito do primeiro, o vereador do Recife, Jayme Asfora (sem partido), escreveu um artigo para o Blog de Jamildo, onde educadamente sugere que o pré-candidato do PSB não tem condições de ser prefeito do Recife.

Diz Asfora: “Eu não tenho nada contra o filho do ex-governador Eduardo Campos, preciso dizer logo do início. Muito ao contrário. Acho um jovem promissor. Mas as duas qualidades pessoais apontadas na frase anterior podem ser vistas como desqualificações de qualquer candidato a prefeito de uma grande e desafiante cidade como o Recife. João é jovem demais e o futuro é tudo que ele tem para nos prometer”.

Continua o vereador: “Passado, realizações, provas da própria capacidade são critérios para o cargo que PSB pretende lançá-lo. E João não tem. Apresentar alguém cuja a única virtude comprovada é a sua herança genética, a mim soa como um ato desesperado do Partido Socialista, que parece não ter mais nada a oferecer à nossa cidade, tão carente”.

Não citada no artigo de Jayme Asfora, também se enquadra no mesmo modelo a pré-candidata a Prefeitura Marília Arraes, do partido de Lula, que na passagem pelo Recife o ex-presidiário, ainda condenado por lavagem de dinheiro e corrupção, deu o aval  tanto a João Campos como a Marília.

Mas voltando a pesquisa da semana passada realizada pelo IPE Estratégia, uma empresa nova do Recife também com sede em Brasília, que apontou Marília Arraes à frente de João Campos e Mendonça Filho, postulante do campo conservador. O organizador da pesquisa, o cientista político Rodolfo Costa Pinto, registra que ainda os votos em brancos e nulos ganham dos candidatos.

Claro. Ainda é cedo para os eleitores se posicionarem sobre seus candidatos. Segundo o organizador da pesquisa não patrocinada foram ouvidos por telefone 1.500 moradores do Recife num universo de 1.151.559 eleitores (dados do TRE de 2018). A enquete não indica os bairros pesquisados, o que deixa muitas dúvidas sobre os resultados obtidos.

Por exemplo, Boa Viagem, o bairro que abriga o maior número de habitantes da cidade, com um peso maior entre o eleitorado conservador parece que não teve muita influência nesses números, sendo dada a preferência à zona norte da cidade, reduto simpatizante do petismo.

Não foi levado em conta que em 2018 o candidato Jair Bolsonaro ganhou no Recife, Olinda e Jaboatão para Fernando Hadad, revelando um eleitorado anti-petista por natureza. Como, então, Marília Arraes está à frente desta pesquisa? A enquete também deixou de incluir outros possivelmente pré-candidatos como Joaquim Francisco, André Ferreira e Gilson Machado Neto, preferido de Bolsonaro. Optando apenas por incluir Daniel Coelho, Túlio Gadelha e André de Paula.

Para Rodolfo Costa Pinto - filho do jornalista pernambucano Lula Costa Pinto, simpatizante do PT -, com muitos nomes no questionário  não seria possível fazer uma pesquisa telefônica por meio automatizado. As respostas não são faladas pelo eleitor. Ele apenas digita os números oferecidos dos candidatos, sem interlocução humana.

Os resultados da pesquisa, segundo especialista, podem ser influenciados por conta da familiaridade dos consultados com as redes sociais. Segundo o ex-prefeito Joaquim Francisco, na sua entrevista à TV Nova, este novo arsenal tecnológico ajuda a fiscalizar a administração, mas não resolve os problemas. “O prefeito tem que estar presente na cidade, olho no olho do recifense, para tomar as medidas necessárias e também para dizer não, quando for o caso. Não é fácil administrar o Recife, mas o contraditório é a melhor coisa do processo democrático. Sem ele, o governante não governa”.

*Integrante da Cooperativa de Jornalistas de Pernambuco

Publicado em: 12/12/2019