Coluna da sexta-feira

    O estilo Raquel Lyra 

Apesar de ter sido peça fundamental no segundo turno da eleição em Caruaru, o prefeito José Queiroz (PDT) entrega o bastão para a prefeita eleita Raquel Lyra (PSDB), a quem apoiou, no próximo domingo, sem ser ouvido para indicar sequer um oficial de gabinete. Dos pesos-pesados que estiveram no palanque da tucana, num pleito acirrado com o deputado Tony Gel (PMDB), nem o senador Armando Monteiro Neto, potencial candidato a governador em 2018, foi sondado.

“É o estilo de Raquel”, justificam aliados da prefeita eleita. Mas estilo e nariz empinado se confundem. Depois que foi eleita, a tucana fez apenas uma visita protocolar ao prefeito, que mesmo abrindo portas e janelas para o processo de transição, em nenhum momento foi convidado para uma conversa reservada. Nem mesmo para tratar dos detalhes do ato de transmissão de cargo, Queiroz recebeu um único telefonema da sucessora.

Na montagem da sua equipe, o que diz na capital do forró é que Raquel só ouviu o ex-governador João Lyra Neto, não pelo fato de ter sido o mandatário da capitania socialista por nove meses, mas por ser pai. Somente por isso! Com a Câmara de Vereadores, nenhum gesto também. Dois suplentes ligadíssimos ao seu grupo esperavam assumir seus mandatos ou serem chamados para algum cargo na gestão. Nem uma coisa nem outra.

As queixas em relação ao distanciamento de quem deu o sangue na sua campanha não se resumem aos políticos. A direção da Associação Comercial de Caruaru, que a tratou a pão de ló, sendo um dos pilares da sua estrutura logística de campanha, foi igualmente esquecida. Tem muito gente por lá resmungando, achando que fez uma aposta equivocada. Se arrependimento matasse...

Não será surpresa, com o passar dos dias, se o estilo da tucana provocar barulhos, que perturbem os ouvidos de José Queiroz. Aliados do prefeito advertem que a prefeita eleita herdará uma estrutura enxuta, com menos de 54% da receita comprometida com pagamento de pessoal. E recursos da ordem de R$ 136 milhões conveniados com a União, frutos do trabalho do deputado Wolney Queiroz (PDT), em Brasília. É possível, entretanto, que ela venha a falar de herança maldita.

Se isso ocorrer, o que parece previsível, na eleição de 2018 os grupos Queiroz e Lyra, que vivem entre tapas e beijos, tendo se aproximado agora artificialmente por causa da falta de opção de alinhamento político, estarão em palanques diferenciados. Queiroz é extremamente vaidoso e não deve levar desaforo para casa, principalmente depois de fazer um esforço descomunal para agradar uma “aliada” exercitando a chamada arte de engolir sapos.

NARIZ TORCIDO – Não ouvido também na reforma da estrutura da Prefeitura, o prefeito José Queiroz não gostou da extinção da Secretaria de Participação Social, que cuida e gerencia todos os conflitos sociais, uma das marcas da sua gestão, tocada pela presidente do PT em Caruaru, Louise Caroline, que escolheu para vice na chapa do candidato do PSB, Jorge Gomes. A petista, aliás, no segundo turno da eleição, não apoiou a candidatura de Raquel, não seguindo a decisão do prefeito e aliado político.

Secretária mantidaO prefeito eleito de São Lourenço da Mata, Bruno Pereira (PTB), disse que sua assessoria jurídica já avaliou o processo que a ex-secretária de Finanças de Arcoverde, Jucineide Pereira de Melo, responde na justiça, em que já virou ré. “Não há nada de tão grave que impeça sua nomeação”, ressalta, adiantando que ela atualmente ocupa a mesma função na Prefeitura de Sertânia. Quanto aos demais secretários com ligações familiares, afirma que, no momento, apenas o irmão Jairo Júnior está confirmado na pasta de Governo.

Salários em atraso – Quanto às informações do atual prefeito Gino Albanez (PSB), de que passa o Governo sem deixar salários em atraso, o prefeito eleito de São Lourenço da Mata, Bruno Pereira, contesta. Garante que os servidores inativos e efetivos não receberam ainda os vencimentos de dezembro nem tampouco o 13º salário. Situação também muito parecida, segundo ele, em relação aos servidores contratados e comissionados. “Procurei me informar com o gerente da Caixa e as informações repassadas pelo prefeito, infelizmente, não batem”, disse.

Os imexíveis– Um dia após a Câmara de Vereadores aprovar a reforma administrativa, que passa pelo enxugamento de 24 para 15 secretarias, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), começou, ontem, a ouvir aliados e lideranças políticas sobre a montagem da equipe. Mas já podem preparar a beca da posse os secretários Alexandre Rebelo (Planejamento e Gestão), Antônio Alexandre (Planejamento Urbano), Sileno Guedes (Governo) e Alexandre Gabriel, da Imprensa, estrutura que perde o status de secretaria.

Câmara no Frente a FrenteNo último Frente a Frente do ano, hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio para 44 emissoras em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba, o governador Paulo Câmara faz um balanço da sua gestão, fala das prioridades para 2017 e do quadro de dificuldades que os Estados enfrentam, além da relação com o Governo Temer. Câmara vai responder também perguntas de emissoras integrantes da rede nas principais regiões do Estado.

 

CURTAS

ADESIVOS- O que se diz em Caruaru é que a aliança artificial do prefeito de Caruaru, José Queiroz, com a prefeita eleita Raquel Lyra não resiste até ao frevo do carnaval, em fevereiro. Na prestação de contas do pai, o filho Wolney Queiroz, deputado federal e presidente estadual do PDT, deu a entender que já está prevendo novo rompimento quando afirmou: “Espero não ver adesivos por aí com a frase “Volta, Zé”.

ROMPIMENTO- Em Caruaru, aliás, Queiroz e Raquel já estão praticamente em campos opostos, mais uma vez. Queiroz esteve ausente na diplomação da prefeita eleita e esta, por sua vez, não dar o ar da sua graça em nenhuma inauguração de obras de fim de gestão do pedetista.

Perguntar não ofende: Não teria sido melhor José Queiroz ter apoiado Tony Gel? 

Publicado em: 29/12/2016