Rodrigo defende etanol e enfrenta Bolsonaro

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu um alento, ontem, aos produtores de álcool do Nordeste penalizados com a portaria do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, ampliando a cota de isenção fiscal para o produto importado dos Estados Unidos. Segundo ele, o Congresso tem o poder de barrar a medida, através de um decreto legislativo, cuja urgência para votação já foi aprovada.

O encontro com o setor sucroenergético do Nordeste contou com a participação de produtores de todos os Estados da região, entre eles o empresário Eduardo Monteiro, do Grupo EQM, de Pernambuco.

A bancada federal de Pernambuco esteve presente em quase sua totalidade. Para o líder do PSD, André de Paula, o Governo não pode afetar um segmento gerador de renda e trabalho. "São representantes de cerca de 300 usinas de etanol, que geram, em média, 300 mil empregos diretos no País. O acordo que Bolsonaro fez com o presidente Donald Trump para facilitar a entrada de etanol com taxa menor de impostos é um contra-senso", disse o parlamentar.

Ele acrescentou: "Apesar do preço mais baixo, a medida fragiliza os produtores e gera concorrência desleal com quem investiu alto para produzir no país. Uma das saídas apontadas na reunião, que pode viabilizar o acordo, é iniciar a importação do produto pelas regiões Sul e Sudeste, já que suas safras estão no fim e o Nordeste acaba de iniciar a colheita da cana-de-açúcar".

A Portaria nº 547/2019 eleva de 600 milhões para 750 milhões de litros a cota de etanol que poderá ser comprada no exterior sem incidência da alíquota de importação de 20%. Atualmente, a importação de etanol é realizada principalmente por empresas brasileiras como a Raízen e a Copersucar, que possui a trading Eco-Energy, nos Estados Unidos.

Publicado em: 18/09/2019