Viva o beato e a Santa dos Pobrezinhos

MONTANHAS DA JAQUEIRA – “O Sertão vai virar mar, o mar vai virar Sertão, haverá rios de leite e montanhas de cuscuz”. Será proclamada a Nação Sertaneja do Arraial de Canudos. Viva El-Imperador Antonio Conselheiro!

Eis a guerra dos sertões de Canudos, segundo Euclides da Cunha, ou a Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa.

(Nos tempos de agora as praias do Nordeste estão sendo assassinadas pelo petróleo vermelho! Oh infelicidade!)   

Chamado de fanático e conspirador pela volta da Monarquia, o peregrino Santo Antonio dos Mares despertou a fúria da nascente República, idos de 1896, da milenar Igreja Católica, Apostólica Romana e dos fazendeiros donos de gado e de gente.

O Arraial foi exterminado pelas briosas tropas republicanas, os beatos e as beatas foram degolados e massacrados, em nome da paz e da harmonia social.    

Ora, direis, o Arraial de Canudos do Conselheiro faz parte de um passado remoto. Eu vos direi, quanta ignorância! Assim feito Elvis e a Santa Irmã Dulce dos Pobres, o Santo Guerreiro peregrino dos mares vive no coração do Brazil.

Os poetas, os heróis e as musas são flores sempre-vivas nos jardins de nossos corações.

A Igreja Apostólica de Roma, Amor, que perseguiu e odiava o autoproclamado “Santo Antônio dos Mares” é a mesmíssima Igreja do Papa globalista Francisco que canonizou a Santa Irmã Dulce dos Pobres. Mudam apenas os paramentos e o lero-lero da Cúria romana. Contritos e penitentes, os ricos e poderosos foram a Roma, às custas dos nossos impostos, venerar a santa irmã dos pobrezinhos.

Graças a Zeus eu não sou religioso, não sou papista, sou espiritualista, creio no Deus cósmico e universal de Spinoza e no Deus atômico do bem-aventurado poeta Augusto dos Anjos, dos Arcanjos e dos pecadores:

“Não, Jesus não morreu, /Vive na Serra/ da Borborema/, no ar de minha terra, /Na molécula e no átomo ele vive”.

 “Vandalismo – “Meu coração tem catedrais imensas (....)  Como os velhos templários medievais/ entrei um dia nessas catedrais/ e nesses templos claros e risonhos ... / E erguendo os gládios e brandindo as hastas./ no desespero dos iconoclastas/ quebrei a imagem dos meus próprios sonhos”.

Viva o beato Conselheiro! Viva Spinoza! Viva o genial e bem-aventurado Dos Anjos! Viva a Santa Irmã Dulce dos Pobres!

Publicado em: 14/10/2019