O tempo dos novos bárbaros

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O calendário é uma ilusão de ótica. 2016 foi um ano que ainda não acabou. Noutros tempos era moda dizer: “1968, o ano que não acabou”, por contas do ditatorial Ato Institucional número 5, o AI-5. O famigerado 1968 acabou mais ou menos em 1979, na onda da anistia. O ano de 2016 ainda não acabou, eu juro por Zeus. A recessão não acabou. A radicalização ideológica não acabou. Os patrulhamentos e a intolerância não acabaram. Aliás, minto. O Brazil não parou, regrediu no tempo e no espaço. Se fosse regredir na máquina do tempo seria uma maravilha. Ou parou na contramão atrapalhando o trânsito, como diria o ex cantante Chiquinho, o tiozinho das meninas e meninos do coração vermelho.

Meu coração também está parado no ar. “Meu coração tem catedrais imensas”, assim rezava o bem-aventurado poeta Augusto dos Anjos e dos pecadores. Meu coração tem apenas uma capelinha singela onde eu sonho com minhas musas na Freguesia dos Aflitos e nas montanhas da Jaqueira. Os pobres possuem celulares inteligentes, smartphones, Iphones, Bluetooth, Leds, Tvs de 200 polegadas, touch screeen, yeah, mas são pobres em esgotamento sanitário. Os novos bárbaros matam uns aos outros como se fossem insetos.  

Regrediu em termos de retrocesso econômico, decadência ética. Estamos regredindo rumo à barbárie no capítulo da violência, a exemplo das carnificinas no sistema penitenciário dominado por ultra bandidos. Numa sociedade com surtos de barbárie, não venham falar em avanços e conquistas sociais. Surtos à moda do “Estado Islâmico” não são modelos de sociedades progressistas.Este é o novo Brazil do punk, do funk, do pancadão, do caveirão, o país dos novos bárbaros. O nome disso é retrocesso social. 

Zeus me livre de ser compassivo com a escravatura humana, mas deve ser dito que a barbárie vai além do regime de escravidão. Lembremos também que a sociedade brasileira, já chamada de ordeira e pacífica, vivenciou a carnificina de cortar as cabeças de desvalidos beatos na “guerra de Canudos” e também decepou a cabeça de cangaceiros nos tempos de Lampião.Quem era mais sanguinolentos, os cangaceiros ou os “macacos” das volantes?  

Os vermelhos não são pioneiros nem inauguraram a corrupção no Brazil, verdade. Mas deram grande impulso à degradação social, ética e moral em todos os horizontes nacionais. Fizeram um up grade das patifarias no geral, modéstia à parte. A pena de morte no Brazil é praticada todo santo dia, dias santos e feriados na iniciativa privada, mas a hipocrisia social impede que seja adotada para punir criminosos cruéis, hediondos e excrescências humanas. A punição mais branda nos regimes totalitários de esquerda, tipo Coréia do Norte, Cuba e Venezuela, é a tortura. No Brazil o patrulhamento ideológico estabeleceu o clima de ódio e intolerância. É proibido questionar a farsa do “politicamente correto”.

Se você disser que este mundão auriverde foi governado durante 13 anos por um demagogo despreparado e por uma presidente mais incompetente da história da República, será chamado de golpista. A herança nefasta deixada por eles está em todos os cantos onde canta o carcará e onde cantava o sabiá. Os surtos de barbárie não foram instalados de um poente para uma alvorada.

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com

Publicado em: 09/01/2017