“Nós não nos aquietamos”, diz Temer para aliados

Do G1

Durante café na manhã, hoje, com ministros e parlamentares da sua base no Congresso Nacional, o presidente Michel Temer pediu para que os aliados façam um “discurso de rebate” às críticas endereçadas ao governo. Temer afirmou que sua gestão não se aquieta, pois “enquanto as pessoas vão protestando, a caravana vai passando”.

Segundo a assessoria da Presidência, Temer reuniu 18 ministros e 17 deputados no Palácio da Alvorada. Ao discursar para os presentes no encontro, o presidente falou que o governo está em “harmonia”, celebrou dados positivos da economia, como inflação, PIB e taxa de juros, e pediu para que os parlamentares repassem os números aos colegas no Congresso.

"Vocês incentivem os nossos deputados, os nossos senadores, onde quer que estejam, e onde estejam também, para fazer um discurso de rebate. Porque muitas e muitas vezes eu vejo que a pessoa vai para um lugar, ouve uma coisa negativa e se aquieta. Fica em silêncio. Não pode se aquietar”, disse o presidente.

“Aliás, se me permitem, vejam o nosso exemplo, nós não nos aquietamos. Porque nós pensamos, enquanto as pessoas vão protestando, a caravana vai passando, porque o nosso objetivo é governar, só isso, pensar no Brasil, e é esse o legado que nós queremos deixar”, completou Temer.

O café ocorreu em um momento no qual o presidente busca fortalecer a base de apoio diante de dois principais desafios que o governo tem pela frente: o enfrentamento de uma eventual segunda denúncia contra Temer, que deve ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República; e a aprovação de reformas propostas pelo Executivo, entre elas a da Previdência.

No discurso divulgado pelo Planalto, o presidente não citou o nome do procurador-geral Rodrigo Janot nem comentou o relatório da Polícia Federal que apontou indícios de sua participação em formação de organização criminosa envolvendo o PMDB da Câmara.

Temer também não mencionou o recente inquérito para investigá-lo sobre eventuais crimes na edição de um decreto sobre o setor portuário. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso na terça (12).

Nos últimos dias, por meio de notas do Planalto ou de manifestações de sua defesa no STF, Temer tem respondido as ações da PGR e da PF e criticado as delações dos executivos da J&F e do doleiro Lúcio Funaro, apontado como um dos operadores do PMDB em esquemas de corrupção.

No café, Temer defendeu as ações de sua gestão diante dos deputados e destacou que, na eleição de 2016, quem adotou o discurso de “um governo reformista” teve bom desempenho. O presidente apontou que é preciso produzir, até abril ou maio, “um governo tão produtivo” para fortalecer candidatos a deputado e senador da sua base de apoio na próxima eleição.

Temer ainda insistiu na necessidade de aprovar a reforma da Previdência e declarou que a população compreende as medidas adotadas pelo governo. “A corrente popular não é em nosso desfavor. Penso eu, que é em nosso favor ou se não é em nosso favor, ela compreende o que está acontecendo”.

No café, o presidente propôs um exercício de “pare e compare”, ao apresentar a evolução de dados da economia ao longo de seu governo. “A inflação, por exemplo, que estava quando nós assumimos em maio de 2016 em quase 10%, hoje está em 2,45%”, frisou.

Temer citou a queda da inflação e, em tom de brincadeira, disse que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, às vezes reclama do fato de os preços não subirem, porque isso se reflete na arrecadação.

“O Meirelles até reclama, porque quando não aumenta o preço, a arrecadação também não aumenta, a arrecadação cai, a grande verdade é essa. Isso é importante para o sujeito que vai ao supermercado”, disse.

Conforme apurou o G1, a estratégia traçada no Palácio do Planalto pretende usar dados da recuperação da economia para contornar a turbulência política provocada pelo avanço de investigações que tratam sobre Temer e aliados próximos.

Na saída do encontro, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, um dos presentes, disse que Temer reuniu os aliados para apresentar dados sobre a economia. "Ele mostrou dados de como pegamos o país e como está nesse momento. O presidente disse que quer que o país continue trabalhando para que esses números continuem positivos", afirmou o ministro.

Quintella ainda disse que Temer não se aprofundou na conversa com aliados sobre uma eventual nova denúncia. De acordo com o ministro, o presidente afirmou que esse tema "cabe ao Judiciário".

Entre os ministros que foram ao café da manhã, além do dos Transportes, estavam Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), Henrique Meirelles (Fazenda), Dyogo Oliveira (Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil), Fernando Coelho (Minas e Energia) e Blairo Maggi (Agricultura).

Também estiveram presentes os deputados Baleia Rossi (PMDB-SP), líder do partido na Câmara; Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do governo; Efraim Filho (DEM-PB), líder do Democratas; Alfredo Kaefer (PSL-PR), líder do bloco PTB, Pros, PSL, PRP; Áureo Moreira (SD-RJ), líder do Solidariedade, além de outros parlamentares.

Publicado em: 13/09/2017