O avan├žo do conflito no contempor├óneo

Por Antônio Campos*

Assistimos no mundo contemporâneo um avanço alarmante dos conflitos, especialmente oriundos das tensões das imigrações e da interculturalidade.

Existem duas vezes a população do Canadá em quantitativo de hispânicos nos Estados Unidos. Los Angeles é a segunda cidade em número de mexicanos. Buenos Aires é a segunda em números de bolivianos. O que significa ser europeu, num continente marcado não apenas pelas culturas de suas antigas colônias, mas também por outras culturas e povos oriundos de migrações ou diásporas pós-coloniais? Calcula-se que a Europa tenha em seu território quase 50 milhões de muçulmanos.

O século XXI passou da diversidade como riqueza para a interculturalidade como problema. As relações ou os diálogos entre as culturas estão sendo alterados pelos massivos deslocamentos populacionais, como também pela crescente interdependência entre as economias e as sociedades pelo efeito da globalização de um mundo minimizador de fronteiras. Tudo se torna crescentemente mais complexo.

As identidades nacionais, que têm nas culturas tradicionais as suas principais fontes, estão com uma tendência de fragmentação, como resultado do paradoxo de homogeneização internacional e heterogeneização local, marcando a hipermodernidade global. Novas identidades híbridas e indefinidas começam a ganhar força.

Dialeticamente, algumas referências estão sendo reforçadas pela resistência à globalização, num processo de tensão entre o local e o global, entre culturas díspares.

O sociólogo e escritor Gilberto Freyre já antevia isso, no seu livro Insurgências e Ressurgências Atuais: cruzamentos de sins e nãos num mundo em transição (publicado em 1983), inclusive a ascensão do islamismo. Dez anos depois da publicação da obra de Freyre, no seu livro Choque de Civilizações, o professor e ensaísta americano Samuel P. Huntington previu que, depois da Guerra Fria, as disputas se dariam no terreno da cultura e da religião.

A chamada crise de refugiados é um drama humano, de proporções mundiais. Não se resolve esse problema construindo muros, mas com políticas efetivas na vida das pessoas que estão nessa grave situação desesperadora, de complexa solução.

Mas no meio da escuridão, luzes nascem no horizonte. Por exemplo, recentemente, Chicago elegeu a advogada Lori Lightfoot, que foge ao padrão tradicional. Um novo paradigma, dentro desse contexto intercultural.

A deputada de Nova Iorque Alexandria Ocasio-Cortez, de origem católica porto-riquenha, faz um discurso com visibilidade em defesa das minorias e dos imigrantes. Ela tem se destacado na defesa do inovador Green New Deal, que criou junto com o senador Ed Markey, ambos do Partido Democrata.

O Green New Deal propõe ações multissetoriais para o combate à mudança do clima nos EUA, incluindo uma meta de que, em dez anos, o país deve converter “100%” de sua demanda energética em “fontes de energia limpa, renovável e com emissões zero” de dióxido de carbono.

A ideia do Green New Deal é incentivar um novo modelo econômico que tire os Estados Unidos do ranking de países poluentes, seguindo os moldes do New Deal, conjunto de reformas na economia promovidas no governo de Franklin Roosevelt, que transformou o paradigma de desenvolvimento americano, após a crise financeira de 1929.

”Resolver uma crise sem precedentes exigirá uma ambição sem precedentes. A mudança climática é uma ameaça às nossas vidas”, sentencia Alexandria Ocasio-Cortez.

No meio do confronto, é imprescindível reforçar e ampliar as pontes de diálogos.

*Escritor, advogado e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 21/05/2019