Espinhos no coração auriverde

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Os brasileiros estão armados com espinhos. São espinhos na garganta, na língua, na flor da pele, nas artérias, nas veias, nas tripas e no coração. Estão ouriçados feito porcos-espinhos. O Brazil hoje é um criatório de espinhos e porcos-espinhos.

Ora, direis, os espinhos e os porcos-espinhos fazem parte da fauna e da flora, do reino animal e do reino vegetal.

O mandacaru é o símbolo da resistência sertaneja, não dá sombra nem encosto. “Mandacaru quando fulora na seca” é o encanto da natureza! Viva o mandacaru e viva Luís Gonzaga!

Os espinhos no coração do Brazil não são os espinhos da natureza dos mandacarus. São espinhos maldizentes. Espinhos são feito colesterol, existem os benfazejos e os outros de índole pecaminosa.    

Os brasileiros carregam suas coroas de espinhos e suas cruzes.

A Pátria dos espinhos e dos porcos-espinhos destila venenos da corrupção, da violência, da delinquência.  

Qual a serventia do Estatuto da Desarmamentação? Amamentar os contrabandistas de paus de fogo, bandoleiros e a criminalidade em geral. São mais de 60 mil mortes matadas por ano, a ferro e fogo. É dito e feito o jogo de bicho, estimula a clandestinidade.

O Estatuto da Desarmamentação é uma fantasia, sem ser sexual e sem ser de carnaval. Esta é uma realidade.

O Sivam – Sistema de Vigilância da Amazônia, concebido e implantado ao longo dos governos Ribamar Sarney-Itamar Franco-Fernando Henrique Cardoso a um custo de 1,5 bilhão de dólares, virou fantasia na floresta. As fronteiras do Brazil continuam ingovernáveis. São dominadas pelos impérios das traficâncias. O governo da República exercita o ofício de enxugar gelo.

A indústria bélica nacional exporta em quantidades industriais para o Paraguai e os bandoleiros importam de volta para o mercado interno. As feiras de mangaios, os agentes da lei e da ordem abastecem o mercado de paus de fogo.   

Meu pensamento não tem a ver com a proposta do Capitão Marvel de liberar a venda de armas para gregos e troianos, baianos, pernambucanos, paulistanos e marcianos. Tem a ver com a pandemia, mais que epidemia, de violência, as traficâncias de armas e de drogas. O liberou geral é demagogia eleitoral.

As pedras de crack matam mais que as cápsulas dos paus de fogo. Estão devastando famílias, destruindo vidas humanas, disseminando a violência.

No Brazil da era punk-pornô, resta apenas a memória do Estatuto da Gafieira: “Moço, olha o vexame. O ambiente exige respeito. O distinto que fizer o seguinte: subir nas paredes, dançar de pé pro ar, morar na bebida sem querer pagar, abusar da umbigada de maneira folgazã, prejudicando hoje o bom crioulo de amanhã, será distintamente censurado. Se balançar o corpo vai pra mão do delegado”. 

Aba, Pai misericordioso, afasta o cálice dos espinhos dos nossos corações auriverdes!

Publicado em: 17/09/2018