O oitentão trovão sertanejo

Mergulhado da cena nacional, o ex-deputado Inocêncio de Oliveira rompeu a fronteira dos 80 e está festejando, nesta segunda, 81 primaveras. De Serra Talhada, onde nasceu, exerceu a Medicina e se projetou na República, o velho cacique vestiu o pijama, não está mais na ponte aérea com Brasília e o Congresso, mas na longa jornada congressual ocupou todos os espaços que um político almeja.

Do baixo clero, alcançou à liderança do então PFL na Câmara, função que o içou à condição de deputado guardanapo: aquele que está sempre na mesa, no caso a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Ocupou todos os cargos dirigentes da Mesa, de primeiro-secretário – o prefeito da Câmara – à Presidência. Eleito presidente na era Itamar Franco, que não tinha vice pelo fato de ter virado presidente com o impeachment de Collor, assumiu, interinamente, a Presidência da República por incontáveis oportunidades.

Nunca imaginei ver Inocêncio longe do burburinho político, que adorava. Mas o tempo e a saúde dele foram se encarregando disso. Primeiro, veio uma cirurgia mal-sucedida no joelho e depois um grave problema de audição. Inocêncio sonhava em ser governador, teve projeção e visibilidade, mas faltou o timing.

De Arraes, recebeu sondagens para ser candidato a senador. Não quis. Seu sonho era consolidar sua trajetória parlamentar alçando, por mérito, força e liderança, à Presidência da Câmara.

Inocêncio nunca mais apareceu em Brasília, mas deixou seu nome no imaginário popular e marcado para sempre no parlamento brasileiro.

Publicado em: 21/10/2019