O preço dos palanques políticos

Por Nayara Sousa*
 
É notório que, há um tempo, os palanques começaram a ser montados para as eleições municipais em nossa região (Caruaru). Como um efeito “milagroso”, sujeitos outrora apáticos, começam a surgir, como protagonistas da construção social. Quem nem saia às ruas, agora sai. É bem verdade que, os indivíduos que compõe nossa sociedade, estão enfastiados dessa velha política assistencialista e oportunista.

O fato é que, apenas promessas não convencem mais a população, que se encontra desacreditada com a histórica politicagem ofertada. Às vezes, a impressão é que os políticos de carreira desafiam a capacidade intelectual das pessoas. Pois, mesmo que uma parcela da população opte por se abster do processo eleitoral, outra considerada almeja transformação e acompanha ativamente as possibilidades de escolha.

O cenário instável tem causado temor aos que estão habituados a fazer a “velha” política, que aparecem somente em ano eleitoreiro, a fim de arrebanhar a garantia de seus mandatos. Nem precisamos ir muito longe para observar isso.

No município de Caruaru, por exemplo, famílias alternam no poder ao longo dos anos, sob um discurso de que sabem conduzir bem a cidade. O resultado disso, basta fazer uma simples análise do andamento do município e constatar que o mesmo, não tem uma gestão eficiente e transparente há anos! Ou, acompanhar as inúmeras vezes as quais o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ajuizou ações contra a prefeitura de Caruaru.

Difícil acreditar no que diz as peças publicitárias, enquanto mulheres continuam a peregrinar para parir seus filhos, pois uma cidade com mais de 350 mil habitantes não possui um Centro de Parto Normal ou um hospital que atenda de forma digna a demanda. Enquanto crianças passam mal pela segunda vez em um intervalo de uma semana, em uma escola pública porque a tinta utilizada no período letivo causou intoxicação, ou o teto que desabou por falta de manutenção ou se encontrou larvas na merenda.

O povo está cansado! Cansado de ser explorado, enganado e esquecido. De ser enaltecido em campanhas, e jogado ao calabouço posteriormente. O sentimento genuíno para as eleições de 2020 é de mudança.

Fica então a indagação: Qual o preço dos palanques montados? Promessas, propostas particulares, propinas? Enquanto assim o for, pereceremos.

*Enfermeira, pedagoga e professora universitária

Publicado em: 18/09/2019