Coluna desta terça na Folha

Até defuntos na reforma de Lula

Nos seus dois mandatos, o ex-presidente Lula não deixou apenas os banqueiros cada vez mais ricos. Outros setores adoraram as diversas farras em sua era. Um dos segmentos mais beneficiados foram os que receberam terras ou recursos públicos do programa de reforma agrária.

Auditoria concluída recentemente pelo Tribunal de Contas da União aponta um oceano de irregularidades na reforma agrária que Lula pregava destinada aos trabalhadores do MST. Foram descobertos 61.965 empresários na lista do programa, 144 mil servidores públicos, 1.017 políticos eleitos, 847 vereadores, 96 deputados estaduais, 69 vice-prefeitos, quatro prefeitos e um senador, todos proibidos por lei de receber qualquer benefício.

Outro dado chocante: 38 mil mortos na mesma relação. Lula praticou a máxima de que reforma agrária tem quer ser ampla, geral e irrestrita. Nunca se viu tamanha maracutaia no campo.

Mais cotados – Passado o momento de impacto da morte do conselheiro João Campos, o governador Paulo Câmara (PSB) se debruça agora no nome que remeterá à Assembleia Legislativa para sucedê-lo. Se escolher um nome do seu coração, o mais cotado é o do secretário de Administração, José Neto. Mas o secretário da Casa Civil, Nilton Mota, também está numa boa cotação.

Petrolina – Ao contrário do que noticiamos, não foi apenas Arcoverde que teve destaque nos telejornais nacionais. Petrolina apareceu bem não apenas na Globo News como também em dois programas do Fantástico, valorizando a produção e equipe da TV-Grande Rio, afiliada da Rede Globo no município. Os festejos de Petrolina bombam. Atraem 80 mil pessoas por noite.

Controvérsia – O hospital de Gravatá divulgou nota na qual o conselheiro João Campos deu entrada na emergência às 23h38 do sábado e morreu à 00h28. Um amigo da família, entretanto, informa que ele morreu no sábado pela manhã, depois de tomar café e se recolher ao quarto. Quando foi levado para o hospital, ainda pela manhã, já havia morrido de um infarto fulminante.

Capitalização – São próximas de zero as chances de o sistema de capitalização ser reincorporado ao texto da Previdência. Também são remotas as possibilidades de recuos nas mudanças para amenizar a transição para servidores privados próximos da aposentadoria.

Degola – Foi traumática no Centrão a decisão de Bolsonaro de tirar Onyx Lorenzoni da articulação política. Horas antes da degola, o ministro era descrito por um importante líder como alguém que, depois de tantos erros, estava acertando, inclusive na relação com Rodrigo Maia.

DECEPÇÃO – As últimas demissões de militares no Governo Bolsonaro criaram um terrível mal-estar nas Forças Armadas. Afinal, os generais demitidos, especialmente Santos Cruz, tinham a admiração e o respeito dos seus pares. O sentimento é de decepção e desalento com o presidente.

Perguntar não ofende: a escolha do substituto do conselheiro João Campos será técnica ou meramente política?

Publicado em: 24/06/2019