Afogados da Ingazeira: Admiração e bons amigos!

Por Aloisio Ferraz

Como Sertanejo e admirador do Sertão do Pajeú, também minha terra de nascimento e vivência, sou atento ao que diz respeito a essa região e à sua gente. Como leitor deste Blog, que tanto tem servido à nossa gente, algumas matérias reavivam a saudade e o sentimento de falta de amigos, alguns não estão mais entre nós.

Afogados da Ingazeira, cidade tão peculiar e que sempre fez aos seus visitantes, gestos que terminavam tocando a nossa sensibilidade. Nela tive e tenho amigos. Você é um deles, desde a década de 80, quando nos conhecemos na CEPA (órgão da Secretaria de Agricultura), no Casarão 453, da Rua José Maria/Rosarinho.

Antônio Mariano, figura alegre, disposta, trabalhadora era uma criatura humana de grande valor, tendo com ele convivido em vários momentos de minha vida, merecendo destaque em meus trabalhos na EMATER e Secretaria da Agricultura de Pernambuco, principalmente entre 1991 e 1994. Era deputado presente, político coerente e solidário ao seu povo. A sua prosa era rica e orientava qualquer cidadão ou gestor.

Newton César, meu colega agrônomo e de trabalho, também enobrece Afogados. O prefeito José Patriota, que tive a sorte de conhecê-lo em 1993/1994, ele no movimento sindical, e eu na EMATER, sempre atento para reduzir o sofrimento dos agricultores na seca de 1992/1993. A minha amiga Jussara Leite, técnica do SEBRAE, a quem aprendi a respeitar sobretudo pelo seu empenho, dedicação e conhecimento.

Podia enumerar muitos outros, companheiros dos tempos de EMATER, Carlindo Pereira, a saudosa ex-prefeita Gisa Simões (irmã da minha amiga Lúcia Helena Simões), Carlos Wilson Veras, Heleno Mariano, Antônio Valadares e outros.

Afogados da Ingazeira, município com 37 mil habitantes, o segundo maior do Alto Pajeú, perdendo em população apenas para Serra Talhada, é território agradável, de gente trabalhadora, que valoriza a educação e a sua cultura.

Penso que a firmeza de pregação e de combate às injustiças do saudoso Bispo Dom Francisco de Mesquita, ajudou na construção pacífica de Afogados e na formação da sua gente, como o fizeram os demais da Diocese. Trabalhando no Governo de Pernambuco, pude percorrer a maioria de seus municípios e Afogados da Ingazeira sempre me fascinou, sem que eu possa ter real explicação para tal, a não ser a gentileza dos amigos e de sua gente.

Talvez a sua cultura, sua localização, sua agricultura, o Rio Pajeú, os poetas e até mesmo o espírito pacífico da sua população, contribuíssem para a minha simpatia. Em 2018, o município registrou um dos CVLI mais baixos de Pernambuco, 5,4/100 mil habitantes, algo como 14% da média estadual e o mais baixo do Alto Pajeú, em condições de igualdade com Carnaíba.

Sou admirador de Afogados da Ingazeira, daqueles que cultivam e homenageiam suas famílias, e aí não posso deixar de enaltecer Magno Martins, sertanejo que não perde a oportunidade de homenagear o seu Pai, seu Gastão Cerquinha, exemplo de cidadão, que, em 2019, completou 97 anos, distribuindo sabedoria, ensinamentos e conduta exemplar.

Claro que este Blog tem contribuído significativamente para veicular temas de importância para a sociedade desde a política, economia, cultura, administração e as coisas do sertão. O seu vínculo com o sertão aproxima a notícia dos sertanejos, exigindo de todos a leitura. Recentemente fui surpreendido também com uma homenagem ao ex-deputado Antônio Mariano, no momento que completava 1 ano de seu falecimento. Quem conheceu Antônio Mariano sabe da exatidão das palavras de Magno naquela carta. A ausência do ex-deputado cria uma lacuna no meio político e uma profunda saudade.

Publicado em: 09/10/2019