Coluna desta terça na Folha

Bolsonaro quer imitar Trump

O presidente Bolsonaro nunca negou que seu grande ícone da política internacional é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Fez a campanha, aliás, se apresentando com a marca Trump de gerar polêmicas. Eleito, uma das suas primeiras viagens internacionais foi a Washington para bater continência ao mais poderoso chefe de Estado do mundo.

Cada um tem suas referências de ídolos, gosto não se discute, mas Bolsonaro, ao dar declarações incendiárias quase todos os dias, como virou rotina, quer imitar Trump. Mas o presidente americano, diferente do brasileiro, é inteligente, criativo, debochado e tem um ingrediente acima de todos os chefes do mundo: é poderoso.

Na polêmica com a jogadora Megan Rapinoe, campeã mundial de futebol feminino e militante gay, disse que não valia a pena brigar com ela, porque tinha com a jogadora coisas em comum. “Eu gosto de mulher e ela também”, afirmou.

Pior que Geisel – Nem no Governo Geisel, do regime militar, houve tanta subserviência aos Estados Unidos como na gestão atual. Segundo a professora Maria Aparecida de Aquino, da pós-graduação do Departamento de História da USP, “na era Geisel a subserviência não foi total como observamos agora”. Geisel pelos menos concretizou aporte financeiro para o acordo nuclear de 1975.

Sem briga – Paulo Câmara subscreveu a carta dos governadores do Nordeste ao presidente na sexta-feira passada, mas faltava de sua parte uma manifestação pessoal, o que fez, ontem, pelas redes sociais. “O que se espera dos governantes é respeito. Não é tempo de procurar briga, é tempo de procurar soluções, respeitando o compromisso com as pessoas”, afirmou.

Candidato – Depois de mero figurante nas eleições passadas como candidato a governador pelo PROS, obtendo 129.712 votos, o ex-deputado Maurício Rands já admite entrar na disputa pela Prefeitura do Recife, em 2020. Na corrida estadual, contou com o apoio do PDT, mas na capital o partido deve lançar o nome do deputado federal Túlio Gadelha, segundo o presidente Carlos Lupi.

Vítima do ex – O governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), não abriu a boca sobre o affair Bolsonaro com o Nordeste. A ira do presidente não tem ele como alvo, mas o ex-governador Ricardo Coutinho, que assumiu a Fundação João Mangabeira e tem como hobbie bater em Bolsonaro.

Sem cidadania – Representando a Paraíba, a vereadora Sandra Marrocos (PSB) cantou de galo no enfrentamento ao preconceito revelado pelo presidente aos nordestinos. Propôs o cancelamento do título de cidadão de João Pessoa a Bolsonaro, de autoria do vereador Carlão da Consolação (DC).

FORA DA OPOSIÇÃO – Ex-prefeito de Canhotinho, Doutor Roberto (DEM) negou que tenha se antecipado no apoio ao candidato das oposições, Marcílio Amorim (PP). Ressalta que jamais abandonará o grupo de Lourival Barros, pai do deputado Álvaro Porto e avô do prefeito Felipe Porto (PSD).

Perguntar não ofende: Ao atingir os nordestinos, Bolsonaro perdeu o respeito da população da região?

Publicado em: 22/07/2019