The Gaulle: Brazil é monarquia séria

MONTANHAS DA JAQUEIRA – A Madre Superiora falou que a Monarquia foi extinta no Brazil desde a proclamação da República pelas escolas de samba na Marques de Sapucaí no carnaval em 15 de novembro de 1889. A donzela superiora é uma inocente, não sabe de nada.

Majestades, Príncipes e Princesas navegam em suas carruagens de ouro na estratosfera do Brazil. As Alvoradas, os Planaltos, os palácios e as cavernas do poder são habitadas pela nobreza de sangue azul da cor do oxigênio.  

O cientista político The Gaulle, auriverde da gema, explicou que o Brazil é uma monarquia presidencialista muito séria. Existem as majestades e os súditos, os vivaldinos e os Zé Manés. Os Zé Manés cumprem o doloroso dever de trabalhar dia e noite para pagar impostos e sustentar as majestades.

Parem com essa bobagem de dizer que o Estado brasileiro não tem recursos para investimentos. A União, os Estados e Municípios são sócios majoritários de todas as empresas do País, desde a bodega da esquina aos super empreendimentos, via arrecadação de impostos. A malversação de recursos são outros 500. Os marajás da República e os banqueiros sócios da dívida pública não têm do que reclamar.     

A madre superiora também contou que o bando do cangaceiro Lampião foi exterminado em 1938 na Grota de Angicos em Sergipe?! Quanta ingenuidade! Lampião vive! Lampião is alive! Bandos de cangaceiros continuam a atuar livremente nos poderes da República Monarquista verde-amarela azul e branca.

Existem múmias no Maranhão assim como existem pirâmides no Egito e existem poetas em São José do Egito, e salve os poetas do Pajeú das flores! Ribamar Sarney, a múmia dos bigodes de vassoura, canta a nova cantiga: “Minha terra tem palmeiras e coco babaçu onde cantam os marimbondos de fogo”. A dinastia dos marimbondos de fogo deitou raízes nos latifúndios e mama nas glândulas mamárias da República.

Para não dizer que não falei das flores da reforma da Previdência, apenas um lembrete: os privilégios dos marajás da República são considerados “cláusulas pétreas”, direitos adquiridos. As migalhas das classes médias e dos mais pobres são tratadas como areias movediças, castelos de areia. Nesse compasso haverá uma reforma de meia sola e a fábrica de desigualdades sociais da Previdência continuará imbatível.

Eu sou pequenininho, do tamanho de um passarinho, mas protesto com veemência: seja mantido o BPC – Benefício de Prestação Continuada de um salário mínimo para os mais pobres acima de 60 anos. Reduzir o BPC para 400 reais até o desvalido completar 70 anos, se vingar, será crueldade, economia de palitos e matança antecipada dos mais pobres cuja maioria não sobrevive até essa idade.

Publicado em: 25/02/2019