Recife, uma conquista do coração

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Se nascesse passarinho seria um João-de-Barro, espírito criativo, operário da fauna silvestre a transportar materiais de construção no bico para construir o seu habitat. O habitat de Mister MM é a comunicação, o jornalismo.
No começo conviveu com os tipos e linotipos do jornalismo impresso. Imprimiu as digitais do pioneirismo na blogosfera, em seu magnífico blog consagrado como Reitor da Magnolândia. Navega nas ondas hertzianas do rádio em seu programa Frente a Frente. E semeia livros à mancheia, no dizer do poeta Castro Alves.

Operário em construção com coração magnânimo, Magno é avis rara na mídia, uma selva de egos e de estrelas. Ele certamente dirá por ser um telúrico que admira até as pedras sertanejas, à moda de Seu Gastão. Repórter estradeiro, ele percorre milhares e milhares de quilômetros no faro da noticia com botas de sete léguas. Às 7 da matina percorre uma légua de distância na Jaqueira para turbinar o coração de panturrilha, como dizem os médicos, sempre a bordo do Graham Bell para ficar ligado na notícia.     

O coração de MM começou a ser recifense em 1979, quando ele desembarcou no curso de Jornalismo da Unicap e em 1980, quando sentou praça na Pracinha do Diario de Pernambuco como correspondente do Interior e do Pajeú. O editor da área era seu padrinho de Redação, Gildson de Oliveira, criatura do nosso bem querer. Camelo, Gladstone e Joezil eram os cardeais do Diario. Nas pontes, nas ruas, nas esquinas da vida, ele incorporou o espírito recifense nas batidas do coração. Magno deixou o coração telúrico plantado no Sertão do Pajéu.

O coração sertanejo vive nos regaços da infância ao lado de marmeleiros, bem-te-vis, azulões, xique-xique, mandacarus, umburanas, preás, bolas de gude, nas praças e ruas de Afogados da Ingazeira, nos banhos do Rio Pajeú. E também vive na escola pública Pinto de Campos e na agência dos Correios, onde ao lado do pai Seu Gastão recebia e traduzia as mensagens telegráficas no código de Morse para seus conterrâneos sertanejos.    

Em 1984 seu coração de estradeiro o levou para Brasília. Editor, repórter e colunista no Correio Braziliense, O Globo, Associados e Agência Meridional brilhou no Planalto Central. Criou a Agência Nordeste e expandiu a área de comunicação do empresário Eduardo Monteiro. Também plantou o seu coração na terra da Alvorada. Estava posto em sossego em BSB em 1991 quando o governador Joaquim Francisco o convidou para ser secretário de Imprensa. “A vida é um sutiã, meta os peitos!”, disse o filósofo de Macaparana. Meteu os peitos e cumpriu a missão.

Mas, o mundo gira e a Lusitana roda, dizem os portugueses. O jornalismo impresso entrou em fase de despressurização. As linotipos não há mais. Papel de jornal é moeda em dólar. O “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley e a “aldeia global” preconizada por Marshall McLuham estão na tela do computador. Magno percebeu o florescimento da blogosfera ao inaugurar o seu blog pioneiro em 2006.

Mister MM é um multimídia, um M.M. Veio do impresso e mesmo sem o suporte de uma corporação lidera na blogosfera, nas ondas do rádio, na “Galáxia de Gutemberg” dos livros e em palestras. Seu coração recifense conquistou o título de Cidadão Honorário.

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com

Publicado em: 12/12/2016