Coluna deste sabadão na Folha

Trabalho infantil é massacre

Bolsonaro defendeu a legalização do trabalho infantil no País, mas recuou. Disse que não seria bem assim, diante da repercussão explosiva que a pisada de bola causou nas redes sociais. Com ele no poder, a cantiga da perua tem sido uma só: tropeços e trapalhadas. O presidente não tem sensibilidade para compreender que a escravidão infantil é um massacre humano, um genocídio.

No Brasil, segundo o IBGE, mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, trabalham na agricultura, pecuária, no comércio, nas ruas, em construção civil, dentre outras atividades. Em Placas (PA), uma criança ficou cega numa fazenda de cacau após acidente de trabalho.

No Rio Grande do Norte, 25 crianças foram encontradas trabalhando em matadouros públicos. Casos mais alarmantes se repetem em todo o País, mas Bolsonaro, ao invés de prevenir e eliminar o trabalho infantil escravo, mente. Disse que trabalhou na infância, mas a própria família negou. Que papelada!

Casos em Ipubi – Em maio passado, 13 crianças e adolescentes, na faixa etária de três a 17 anos, foram encontradas trabalhando em três casas de produção de farinha de mandioca em Ipubi, no Sertão. Alguns operavam máquinas, muitas delas conhecidas por causar ferimentos graves. A lei proíbe quem tem menos de 18 anos de atuar em atividades na lista das piores formas de trabalho infantil.

Irmão nega – Depois de Bolsonaro fazer apologia ao trabalho infantil, internautas recuperaram uma entrevista da família dele, em 2015, na qual um dos irmãos do presidente nega que qualquer um deles tenha trabalhado na infância. A revista Crescer ouviu Renato Bolsonaro, que afirmou: “Meu pai era boêmio, mas nunca deixou um filho trabalhar, mas sim estudar”.

Unidos na frente – A Frente Parlamentar em Defesa de Furnas, que será lançada na próxima terça-feira, no Congresso, já tema adesão de 402 deputados e 50 senadores. A bancada pernambucana está presente no movimento e une adversários ferrenhos: o ex-ministro Fernando Filho, um dos mentores do plano de privatização da Eletrobrás, e João Campos (PSB).

Joga a toalha? – Depois de agredir seus eleitores de Goiás com palavrões, o senador Jorge Kajuru, expulso do PSB, pediu desculpas ontem pelas redes sociais e ameaçou renunciar na segunda-feira. Seu suplente, o advogado Benjamim Beze Júnior, está entre os dez mais ricos do Estado.

Corajoso – Na entrevista, ontem, a Jota Batista, Renata Bezerra de Melo e este colunista, na Rádio Folha, o presidente da Alepe, Eriberto Medeiros, disse que está pronto para colocar em votação a reforma da Previdência. No texto aprovado em Brasília, Estados e Municípios ficam de fora.

GASTANÇA – No Cabo, os vereadores aprovaram uma resolução que dobrou o valor do auxílio-combustível. Com a medida, publicada no Diário Oficial do Município, terça-feira passada, a gastança com combustível passa dos atuais R$ 1 mil para R$ 2 mil. Quem não chora, não mama.

Perguntar não ofende: Qual vai ser a próxima pisada de bola de Bolsonaro?

Publicado em: 05/07/2019