Embaixador recebia sem trabalhar; vai ter de devolver

TCU manda embaixador do Brasil em Praga devolver salários que recebeu da UnB

Auditoria do tribunal apontou que embaixador Márcio Florêncio Nunes Cambraia recebe salário da universidade desde 1985, sem trabalhar.

Laís Lis, G1, Brasília

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta-feira (6) que o embaixador do Brasil em Praga, Márcio Florêncio Nunes Cambraia, devolva todos os salários que recebeu da Universidade de Brasília desde 1985. Segundo o TCU, a Fundação Universidade de Brasília (FUB) deve cobrar a restituição. Uma auditoria do TCU apontou que o embaixador recebe salários da UnB, sem trabalhar para isso.

“É impossível que um funcionário público não percebesse, ao olhar a sua conta, que estava recebendo verbas indevidas”, afirmou o relator do processo Walton Alencar.

O voto do ministro não informou quantos salários, nem o valor que o embaixador deve devolver. No processo, o ministro determinou ainda que a Fundação Universidade de Brasília tome medidas para responsabilizar os agentes públicos que autorizaram os pagamentos ao embaixador.

A UNB diz que o professor só recebeu salários após junho de 2015 e que o rendimento bruto mensal é de R$ 2.789,06. Ainda de acordo com a UNB, está em andamento processo interno para suspender os pagamentos e cobrar ressarcimento do embaixador.

De acordo com o Portal da Transparência, site do governo federal de divulgação de gastos de recursos públicos, em outubro deste ano, Márcio Florêncio Nunes Cambraia, recebeu como ministro de primeira classe remuneração de US$ 15.447,42, e R$ 2.629,07, como professor da UNB (valores já com deduções obrigatórias e abate teto).

Publicado em: 07/12/2017