Coluna desta quinta na Folha

Estado abocanha R$ 62 milhões

Ao longo do processo de discussão do orçamento da União referente ao exercício de 2020, a bancada federal chegou a ensaiar um movimento de rebeldia, tentando distribuir ao seu bel prazer as emendas referentes aos R$ 248 milhões reservados ao Estado. Tudo jogo de cena.

Último dia para apresentação do relatório, a proposta de Pernambuco será fechada, hoje, com R$ 62 milhões para projetos propostos pelo governador Paulo Câmara na seguinte ordem: R$ 22 milhões para a barragem dos Gatos, no Agreste, R$ 20 milhões para duplicação da BR-104, no trecho Caruaru a Taquaritinga do Norte, e mais R$ 20 milhões para melhoria e ampliação da pista de pouso e decolagem do aeroporto de Fernando de Noronha.

Não é muito dinheiro, diga-se de passagem, mas representa uma vitória política para o governador, que teve que entrar em cena, ligando para um a um dos deputados e senadores. Melhor pouco do que nada.

Zero da oposição – Nenhum deputado da oposição, entretanto, abriu mão do seu direito de abocanhar emendas. Os R$ 62 milhões do Estado foram subtraídos da totalidade dos R$ 248 milhões graças ao esforço e a disposição dos parlamentares governistas, leia-se do PSB, MDB, PP, PDT e PCdoB. Como o sistema mudou para liberações impositivas, não há risco de a União farrapar na distribuição.

Só aparências – Ao contrário do que noticiei, ontem, sobre o reencontro dos primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), na festa de aniversário do líder do SD na Câmara, Augusto Coutinho, eles reagiram civilizados. Cumprimentaram-se com beijinhos e ainda bateram um papinho rápido, segundo Aristeu Plácido Júnior, embaixador pernambucano em Brasília

No muro – Coube ao ex-deputado Silvio Costa, durante o jantar de aniversário de Coutinho, protagonizar a cena que amarelou o anfitrião e seu cunhado, o ex-ministro Mendonça Filho. Segundo o desbocado Silvio, Coutinho está entre a cruz e a espada: na eleição para prefeito do Recife não sabe, ainda, se sobe no palanque do irmão da sua esposa ou se faz juras de amor a João Campos.

Dinheiro tem – Presente à boca livre na casa de Coutinho, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), tentou estimular o deputado Raul Henry a entrar na disputa para prefeito do Recife. Objetivamente, disse que dinheiro não era problema e que o voo majoritário de Henry só dependia dele.

Peregrinação – Prefeitos que passaram o pires nos gabinetes dos deputados e senadores de Pernambuco, ontem, último dia para fechamento das emendas federais, saíram vendo o mundo mais azul. “Valeu a pena o esforço para todos”, sintetizou o presidente da Amupe, José Patriota.

VAI GOURAR – Se depender da boa vontade dos parlamentares da base bolsonarista, tende a ser arquivada a proposta do deputado João Campos (PSB) de instalar a CPI sobre o vazamento de petróleo nas praias nordestinas. O ano legislativo já está no apagar das luzes e não há clima para CPI.

Perguntar não ofende: Eduardo Bolsonaro, novo líder do PSL na Câmara, blefa quando diz que não desistiu da embaixada dos Estados Unidos.

Publicado em: 24/10/2019