DelĂ­rio dos mamulengos vermelhos

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Um cara multi réu na Justiça, desarvorado, desaforado, sai perambulando em campanha eleitoral no meio do mundo prometendo rios de leite e montanhas de cuscuz, à moda de Antonio Conselheiro. Tomara, meu Zeus, tomara que apareça um juiz de rochedo para botar moral e dizer, alto e bom som: aqui na minha cidadezinha você não vai fazer campanha, nem comícios, fora do calendário eleitoral, nem insultar a Justiça.  Pode desmontar seu palanque, cabra insolente, e engolir suas mortadelas!

Os mamulengos vermelhos, movidos por mortadelas não sadias, estão delirando. As mortadelas da JBS são feitas com papelão, capim gordura e tripas de sapo. Quem vai querer, quem vai querer!? Outrora, suspiram os saudosistas, o Brazil era uma maravilha sob um céu de anil. Havia, ou ainda existem, os carnavais fora de época, ziriguidum! Agora os novos bárbaros do cordão encarnado querem fazer comícios e campanhas eleitorais fora de época.

As passeatas, caminhadas e carreatas de antigamente são irmãs dos comícios. Alguns candidatos até contratavam mãos-de-obra para carrega-los nos braços. Mas, essa onda ficou manjada. Os candidatos levavam até dedadas. A dedada é um “atentado ao pudor” genuinamente verde-amarelo. Com medo das “dedadas” contratavam artistas para atrair a rafaméia.

Um ídolo feito o Safadão ou o Pablo faria hoje o maior sucesso nos comícios. O problema não era a dedada, seria a briga nos bastidores para dividir as comissões. Uma comissão de 20 por cento no show de Safadão nas prefeituras tem muita briga de foice. As prefeituras são muito pobrezinhas e fazem romarias até Brasília para pedir recursos, mas não falta dinheiro para as safadezas da moda. 

A moda agora é jogar ovos, as ovadas. Os marmanjos do sexo masculino, do sexo feminino e de outros sexos, as mulheres do sexo masculino e de grelo flex são ovíparas, adoram jogar ovos nos “reacionários” e “golpistas”. Queimar pneus também faz parte da onda politicamente correta. Os borracheiros faturam nessa onda dos carbonários.  

Os revolucionários à moda antiga amavam os coquetéis Molotov incendiários, feitos de gasolina, ácido sulfúrico, éter e álcool. Hoje a caterva vermelha comunista ama muito mais as glândulas mamárias dos cofres públicos. Quanto custa fazer uma revolução com ovos, mortadelas e pneus queimados? Movido pelas melhores intenções, realizei pesquisa revolucionária no supermercado imperialista Bompreço/Walmart e encontrei vasto arsenal subversivo. Uma bandeja com 18 ovos, preço de promoção: $ 9,86 – mortadela de frango do açougueiro da JBS, 400 gramas, $ 2,98. São preços revolucionários, segundo o gerente, um cara infravermelho. Comprei uma bandeja com meu cartão de crédito imperialista do Visa. Cheio de sustança, estou preparado para a luta.

Brás Cubas, filho espiritual do bem-aventurado Machado de Assis, descreveu a cena de uma batalha em torno de um paiol de batatas. Os adversários se digladiam. Quem vencer leva as batatas. Ao vencedor, as batatas.  Na batalha deflagrada pela mundiça vermelha, quem ganhar leva o coração do Brazil em chamas. O coração do Brazil precisa de um desfibrilador,  revascularização, marca-passo, recauchutagem.

Profeta Adalbertovsky
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Publicado em: 21/08/2017