A primavera auriverde

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Conversei com um intelectual da “new left”, a nova esquerda, sobre esses movimentos “Occupy”, “Ocupe”, em linguagem cabocla, que estão ocorrendo no Brazil. Eu perguntei a ele, do alto da minha ignorância enciclopédica: Dizei-me, ó mestre, de onde veem esses movimentos “Ocupe”? Depois de dar uma pausa na leitura do “Le Monde Diplomatique”e sorver uma taça de champanhe capitalista ele explicou que esses são movimentos revolucionários foram inspirados na “Primavera Árabe”.

Idos de 2010 e 2011, aconteceram ventos libertários nos regimes autoritários do Egito, Argélia, Marrocos, Líbia. Mas, as ventanias de lá não são vendavais de cá.

Aqui é a nossa primavera auriverde.  

Milhares de árabes, reunidos na Praça Tahir, no Cairo, queriam respirar democracia. Na Praça do Marco Zero de Recife, defronte da chapeleta da Brennand, as meninas e meninos do coração valente entoam o “Fora Temer”, fazem declarações de amor ao sapo barbado e sonham com a ressurreição da jararaca vermelha.

Nas escolas de São Paulo os rapeizes ocupam as escolas para boicotar o Enem, na onda do sexo, drogas e rock n’roll, promovem surubas revolucionárias, em protesto contra a destruição de Sodoma e Gomorra e organizam as paradas de orgulho gay. O MST ocupa laboratórios de pesquisa para destruir alimentos transgênicos. 

Aconteceu o “Occupy Wall Strett” na Bolsa de Valores de New York, para protestar contra os lucros bilionários dos capitalistas internacionais depois da “bolha capitalista” de 2010, quando os imperialistas injetaram bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro depois da falência do banco Lehman Brothers.

Dizei-me, ó mestre, além de sexo, drogas e rock n’roll, o que fazem esses revolucionários sociais? Os rapeizes de todos os quatro ou cinco sexos estão construindo o “capital social” de que falava o escritor americano Robert Putman, um bicho revolucionário. As surubas são a quebra dos monopólios sexuais capitalistas.  

O sítio de Atibaia e o triplex de Guarujá foram comprados com o “capital social” do bicho barbado. Quanta riqueza!   

O capital social serve para aliviar o déficit de 170 bilhõezinhos no Orçamento da União ou para investir na Petrobrás? O “capital social” é um maravilhoso emplastro, criado pelos filósofos socialistas, para aliviar as dores da humanidade capitalista. É tipo o “Emplastro Brás Cuba”, elaborado nos trapézios cerebrais do filho espiritual de Machado de Assis para aliviar a melancolia da humanidade.      

Os capitalistas são pessoas malvadas e só pensam em Money, enquanto as classes oprimidas se lascam de trabalhar nas fábricas, nos escritórios, nas universidades e na Internet, para ganhar o pão francês  de cada dia, além dos intelectuais serem obrigados a comprar o whisky importado, os livros da nova esquerda e pagar o dízimo aos partidos revolucionários, segundo meu amigo o intelectual low profile.

O “capital social”, no inventário progressista, é uma espécie de riqueza dos cérebros iluminados pelo socialismo. No dia em que os filósofos socialistas convencerem os banqueiros capitalistas a adotarem o “capital social” seremos todos felizes. 

Revolucionai, revolucionai! Se Galileu Galilei fosse vivo, hoje com certeza ela contestaria o movimento de rotação do eixo da terra, porque nosso planeta gira da esquerda para a direita, ao invés de girar da direita para a esquerda. Ou seja, a rotação da terra é um movimento reacionário.  

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Publicado em: 07/11/2016