Laranjas constrangem PSL e governo; Bolsonaro não atende ministro

Folha mostrou que partido do presidente criou candidata para usar verba de R$ 400 mil

Folha de S.Paulo

A revelação de que uma inexpressiva candidata do PSL em Pernambuco recebeu a terceira maior fatia da verba pública de campanha do PSL  causou constrangimento no partido e no governo, que abrigaram neste domingo (10) discussões internas sobre o caso.

 

Reportagem da Folha publicada neste domingo mostra que Maria de Lourdes Paixão obteve apenas 274 votos apesar de ter recebido R$ 400 mil do fundo partidário do PSL quatro dias antes da eleição. Ela se tornou candidata por decisão do grupo político de Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, partido de Jair Bolsonaro.

Nem a candidata nem a gráfica para a qual ela diz ter direcionado a maior parte do dinheiro souberam explicar detalhes da suposta campanha.

Bivar deu neste domingo explicações sobre o episódio no grupo de WhatsApp que reúne os parlamentares da legenda. Foi defendido por dirigentes estaduais, mas, segundo relatos, a maioria dos congressistas (55 deputados federais e 4 senadores) se manteve calada.

Bastante ativos nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus filhos não se manifestaram diretamente até o início da noite. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), porém, que é deputado federal, compartilhou mensagem de um internauta afirmando ser preciso separar o PSL do presidente, que nada teria a ver com o fato. "É mais uma facada que ele leva."

Folha apurou que Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) tentou falar neste domingo por telefone com Jair Bolsonaro, para explicar o caso, mas o presidente, que se recupera da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, não quis atender o ministro.

Bebbiano foi o responsável formal em liberar a verba para a candidata de Pernambuco, já que era presidente interino do PSL nacional durante a campanha. O cargo voltou depois para Bivar, que é o fundador da sigla que abrigou Bolsonaro e seu grupo político no primeiro semestre de 2018.

Folha encaminhou perguntas a Bebianno, que não quis se manifestar.

Publicado em: 10/02/2019