ONU atenta a Bolsonaro

Em seu artigo no Estadão, hoje, Fernando Gabeira observa que os discursos de presidentes brasileiros na abertura da Assembleia Geral da ONU costumam ser ouvidos com desinteresse protocolar, mas com Jair Bolsonaro será diferente. “Em termos diplomáticos, Bolsonaro tem dito barbaridades, se consideramos que fala pelo País. Zombou da mulher de Macron, ironizou a Alemanha, criticou a Noruega e defendeu a ditadura de Augusto Pinochet. Pesa contra ele, também, sua desconfiança da ONU e de instrumentos internacionais, incluídos os que trabalham com as mudanças climáticas”, lembra o articulista.

Ele lembra que o conceito de soberania está em debate no mundo todo, não só no Brasil. “Bolsonaro já é uma espécie de vilão na imprensa internacional. Trabalhou para isso e parece não se importar muito com as consequências para a imagem do Brasil. Afinal, os estrangeiros não votam”.

Gabeira aponta que um caminho virtuoso seria reconhecer como legítimo o interesse internacional pela Amazônia e se abrir à cooperação. “Não há contradição entre cooperação multilateral e soberania, desde que os objetivos sejam idênticos: manter a floresta em pé, recompor parte dela, explorar seus recursos de forma sustentável, melhorar as condições de 28 milhões de pessoas em nove Estados do País”.

Publicado em: 20/09/2019