Os vulcões do coração do Brasil

Profeta Adalbertovsky

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Li recentemente nas folhas uma prospecção do geólogo Everardo Maciel de que o futuro governo terá a difícil missão de implementar as reformas necessárias para tirar o Brasil do atoleiro. Concordo em altíssimo grau, na enésima potência. Com a equação de Everardo, coração de leão, um dos profetas favoritos do meu planetário.

E vou além: o X do problema para os futuros e futuríssimos governos será desvendar as raízes quadradas, as raízes triangulares e as raízes mal-assombradas do Brasil. Talvez, quem sabe, em 2058, 2072, haja um presidente raçudo, da raça dos estadistas, para fazer reformas de rochedo neste País, mais que reformas de meias tigelas.

As incógnitas estão nos vulcões, nas areias movediças, nos pântanos e nas cavernas do coração do Brasil. Os vulcões verdes-amarelos estão em erupção e são mais ativos que o Vesúvio.

No dicionário da filosofia, ou das religiões, existe a definição das “grandes almas”. O Mahatma Gandhi foi uma grande alma para os indianos porque conseguiu libertar a grande Nação do Império britânico em 1947, na paz e amor, sem violência. Mas, ainda hoje 500 milhões de indianos vivem na indigência, na base de orações e sonham com o nirvana celestial. Na Índia cabem dois Brasis de indigentes.

O general Charles De Gaulle foi o herói da França depois da Segunda Guerra e mentor da 5ª. República da década de 1960. O primeiro-ministro Winston Churchill foi o maior estadista da Inglaterra no pós-guerra e reconstrução da Europa nos anos 1950. Konrad Adenauer foi o reconstrutor da Alemanha destroçada pelos nazistas.

O presidente Franklin Delano Roosevelt liderou o New Deal (Novo Tratado) para implementar programas e realizar investimentos no objetivo de recuperação econômica dos Estados Unidos depois da “Grande Depressão” de 1929.  

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek se aproximaram ou alcançaram a dimensão de estadistas. Nesta última década um charlatão farsante e sua mundiça vermelha degradaram nosso País, produziram a maior recessão da República e deixaram um legado de mais de 10 milhões de desempregados. Virou um zumbi, está nu e hoje faz a pregação do cinismo. 

Um passarinho muito sábio me contou que o ovo das serpentes do autoritarismo está chocando, na moita. São serpentes de todas as naturezas, neo-nazistóides, neo-stalinistas, neopopulistas. O ovo deletério pode eclodir nas estações eleitorais.  

Triste de um país em que Macunaíma, o herói de caráter zero, é eleito o paladino da República. Melancólico ainda mais é saber que existem legiões de devotos de Macunaíma.  

As serpentes vermelhas já destilaram o seu veneno. 

O marxista Trotsky preconizava a revolução permanente. Zaratustra, filho espiritual de Nietsche, o filósofo delirante, falava no eterno retorno. As reformazinhas no Brasil são conchamblanças eternas, conchavos permanentes, o eterno retorno das comilanças. 

A radicalização é um vulcão no coração verde-amarelo. Para desativar esses vulcões, o Brasil precisa de um líder raçudo, da raça dos estadistas.

Publicado em: 20/11/2017