Delator de operação que investiga FBC é apontado como operador

A Operação Desintegração, que cumpriu mandados de busca no gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), hoje, é fruto da delação do empresário pernambucano João Carlos Lyra para a Operação Turbulência, deflagrada em 2016. O empresário era apontado pela PF como o dono do avião em que o ex-governador Eduardo Campos viajava quando morreu e suspeito de envolvimento em um esquema de pagamento de propina.

A Operação Turbulência foi deflagrada pela Polícia Federal em junho de 2016. A PF disse, no inquérito, que João Carlos Lyra seria o responsável por um esquema que teria abastecido a campanha de reeleição de Eduardo Campos em 2010 e que pode ter se estendido à campanha presidencial, em 2014. Lyra e outros três empresários chegaram a ser presos na época.

O inquérito do Supremo Tribunal Federal citava ainda o envolvimento de João Carlos Lyra com o senador Fernando Bezerra Coelho, que em 2010, era do PSB e secretário de Desenvolvimento Econômico no governo de Campos.

A Polícia Federal diz que João Carlos Lyra e empresários ligados a ele montaram uma rede de empresas de fachada que movimentou mais de R$ 600 milhões. Dois delatores da Lava Jato disseram que João Carlos Lyra cobrava comissão de 2% para repassar recursos de empresas.

As investigações comprovaram, segundo a PF na época, a relação entre empresas de fachada e a aquisição do avião de Eduardo Campos. João Carlos Lyra teria recebido R$ 3,6 milhões pela atuação na suposta lavagem de dinheiro na compra da aeronave.

Lyra foi denunciado pelo Ministério Público Federal em 2016 como um dos líderes do esquema criminoso, que começou a ser investigado a partir das apurações sobre a propriedade da aeronave Cessna Citation PR-AFA, cuja queda provocou a morte do ex-governador Eduardo Campos, em 2014.

Publicado em: 19/09/2019