Onde o Estado não é laico

Coluna Pinga-Fogo do JC, por Giovanni Sandes

Nas ruas, um elo do Pacto Pela Vida é a atenção ao usuário de drogas. O viciado em crack, por exemplo, morre por dívidas com o traficante, não confronto aleatório. Mas há uma tendência no País de tratar a área de drogas como cota de políticos religiosos, que usam comunidades terapêuticas, não laicas, como um curral eleitoral. Tecnicamente, a abordagem é oposta à redução de danos que a ONU defende e tem sido usada no governo Paulo Câmara (PSB), em Pernambuco, pelo reconhecido Programa Atitude – utilizada, diga­se, ao menos até aqui.

Em meio à minirreforma de Paulo, há uma pressão do PP pela pasta de Isaltino Nascimento (PSB), de Desenvolvimento Social. Por isso técnicos temem pelo Atitude, que não usa comunidades terapêuticas e sim a redução gradual da dependência química ­ inclusive com modalidade sem internamento. Uma guinada pelo uso de comunidades terapêuticas ameaçaria de vez o Atitude.

No Recife, o PP da vereadora Michele Collins e do deputado estadual Cleiton Collins já emplacou no time do prefeito Geraldo Julio (PSB) o hoje secretário executivo de Políticas sobre Drogas, André Sena. O PP queria levar Sena para a gestão Paulo, no ano passado, mas não emplacou. Mas segue fazendo pressão.

Um vínculo político e religioso

André Sena é bacharel em teologia e tem MBA em gestão de pessoas. Mas em dezembro de 2015 Sena (à esquerda, na foto) foi, na condição de pastor da Igreja Presbiteriana de Boa Viagem, a um culto promovido por Michele Collins (ao lado de Sena, na foto) na Câmara de Vereadores do Recife.

Publicado em: 11/01/2017