Coluna desta quarta na Folha

Reforma passa com toma lá dá cá

Para empurrar goela-abaixo a indigesta reforma da Previdência, o Governo não precisou apenas da liderança do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Teve que usar dos mesmos mecanismos que tanto combateu na era Lula: o fisiologismo. Liberou, na véspera da medida entrar em plenário, R$ 1,3 bilhão.

Somando este valor ao que já jorrou pelas torneiras, são R$ 2,5 bilhões para adoçar a boca dos deputados que resistiam à reforma. Cai por terra, assim, o carcomido discurso do presidente, de que não é recorrente à política do toma lá dá cá. No Congresso, mudou o clima em favor das mudanças nas regras de aposentadoria, mas não ao clima de desconfiança em relação à governabilidade.

Bolsonaro fez afagos, ontem, a Maia, tratando-o de general. Um grande número, porém, de parlamentares reclama do acesso ao Governo e ao tratamento indiferente que recebem circulando pela Esplanada dos Ministérios.

Expulsa ou não – Embora voto contra à reforma da Previdência, o deputado Gonzaga Patriota (PSB) não acredita que o partido venha a expulsar os parlamentares que não respeitem a orientação da executiva nacional pelo voto a favor. “Não é uma tradição tamanha radicalização”, disse. Será? Com a palavra o senador Kajuru, degolado por ter votado a favor do decreto de armas.

Primeiro rebelde – Se Patriota tem razão veremos com a reação do comando socialista ao voto do deputado Felipe Carreras. Pelo menos até o fechamento desta coluna, ele tendia a votar a favor das mudanças nas regras de aposentadoria. Na segunda-feira passada, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, foi claro: quem votar a favor da reforma será expulso do partido.

Revolução – O presidente do Tribunal de Contas da União, José Mucio Monteiro, que abriu uma exceção para este colunista, ontem, concedendo a sua primeira entrevista depois de empossado, há seis meses, faz uma gestão que incomoda muita gente. Ele não quis tratar das mudanças que vem empreendendo, mas certamente vão gerar mídia nacional e muita polêmica.

Tesão de noivo – Vice-presidente estadual do PMDB, o primeiro suplente do senador Jarbas Vasconcelos, Fernando Duere, está com tesão de noivo para levar o partido a crescer no Estado. Já encomendou uma bota de sete léguas para o primeiro giro aos rincões do Estado.

Vaquejada – Tabira já pode festejar a manutenção de uma das maiores vaquejadas do Nordeste, organizada e promovida por Paulino Melo e filhos: a Câmara aprovou, ontem, a legalização do esporte. O evento de Tabira, que arrasta uma multidão, será neste fim de semana.

DEMAGOGIA – O vice-presidente Hamilton Mourão disse, ontem, ao deputado pernambucano Fernando Rodolfo (PL), que os governadores do Nordeste, contrários à reforma da Previdência, agiram com populismo e demagogia ao longo de todo o processo de discussão da matéria na Câmara.

Perguntar não ofende: Felipe Carreras vai ser expulso por não se curvar à direção do PSB?

Publicado em: 09/07/2019