Coluna da quinta-feira

    O jogo dúbio de Cunha

De que lado o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está jogando? No time da oposição, que em sintonia com a sociedade brasileira que o fim da crise, deletando a presidente Dilma no Planalto, ou na equipe do Governo, que para manter a moribunda no poder é capaz de vender a alma ao diabo, como se agarrar ao próprio Cunha?

Apesar de ter iniciado uma aproximação ao longo dos últimos dias com o presidente da Câmara, o Palácio do Planalto tem colocado um limite nessa reaproximação com Eduardo Cunha, relata de Brasília o bem informado articulista Gerson Camarotti.

Segundo ele, o peemedebista foi alertado que o Governo só fechará acordos que possam ser cumpridos. Nos bastidores, Cunha tem reclamado da velocidade do ritmo das investigações contra ele pela Procuradoria Geral da República. O Governo, entretanto, tem deixado claro a ele que não tem como interferir no trabalho do procurador-geral, Rodrigo Janot.

O Palácio do Planalto admite, no entanto, que não se oporia a um acordo político com Cunha na Câmara dos Deputados. Há uma preocupação do peemedebista em relação à eventual abertura de um processo de cassação no Conselho de Ética. Na última terça-feira, 32 deputados petistas assinaram o pedido do PSOL e da Rede Sustentabilidade de abertura do processo de quebra de decoro do deputado do PMDB no colegiado.

"Na questão política, é possível estabelecer um acordo. Na área jurídica, não", observou um auxiliar da presidente da República. O Governo quer melhorar as relações com Cunha para evitar a abertura de um processo de impeachment, mas a oposição também trabalha neste mesmo sentido – sinalizando que pode segurar o processo no Conselho de Ética – em troca de ele acolher a solicitação de afastamento de Dilma.

O presidente da Câmara agora trabalha com tempo para ver qual é a melhor solução para ele, embora tenha reclamado da postura da oposição e também de vazamentos contra ele na Operação Lava Jato. Dentro do Governo, Cunha atribui o vazamento de notícias contra ele ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Neste trabalho de reaproximação com Cunha, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, já teve dois encontros pessoais com ele ao longo de uma semana. O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, também fez uma reunião com o peemedebista nos últimos dias.

NO SUPREMO – Eduardo Cunha disse, ontem, que, até amanhã deve entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as decisões liminares (provisórias) que suspenderam o rito definido por ele de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mais cedo, líderes de partidos da oposição encaminharam um ofício para o peemedebista pedindo que recorra das liminares do Supremo, a fim de que a questão seja analisada pelo plenário do STF.

Oposição se une em Surubim– Em Surubim, o prefeito Túlio Vieira (PT) rompeu com o ex-prefeito Flávio Nóbrega, de quem foi vice, e com o seu vice, Fábio Barbosa (PR) e deve enfrentar nas urnas uma oposição bombada com o reforço de Nóbrega, que já fechou acordo com a família Cabral. Pelo entendimento, o ex-prefeito indicará o filho Guilherme Nóbrega, seu provável herdeiro político. Outro nome cotado é o do atual vice Fábio Barbosa (PR).

Fora da disputa– O candidato a prefeito de Surubim pelo grupo do secretário estadual de Planejamento, Danilo Cabral, será escolhido entre o secretário de Agricultura, Nilton Mota, e o presidente da Câmara de Vereadores, Fabrício Brito (PSD). O ex-prefeito Flávio Nóbrega até gostaria de voltar a disputar, mas tem processos que responde na justiça que poderiam deixá-lo inelegível. Sua vinda para o grupo Cabral acabou provocando a ira da candidata derrotada nas eleições passadas, Ana Célia, e do seu marido, o vereador Biu Farias, que andam distanciados.

Defesa do ajuste – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a defender, ontem, durante audiência pública no plenário da Câmara dos Deputados, o ajuste das contas públicas, implementado pelo Governo por meio da alta de uma série de tributos e, também, contenção de gastos públicos. Segundo ele, ainda há necessidade de se apertar o cinto e de reequilibrar as contas para que o país possa voltar a crescer de forma sustentada. Avaliou que é necessário um "ajuste rápido" para que a resposta seja também rápida nas taxas de crescimento e de emprego

Cortando na carne– O prefeito de Camaragibe, Jorge Alexandre (PSDB), também anunciou um pacote de medidas de contenção de despesas para tentar fazer a travessia do turbilhão da crise. O pacote inclui corte do seu salário, dos secretários e adjuntos, comissionados e terceirizados. Proíbe despesas supérfluas e corta até a cota mínima de uso de celular por parte dos secretários. “Estamos cortando na carne para que mais na frente não falte o dinheiro da folha de pessoal”, alega.

 

 

CURTAS 

UNILEVER– Pernambuco vai ganhar a sua quinta fábrica da Unilever. O governador Paulo Câmara assinou, ontem, protocolo de intenções para a instalação de um complexo industrial de alimentos e centro logístico da empresa em Escada. A cerimônia contou com a participação do presidente da Unilever no Brasil, Fernando Fernandez. Presente há 24 anos no Estado, a marca já tem unidades em Garanhuns, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes e em Ipojuca, no Complexo de Suape.

ALÔ, SALGADINHO! – Hoje, em Salgadinho, cidade das águas termais no Agreste Setentrional, encerro a agenda de lançamento de livros desta semana. Na semana que vem será a vez de Camaragibe, na terça-feira, e Palmares, na quarta-feira, podendo incluir ainda Bom Jardim, na quinta. Como sempre, o evento ocorre na Câmara de Vereadores, às 19 horas, antecedido por uma palestra minha sobre a crise nacional.

Perguntar não ofende: A moribunda aguenta o tranco? 

Publicado em: 14/10/2015