Os baobás não mentem jamais

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Olhai os lírios dos campos! Olhai os baobás do Palácio do Campo das Princesas. Majestosos e imponentes, os baobás guardam na memória a invasão das tropas federais no Palácio do Governo dia 1º de abril de 1964 para depor o governador Miguel Arraes, eleito constitucionalissimamente.
Rock n’roll. As pedras e as águas rolaram. Preso e deposto, Arraes dançou a dança da solidão na Argélia. Pedras que rolam não criam limbo, diz a lenda, assim ele virou e em 1987 cantou a pedra da vitória na volta triunfal do exílio. “Ele está voltando pela porta que saiu”, dizia a cantiga dos baobás.
Subitamente, não mais que subitamente, a Polícia Federal deflagra a Operação Torrentes na Casa Militar do Governo do Estado e cruza os degraus do Palácio do Campos das Princesas.
Conversei pessoalmente com um baobá centenário da Praça da República de quem sou amigo do peito desde o tempo dos dinossauros.
O baobá me contou que a Operação Torrentes da Polícia Federal foi deflagrada para investigar irregularidades em projetos executados por ex-comandantes e em busca de manchas de corrupção.  
Seja dito com todas as letras que o governador Paulo Câmara não está sendo objeto de investigação na operação da PF. Mas, convém ficar atento a manipulações de traíras oposicionistas movidos por interesses eleitoreiros. Os traíras estão decalcando as imagens da operação da PF para serem usadas nos programas eleitorais. 
O caso eu conto como foi o caso que deu origem à Operação Torrentes da PF. Em 2010, inundações do Rio Una provocaram devastações em Palmares e cidades da Mata Sul, destruição de moradias, pontes e plantações.  As populações ficaram ainda mais pobres. Os prejuízos foram e continuam irreparáveis.
Houve um clamor na opinião pública para o Governo Federal destinar recursos destinados à reconstrução das cidades e construção de cinco barragens.
Desde o Governo Dilma choveram fortunas para o Governo do Estado executar projetos estruturadores e obras emergenciais. Até agora somente a Barragem de Serro Azul foi construída. Faltam outras quatro barragens. Nos casos de calamidades públicas são disponibilizados recursos para serem utilizados sem licitações.
Nesse capítulo, sobretudo, aconteceram os superfaturamentos, desvios, malversações. Difícil, quase impossível calcular números fantasmas, mas as estimativas giram em torno de assombrações em cima dos 450 milhões de denários azuis e brancos e verdes-amarelos.   
Tendo havido ou não pirotecnia, hay que desvendar os véus das assombrações em torno das fortunas evaporadas e que eram destinadas a aliviar a penúria dos desvalidos da Zona da Mata.   
A Defensora Pública, Tereza Joacy, com a sensibilidade de lidar com o público carente e o saber de experiência feito, recomenda: “Com todo respeito que merece o governador Paulo Câmara, seria oportuno que ele fosse até as cidades que foram vitimadas, conversar com as pessoas, notadamente as mais sofridas, que precisam ouvir da parte do governo explicações sobre o que está acontecendo”. Estas são palavras de bom senso e equilíbrio.   

Profeta Adalbertovsky
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Publicado em: 13/11/2017