Isolamento da Venezuela não interessa ao Brasil

Amadorismo do Itamaraty chama atenção

Coluna do Kennedy

O isolamento internacional da Venezuela não interessa ao Brasil. É um grande vizinho, com extensa fronteira seca, mercado relevante para companhias brasileiras e detentor das maiores reservas de petróleo do planeta.

O Brasil deve pressionar o presidente Nicolás Maduro, cuja posse hoje para um segundo mandato é contestada por boa parte da comunidade internacional. É correto endurecer com Maduro, mas o mesmo movimento deve ser feito em relação a uma oposição com tradição golpista.

A presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffman (PR), associa o partido ao indefensável quando comparece à posse de um governante que trilhou caminho ditatorial. É contraditório criticar o autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro, ausentar-se de sua posse e aplicar remédio diferente no caso venezuelano. Bolsonaro e Maduro têm muito mais em comum do que o PT e o chavismo.

Em conversas no primeiro mandato, Lula já tinha críticas ao estilo chavista. O PT governou durante 13 anos respeitando a democracia. Parte do partido criticou Gleisi, mas a presença da presidente da legenda na posse de Maduro traz mais danos do que lucros à esquerda brasileira.

Publicado em: 11/01/2019