Coluna desta terça na Folha

Governadores pisam na bola

Não dá para entender a posição dos governadores do Nordeste. No mesmo dia em que milhares de brasileiros foram às ruas em todo o País, em solidariedade a Sérgio Moro, os gestores assinaram em conjunto um manifesto pedindo a degola do ministro da Justiça e a soltura do ex-presidente Lula.

Os governadores se aliaram ao crime? Não dá para entender diferente. Ao contrário do que pregam, deveriam, neste momento, se preocupar com a reforma da Previdência, cujo relatório está sendo votado esta semana na comissão especial excluindo Estados e Municípios. Pregar a demissão de Moro é politicalha, ofício nada recomendável para um chefe de Estado.

Isso é papel que cabe aos deputados aliados. Numa quadra tão difícil que os Estados enfrentam, muito deles sufocados, sem dinheiro sequer para pagar a folha de pessoal, cabe aos governadores vencer os grandes desafios dos com diálogo, discernimento, porque nenhum deles pode abrir mão do generoso guarda-chuva da União.

Emendas positivas – No último dia de trabalho antes do recesso parlamentar, o deputado Alberto Feitosa (SD) fechou o cerco ao Governo do Estado. Em dois documentos, um ao governador e outro ao secretário da Casa Civil, Nilton Mota, cobrou o cronograma da liberação das emendas parlamentares de 2017, 2018 e 2019. O Governo prometeu para abril e até agora nada.

Conselheiro – O governador Paulo Câmara teria ficado de encaminhar, ontem, ao presidente da Assembleia Legislativa, Eriberto Medeiros (PP), o nome do sucessor do ex-conselheiro João Campos no Tribunal de Contas. A escolha é livre do Executivo, mas tem que passar pelo crivo dos parlamentares em votação aberta. É bom ressaltar que o Governo tem ampla maioria.

Privatização – Assim que a reforma da Previdência for aprovada pelo plenário, possivelmente em agosto, o Governo vai priorizar a divulgação de um amplo programa de privatizações e venda de patrimônio da União. O plano já está pronto, foi fechado pela equipe do secretário de Desestatização, e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar.

Imóveis – Além de empresas já anunciadas, como os Correios e o sistema Eletrobrás, o programa inclui a venda maciça de quase 800 imóveis e terrenos da União. O Governo está fazendo um recadastramento desse patrimônio, porque o TCU identificou problemas de cadastro.

Queda – Nos bastidores de Brasília, a explicação para a queda Joaquim Levy do BNDES não foi a contratação de um suposto petista. Bolsonaro, que odeia João Dória, soube que Levy pretendia lançar em São Paulo, ao lado do governador paulista, o programa de socorro a entidades filantrópicas.

ANTECIPAÇÃO – Embora as previsões sejam de muita confusão com a campanha antecipada para 2022, com disputa entre Bolsonaro e o governador do principal Estado, há quem comemore. “Dória vai obrigar o presidente a fazer política”, explica importante aliado do presidente.

Perguntar não ofende: O que Bolsonaro tem a comemorar nesses seis meses de gestão?

Publicado em: 01/07/2019