Petrolina terá eleição estratégica

Por Ivan Maurício*

Cidade mais importante do Sertão de Pernambuco e com uma economia impulsionada pela agricultura irrigada, Petrolina possui uma população estimada em 337.683 habitantes e mais de 205 mil eleitores. Petrolina terá, pela primeira vez, uma eleição com segundo turno.

Parte significativa do processo eleitoral de Pernambuco, em 2022, passa pelas eleições municipais de Petrolina, em 2020. Daí a importância da divulgação da primeira pesquisa pelo Blog do Magno Martins, realizada pelo Instituto Opinião.

Com um ano de antecedência ao pleito e pouco envolvimento da população, os números servem de indicativos e ainda estão longe de uma avaliação precisa. A politização se dará no calor da disputa.

O futuro do grupo político do senador Fernando Bezerra Coelho - FBC, líder do governo Bolsonaro, está nas mãos de um bom desempenho do prefeito Miguel Coelho.

FBC é uma das principais lideranças da oposição ao governo Paulo Câmara, do PSB. Ele vai definir seu espaço político na política estadual a partir do resultado de Petrolina.

Miguel Coelho desde o início de sua gestão vem sendo beneficiado por recursos do Governo Federal. Conseguiu cifras expressivas no Governo Temer quando seu irmão, o deputado federal Fernando Filho, foi ministro de Minas e Energia. Agora, os recursos continuam sendo captados no governo Bolsonaro.

Miguel, que anunciou sua filiação ao MDB, tem 65% dos pesquisados que aprovam seu governo, sendo 44,4% de bom e 20,7% de ótimo, enquanto 24,2% acham regular, 4,7% ruim e 4,2% péssimo.

A forte ligação do grupo dos Coelhos com o governo Bolsonaro pode ser um atrapalho. O governo de Bolsonaro tem 42,5% de péssimo, 13,1% de ruim, 23,1% de regular, 10,9% de bom e apenas 6,2% de ótimo.

Esta ponderação é enfatizada pelo deputado Lucas Ramos, do PSB, que aparece na pesquisa com 4% de intenção de votos. No entanto, Lucas Ramos enfrenta idêntico problema com a má avaliação do governador e correligionário Paulo Câmara: 19,3% de bom, 2,7% de ótimo, 31,6% de regular, 11,3% de ruim e 18,7% de péssimo.

Se, no momento das eleições, o governo Bolsonaro estiver com avaliação muito negativa, pode, de fato, se constituir num obstáculo. Mas, é sempre bom lembrar, que mesmo um governo federal mal avaliado, é entendido, pela população que mora nos municípios, como um bom aliado. Pragmático, o eleitor municipal entende que o governo federal, em qualquer circunstância, tem mais recursos para injetar recursos, pois é o ente mais poderoso da federação.

O ex-prefeito Júlio Lóssio, do PSD, que rompeu a hegemonia dos Coelhos em Petrolina ao se reeleger prefeito da cidade vai enfrentar sua eleição municipal mais difícil. Os ventos dos recursos públicos estão soprando a favor dos Coelhos. Para quem já foi hegemônico no município, Lóssio aparece apenas com 13,3%.

O ex-prefeito e ex-deputado estadual Odacy Amorim, do PT, pode crescer se contar com a participação do ex-presidente Lula, livre e de forma mais direta em sua campanha. Mas, essa é uma hipótese que depende da Justiça. Por enquanto, Odacy aparece com apenas 13,1%.

As avaliações de segundo turno, embora reflitam as circunstâncias do momento, de pouco servem para uma projeção devido ao dinamismo de uma disputa eleitoral.

Com certeza, Petrolina é uma peça importante no xadrez da sucessão governamental de Pernambuco em 2022.

*Jornalista e analista político

Publicado em: 18/10/2019