ArcoVerde


21/11


2016

The Gaulle vai cair na gandaia

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Reino da malandragem, das traficâncias e dos bicheiros, das milícias, da navalha na carne, da delinquência e da violência policial, o Rio de Janeiro ganhou o rótulo de “Cidade Maravilhosa” por conta do cartão postal com o Cristo Redentor, do Morro do Corcovado e da Baia da Guanabara. A Câmara Municipal é conhecida como a “Gaiola de Ouro” da corrupção.     Além de algumas paisagens, não existe nada de maravilhoso. Quem se aventura a desembarcar no aeroporto ou andar nas ruas com um relógio ou algum objeto de valor?!

Atribui-se è poetisa americana Elizabeth Bishop, que viveu no Brazil em meados do século passado, a seguinte frase: “O Rio de Janeiro não é uma cidade maravilhosa, é uma paisagem maravilhosa para uma cidade”. A poetisa costumava dar um rolé na cidade, de beijos dados com a namorada a paisagista Lota, amiga do governador Carlos Lacerda. Os vermelhos da época chamavam Lacerda de “O Corvo”. A poetisa tomava seus inocentes pileques e esbravejava contra a humanidade carioca. Naqueles tempos não existiam as mundiças vermelhas dos sapos barbados. Imaginem se a poetisa conhecesse um Garotinho, um Sérgio Cabral, um Pezão! Teria renegado seu amor pelo Brazil.

Dizem que o governo do Rio de Janeiro está falido. Menos a verdade, ou menas a verdade, segundo a cartilha do ABC vermelha. Não faltará dinheiro para financiar a malandragem. Imaginem a receita do bolo de 2 ou 3 milhões de unidades residenciais com o pagamento do IPTU. É dinheiro que não tem Sergio Cabral, nem Garotinho, nem irmão metralha que acabe. Turismo? Com uma população de mais de 200 milhões de almas, o Brazil recebe na casa de 7 milhões de turistas por ano. A estimativa é de que 1,5 milhãozinho de turistas estrangeiros têm coragem de visitar o Rio de Janeiro, inclusive durante o carnaval. As informações oficiais sobre turismo no Brazil são conflitantes e sem credibilidade.

O certo é que a rede hoteleira do Rio tem cerca de 60 a 70 mil leitos. São Paulo está na casa dos 80 mil leitos. Falar em milhões de turistas no carnaval é ilusionismo. Com uma população de quase 70 milhões de habitantes, a França recebe igual número de turistas estrangeiros por ano. A Itália atrai mais de 25 milhões de estrangeiros.  A corrupção e a violência afugentam turistas no Brazil. Zeus me livre de torrar meus trocados para encarar um arrastão na “Cidade Maravilhosa”. O carnaval carioca é uma indústria fantástica de distribuição e riquezas e pobrezas.

O número de celulares e máquinas fotográficas roubadas é incalculável. Os gringos pagam em dólares e euros para degustar aquelas mulheres saborosas que rebolam nas passarelas. os arrastões rendem boa renda para os maloqueiros. Os  alcaloides, marijuanas  e derivados .... e a galera delirou, delirou!  As escolas cariocas de samba e de malandragem produzem mão- de-obra fantástica para o desenvolvimento do Brazil. As porta-bandeiras e desfilantes são especialistas na arte de balançar o traseiro. Os malandrões são exímios na ciência do reco-reco e do tamborim.

O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa e seus governantes são pessoas muito sérias, já dizia meu guru o cientista político The Gaulle. Entonces, ele profetizou que a falência do Rio de Janeiro será resolvida durante o carnaval, porque os governantes e os carnavalescos são pessoas muito sérias. Eu zuro, ele falou.
The Gaulle não acredita na falência do Rio de Janeiro e vai cair na gandaia.  

* Jornalista 

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Asfaltos


16/11


2016

Donald Trump, Temer e Pato Donald

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Os bichos vermelhos estão ocupando as estradas, as universidade, as escolas, as pontes, as nascentes, os poentes, todos os horizontes. Ocupar, invadir, tá na moda dos desocupados ideológicos. Na semana passada um passaralho vermelho espalhou a lenda, erradissimamente, de que a onda “Occupy” foi inspirada na “primavera árabe” de 2010-2011. A cultura árabe ainda nem tirou o véu das noivas.

A onda “Occupy” tem mais a ver com a destruição silenciosa da democracia representativa preconizada pelo filósofo pós-marxista Gramsci, ou a “revolução permanente” dos delírios totalitários do soviético Leon Trotsky, com licença da palavra. O pós-comunismo continua vivo e bulindo, sob o disfarce da “utopia socialista”, uma farsa comprovada pela história. São os cupins e os fungos da democracia. Olhai os lírios do campo, olhai os exemplos de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. Olhai os comunistas stalinistas do B! São os caboclos mamadores da UNE e os pelegos das centrais sindicais. Fanáticos ideológicos são entes irracionais. 

Ocupar em protesto contra a PEC dos gastos?! É o “fora Termer!”, “Fora “golpistas!”, qualquer pretexto serve. Chamem David Copperfield para desmanchar o rombo nas contas públicas. Ao invés de ocupar a Faculdade de Direito do Recife essa mundiça deveria invadir os estádios do Maracanã e do Corinthians para exigir a devolução do dinheiro desviado dos cofres públicos. Com as contas públicas estropiadas, o Brazil constrói estádios de futebol monumentais e realiza carnavais das arábias.   

Além da violência e malandragens seculares, a sociedade brasileira está doente e contaminada ainda mais pelos fluidos de bandoleiros. A Madre Superiora falou que o povo brasileiro é ordeiro e pacífico. Ilusão de ótica. Esta á a sociedade que manteve três séculos de escravidão, que sangrou e esfolou os beatos de Canudos em 1897 e massacrou covardemente os soldados indigentes do Paraguai em 1870. Decapitou os cangaceiros, tão perversos quanto as volantes. A tortura é prática corriqueira no submundo do crime.  

Magnata, politicamente incorreto e desbocado, Donald Trump é o novo caubói do faroeste eletrônico na América. E mais, desperta a ira dos vermelhos, o que é um bom sinal. Com uma bomba atômica na mão direita, ele seria a nova besta do Apocalipse. Quem incendiou a guerra no Vietnã foi o democrata John Kennedy. Quem detonou a bomba atômica no Japão em 1945 foi o democrata Harry Truman.   
Barack Obama era o bom rapaz politicamente correto, vitorioso graças ao fracasso da “Era Bush” o “Senhor das Guerras” do Iraque e do Afeganistão. O bom-mocismo de Obama já deu o que tinha de dar, inclusive deu muitas colheres de sopa à ditadura comunista de Cuba. 

Apocalipse é uma ditadura comunista de 57 anos com milhares de fuzilamento em Cuba. É a bomba atômica nas mãos do energúmeno Kim Jong-un na Coreia do Norte. A democracia na América irá controlar as ogivas nucleares na língua de Donald Trump. A mundiça vermelha semeia vulcões nos corações do Brazil. São os vulcões da intolerância e da radicalização.
Matéria atrai matéria, radicalização atrai radicalização. Os vândalos e invasores atraem os Bolsonaros e derivados.

Ao invés do desbocado Donald Trump, o presidente Michel Temer incorpora o espírito pacífico do Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luizinho nas estradas da vida e do poder. 

* Jornalista

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07/11


2016

A primavera auriverde

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Conversei com um intelectual da “new left”, a nova esquerda, sobre esses movimentos “Occupy”, “Ocupe”, em linguagem cabocla, que estão ocorrendo no Brazil. Eu perguntei a ele, do alto da minha ignorância enciclopédica: Dizei-me, ó mestre, de onde veem esses movimentos “Ocupe”? Depois de dar uma pausa na leitura do “Le Monde Diplomatique”e sorver uma taça de champanhe capitalista ele explicou que esses são movimentos revolucionários foram inspirados na “Primavera Árabe”.

Idos de 2010 e 2011, aconteceram ventos libertários nos regimes autoritários do Egito, Argélia, Marrocos, Líbia. Mas, as ventanias de lá não são vendavais de cá.

Aqui é a nossa primavera auriverde.  

Milhares de árabes, reunidos na Praça Tahir, no Cairo, queriam respirar democracia. Na Praça do Marco Zero de Recife, defronte da chapeleta da Brennand, as meninas e meninos do coração valente entoam o “Fora Temer”, fazem declarações de amor ao sapo barbado e sonham com a ressurreição da jararaca vermelha.

Nas escolas de São Paulo os rapeizes ocupam as escolas para boicotar o Enem, na onda do sexo, drogas e rock n’roll, promovem surubas revolucionárias, em protesto contra a destruição de Sodoma e Gomorra e organizam as paradas de orgulho gay. O MST ocupa laboratórios de pesquisa para destruir alimentos transgênicos. 

Aconteceu o “Occupy Wall Strett” na Bolsa de Valores de New York, para protestar contra os lucros bilionários dos capitalistas internacionais depois da “bolha capitalista” de 2010, quando os imperialistas injetaram bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro depois da falência do banco Lehman Brothers.

Dizei-me, ó mestre, além de sexo, drogas e rock n’roll, o que fazem esses revolucionários sociais? Os rapeizes de todos os quatro ou cinco sexos estão construindo o “capital social” de que falava o escritor americano Robert Putman, um bicho revolucionário. As surubas são a quebra dos monopólios sexuais capitalistas.  

O sítio de Atibaia e o triplex de Guarujá foram comprados com o “capital social” do bicho barbado. Quanta riqueza!   

O capital social serve para aliviar o déficit de 170 bilhõezinhos no Orçamento da União ou para investir na Petrobrás? O “capital social” é um maravilhoso emplastro, criado pelos filósofos socialistas, para aliviar as dores da humanidade capitalista. É tipo o “Emplastro Brás Cuba”, elaborado nos trapézios cerebrais do filho espiritual de Machado de Assis para aliviar a melancolia da humanidade.      

Os capitalistas são pessoas malvadas e só pensam em Money, enquanto as classes oprimidas se lascam de trabalhar nas fábricas, nos escritórios, nas universidades e na Internet, para ganhar o pão francês  de cada dia, além dos intelectuais serem obrigados a comprar o whisky importado, os livros da nova esquerda e pagar o dízimo aos partidos revolucionários, segundo meu amigo o intelectual low profile.

O “capital social”, no inventário progressista, é uma espécie de riqueza dos cérebros iluminados pelo socialismo. No dia em que os filósofos socialistas convencerem os banqueiros capitalistas a adotarem o “capital social” seremos todos felizes. 

Revolucionai, revolucionai! Se Galileu Galilei fosse vivo, hoje com certeza ela contestaria o movimento de rotação do eixo da terra, porque nosso planeta gira da esquerda para a direita, ao invés de girar da direita para a esquerda. Ou seja, a rotação da terra é um movimento reacionário.  

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31/10


2016

Um tigre de papel vermelho

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O partido da estrela vermelha é um tigre de papel, como diria o “o grande timoneiro” do Império chinês, Mao Zedong. Mas, sosseguem as meninas e meninos dos corações que se diziam valentes. O partido da estrela cadente não será extinto. Murchou, naufragou, se espatifou, mas haverá sempre uma estrelinha solitária, alhures, algures, para emitir um falso brilho. O surreal faz parte da vida e da política.

Fundado em 1980 numa fase histórica de efervescência democrática, o PT revela em suas origens a inspiração de demônios autoritários. O Foro de São Paulo, cujo líder maior é o comandante da estrela, foi criado no objetivo de recuperar na América Latina o espaço comunista perdido no Leste da Europa. A experiência na Venezuela foi um fracasso, mas os carrapatos continuam grudados no poder. No Brazil, os bezerros desmamados exercitam o direito de espernear. Quando existe brecha, o PT bota as garras de fora para abraçar terroristas e ditadores comunistas. 

As farc, organização terrorista em extinção, sempre mantiveram afinidades eletivas e afetivas com as esquerdas ortodoxas do Brazil.a ditaduras comunistas de Cuba e da Venezuela mamaram nas glândulas mamárias do BNDES. Não por acaso o ídolo José Dirceu, saudado como “guerreiro do povo brasileiro” a caminho da cadeia, fez curso de guerrilha em Cuba.    

Na bioquímica da vida existem os colesteróis benfazejos e os colesteróis malvados. O partido do cordão encarnado é um colesterol vermelho. Eles convivem na guerra e paz das nossas entranhas. Nas mutações da existência os colesteróis vermelhos ultrapassaram os limites da malvadeza. A vida é uma batalha de colesteróis, ureias, creatininas, albuminas e outros bichos.
Colesteróis são anjos azuis e anjos trelosos. Meu sonho de consumo romântico é navegar nas asas de um anjo azul (blaue engel) na Freguesia dos Aflitos e nas montanhas da Jaqueira.

Se existem até partidos comunistas e stalinistas, o partido do cordão encarnado tem todo o direito de existir. É um colesterol um pouco menos nefasto, da mesma família dos derivados stalinistas. O DNA de nascença é o mesmo, o totalitarismo, às vezes dissimulado por conveniências nos organismos democráticos.      

Nazismo e comunismo se equivalem em genocídios na história da humanidade. Hitler, Stalin, Mao Tse-tung, Pol-Pot, Kmer Vermelho, Comboja, as estatísticas macabras somam centenas de milhões de criaturas exterminadas pelos regimes totalitários. Junto com os aliados do Ocidente, os comunistas lutaram para derrotar o hediondo regime nazista na Segunda Guerra Mundial. Seguindo o princípio de que a história é contada pelos vencedores, os comunistas vestem uma máscara de democratas, quando lhes convém, para se fazerem representar no sistema partidário. Mas, o vírus de origem é totalitário.

Olha aí a “ideologia de gênero”. Eles dizem que o indivíduo não nasce macho nem fêmea. Faz-se homem masculino ou homem feminino ou mulher feminina ou mulher do sexo masculino no contexto social, na coleção de figurinhas em figurinhas. Este teoria vem dos tempos da mocréia Simone de Beauvoir na década de 1960. Significa sobrepor uma heresia sociológica ao fator científico cromossômico.

Na prática a teoria é outra. Os machões Fidel castro e Che Guevara, com licença das palavras, mandavam fuzilar os gays em Cuba, por serem considerados contrarrevolucionários. Hoje por castigo a filha do comandante da ditadura comunista de Cuba é uma mulher do sexo masculino, militante dos direitos das minorias tipo BGLT. Hay que enroscar as aranhas, pero sem perder la ternura jamais, dizem as comunistas cubanas de grelo duro.

Profeta Adalbertovsky
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24/10


2016

Quantas pedras rolaram!

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Ano 2000, aconteceu a “onda vermelha”. Ainda havia reflexos daquela cantiga: “Brilha uma estrela...” Neste 2016 as estrelas vermelhas estão cadentes. O sapo barbado está nu com as mãos na cabeça pra não perder o juízo. E o vento levou as barbas vermelhas.  As estrelas estão descendo a ladeira. Lembro-me como se fosse anteontem quando os locutores anunciavam na apuração do segundo turno no ano 2000: “Lá vem o vermelhão, lá vem o vermelhão!” E o vermelhão venceu a corrida no segundo turno. Ninguém me ama, ninguém me quer, diz hoje o coitado, segundo o Ibope do Conde Maurício de Nassau.

Quantas águas rolaram! Quantas pedras rolaram! Rock in roll! Hoje tá na moda cantar as cantigas de Bob Dylan, Prêmio Nobel. O Prêmio IgNobel foi vencido por uma senhora que foi presidente do Brazil e cujo nome não lembro, autora da ideia de estocar ventos.
Zeus me livre de recitar Blowing in the Wind, pra não imitar o bananão de pijama Eduardo Suplicy. Prefiro “The Times they are a changin”, os tempos estão mudando, os tempos mudaram.mO tempo passou na janela, diz aquela musiquinha. O tempo voa, o tempo é um passarinho, digo eu. 

Eu sou pequenininho do tamanho de um tostão, e sem querer ensinar Padre Nosso a vigário eu direi que o governo do presidente Michel Temer se trumbica na comunicação. Propor um teto de gastos públicos em 20 anos, isto é um eternidade. Aqui a 20 anos o Ibis pode ser campeão do mundo, o mar morto pode ressuscitar e a vaca pode voltar do brejo. Dizer que o governo vai congelar por 20 anos os gastos com saúde, educação e congelar os salários, isto é uma ideia irracional, mas o boato se propaga e muita gente acredita.

No auge da política de arrasa-quarteirão dos bancos estatais, a Caixa Econômica Federal chegou a emprenhar 35 diretorias para abrigar pelegos sindicais e remunera-los com salários milionários. Mesmo assim havia e ainda existe grande déficit de funcionários para atender ao público. O mesmo ocorre no Banco do Brasil. Os funcionários da Caixa e do BB trabalham com a corda no pescoço, feito Tiradentes. Não precisa dizer que os lucros do sistema financeiro estatal são estratosféricos.

Ao invés de demitir, os bancos deveriam ampliar em 20 % ou 30 % o seu quadro de pessoal para melhor atender a sociedade, sem afetar os seus lucros bilionários. As palavras mágicas desses monetaristas falsamente iluminados são “enxugar” e “oxigenar”. O clima é de pânico nos ambientes de trabalho da Caixa e do BB. O terrorismo (esta é a palavra exata) se dissemina e não aparece um vivente do governo para esclarecer as questões, tranquilizar milhões e milhões de funcionários e famílias.  

Palocci, Meireles, Delfim, Levy, Mailson, Mantega, manteiga e margarinas, ministros e ex-ministros da Fazenda são todos da mesma laia. Quem entra nessa engrenagem deixa de ser gente, passa a ser apenas uma função monetária. Todos, todíssimos governos se rendem à ditadura do sistema financeiro. A república dos banqueiros manda e desmanda no governo, no Ministério da Fazenda, no Comitê de Política Monetária, na Casa da Moeda. Banqueiros e pelegos sindicais agem em dupla, mancomunados.   

Os vermelhos são especialistas na arte de iludir e na guerrilha da contrainformação. Ao menos neste começo o governo do presidente Michel Temer está perdendo a batalha da comunicação. 

* Jornalista

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17/10


2016

A revolução dos sapos e pererecas

MONTANHAS DA JAQUEIRA –Eu, profeta das montanhas da Jaqueira e da Freguesia dos Aflitos, assim direi aos meus discípulos:
-- A ideologia de gênero é o “top” da intelligentsia de esquerda no Brazil. Se o guia genial dos povos barbudos e dos sapos barbados e seus devotos resolvessem fazer uma cirurgia para mudar de gênero,  haveria uma revolução sexual neste País. Luiz seria chamado de Luíza, a valente Maria do Rosário seria Mário do Rosário; tesoureira Valéria ao invés de Valério; comadre Bumlai ao invés de compadre Bumlai; Antonia Palocci; Rosa Falcão, novo presidente do cordão encarnado; Luciana, ex-presidente do BNDES, marqueteira Joana Santana.

No Rio Grande do Sur, terra onde só tem macho, o ex governador Tarso Genro seria transformado em Tarciana Nora e a filhota Luciana atenderia como Luciano Sogro. O ainda prefeito de São Paulo mudaria para Fernanda Haddada. Tudo isto ocorreria nos conforme do politicamente correto e ninguém teria nada a reclamar. Seria criado o Instituto Luíza para receber doações e Odes a Brecht. Haveria  revolução de gênero politicamente correta. Os sapos e as pererecas ficariam felizes e não teriam nada a reclamar.

De minha parte eu prefiro continuar sendo chamado de Zé, Profeta Adalbertovsky, seu criado, bicho-grilo invocado, reaça nas horas vagas, politicamente incorreto, da família dos primatas, primo dos Chimpan-Zés, meus antepassados das cavernas da vida.
Estou satisfeito em ser um bicho careta do sexo masculino e ainda pretendo conquistar uma mulher do sexo feminino para tomar sorvete com ela, dar um rolé na cidade, ouvir umas cantigas de Cole Porter e dar uns beijinhos de passarinho. Ofereço casa, comida e uma Brastemp seminova.

Senhores e senhoras, caldeirões e caçarolas, dizei-me: existe alguma luz no fundo do poço da panela? Os profetas respondem que sim. “Luz, dormindo acesa na varanda”, cintilou o bem-aventurado poeta Drummond. Há sempre uma luz dormindo acesa na varanda de nossas vidas. Há uma luz acesa nas varandas do Brazil- zil-zil! Zeus dos céus, concedei uma luz acesa na varanda de nossas vidas! Acendei uma luz em nossos corações de estudantes!

O importante é explorar a derivada positiva, dizem os matemáticos. O governo do presidente Temer e seus discípulos seguem na trilha da derivada positiva. Ser politicamente correto é pertencer à comunidade BGLT e banda voou, defender os vandalismos dos sem-terra, adorar os pixulecos das meninas e meninos que tinham corações valentes e aplaudir os pelegos das centrais sindicais.

Aquela mocréia do grelo duro defende a tese sociológica de que devemos odiar a classe média. Um belo dia li a seguinte frase: “É próprio do mal odiar a si mesmo”. A mocréia professora da USP odeia a si mesma de todo o coração. Não odeia o dono do sítio de Atibaia conferencista da Odebrecht porque o bicho hoje é milionário. Também não odeia Tio Patinhas nem Palocci.

Eu sou reaça, ok. Os pelegos sindicais que ocupavam dezenas de diretorias da Caixa Econômica e dos fundos de previdência das estatais, estes são progressistas. A turma que recebe pixulecos para defender as patifarias e compadrios no BNDES, isto é ser avançado e popular. Aplaudir as invasões e vandalismos do MST, tô fora, mesmo que seja chamado de reaça.

* Jornalista

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10/10


2016

Um furacão em forma de gente

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Antes de ser chamado Matthew e provocar ruínas no Haiti e na costa do Atlântico nos Estados Unidos da América, a mulher-furacão vermelho passou por aqui e provocou devastações no coração de 200 milhões de brasileiros.
A mulher-furacão deixou um saldo de 12 milhões de desempregados, devastações bilionárias nas contas públicas, Petrobras em condições pré-falimentares, déficit público-2016 de 180 bilhões de reais, ruínas nos investimentos do BNDES, a bagaceira geral no Brazil.

O conjunto da obra de devastação é do cordão encarnado. Mas, o furacão vermelho não foi gerado por si mesmo. Veio de uma costela do sapo barbado. O sapo comandava as serpentes do cordão encarnado e a jararaca vermelha era um poste de carne e osso. Tu és um poste e farei de ti uma jararaca vermelha, disse o sapo barbado. Semeou os vendavais para gerar o furacão.      

A mulher jararaca é um furacão em forma de gente, um ciclone, uma tempestade tropical, um vendaval, um vulcão em erupção.
Furacões, terremotos e vulcões são assustadores. Zeus nos livre desses tormentos! Dai-nos a brisa e os ventos da mansidão! Como são formados os furacões humanos? Mistérios da natureza. Sosseguem os discípulos da legião vermelha. O partido da estrela cadente não será extinto. Murcha uma estrela. O sapo barbado está nu, pelado e mal pago. Mas, o pulso ainda pulsa.

É preciso amor pra poder pulsar, diz o cancioneiro popular. A estrela vermelha precisa de glândulas mamárias pra poder pulsar, assim falou este profeta aos seus discípulos, do alto das montanhas da Jaqueira e da Freguesia dos Aflitos. Vocês estão lembrados daquela famosa eleição sob a presidência do finado Pôncio Pilatos. Havia duas chapas: chapa 1 – Jesus de Nazaré; chapa 2 – Barrabás. A chapa 2 venceu por aclamação. Se o  plebiscito fosse repetido hoje no Brazil, em Cuba, na Venezuela ou na Bolívia, o candidato Barrabás ganharia novamente. Se contratasse um bom marqueteiro pago com propinas numa conta secreta no Exterior, ganharia de goleada logo no primeiro turno.

Punhos cerrados para o alto a caminho da cadeia, os entes e descendentes de Barrabás são saudados pela mundiça vermelha como “heróis do povo brasileiro”. A mundiça vermelha vive nos abismos da perdição. Em Cuba e na Venezuela, Barrabás é considerado um santo e guerrilheiro. Eu zuro por Zeus que não estou exagerando.

Profeta das montanhas da Jaqueira e da Freguesia dos Aflitos, assim direito aos meus discípulos: ao menos 10 por cento da humanidade navega na faixa da insanidade. A margem de erro desta pesquisa é de 50 % a 60 % para mais. Como diria o ex compositor Chiquinho, patrono do MST e da patota vermelha, a insanidade não tem governo nem nunca terá. Eles foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e agora são contra a proposta do teto para as despesas orçamentárias. Insanidade é insistir na lenda do “golpe” sobre o Impichi com o Estado de Direito democrático funcionando a pleno vapor.

Depois de ter sido devastada pelos bandoleiros do Petrolão a Petrobras trabalha para recuperar a credibilidade e viabilizar parcerias com empresas internacionais para investimentos na exploração do pré-sal. Falar em “entreguismo” é farsa, cinismo ou insanidade. A economia real simplesmente ignora essa retórica vazia.

* Jornalista

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03/10


2016

As urnas deram uma surra no PT

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Zil-zil! A turma do cordão encarnado foi deletada em todos os quadrantes nacionais. Em São Paulo, o prefeito Haddad não viu nem o azul. No Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza, zero grau.
Recife, ó cidade cruel! O pulso ainda pulsa um pouquinho, Tum, Tum, Tum... O prefeito Geraldo Júlio é malvado: obrigou a seita comunista do B a trabalhar no segundo turno para derrotar a mundiça do cordão encarnado. Mas, vai ficando por aí, Gegê. Nem pensar depois em entregar a Prefeitura para a seita stalinista e ser candidato a governador. Tu vai ter que obedecer a fila, Geraldo. Quem tá na vez e tem as melhores credenciais, eleitorais, políticas e intelectuais, é o senador Fernando Bezerra Coelho.

O PT não será dedetizado por completo. Restarão apenas uns sapinhos alhures e algures para fazer oposição. Eles não terão do que reclamar, pois sempre adoraram fazer oposição. Mas, sem pixulecos e sem as glândulas mamárias bilionárias do governo e das estatais. O patrimônio ético do cordão encarnado virou patrimônio diurético. Saiu na urina. Ouviu-se uma voz rouca no sítio do pica-pau amarelo: “Se tem uma coisa que eu me orgulho NESSE País e não baixo a cabeça PÁ ninguém, é que não tem uma viva alma NESSE País mais honesta do que eu, nem DENTO da Polícia Federal, nem DENTO do Ministério Público, nem DENTO da Igreja Católica, nem DENTO da Igreja Evangélica, nem DENTO do sindicato, nem no MEI de vocês” (no “mei” dos jornalistas”.

Depois se comparou a Jesus Cristo. Disse que só o Rei dos Reis ganharia eleição para ele no Brazil. Eis o perfil de um mitômano, um delirante compulsivo. Dirão que esta é uma discussão elitista que machuca os excluídos. Mentira. O que machuca a pobreza é incompetência e corrupção. Ele falou “NESSE País”, não necessariamente neste País, o Brazil. Pode ser Neverland, a terra do nunca, ou a Bruzundanga, ou Schangri-Lá, ou a Galiléia, ou a Prússia, ou o Reino da Macedônia.     

Dizer que tal partido redimiu 30 milhões de brasileiros da pobreza é heresia estatística, mil vezes mentira repetida à exaustão. Excluiu, sim, muitíssimos milhões, dezeníssimas de milhões de criaturas por conta da corrupção, morticínios e desagregações sociais. A melhoria de renda da população veio por gravidade em decorrência da estabilidade monetária do Plano Real de FHC/Itamar Franco. Depois o sapo barbado e a jararaca vermelha botaram tudo a perder.

Ofertar celular não redime a pobreza. O que erradica as indigências sociais são obras de esgotamento sanitário, água na torneira, barragens, adutoras, investimentos em infraestrutura e não programas assistencialistas eleitorais. O Bolsa Família tem porta de entrada e não tem porta de saída. Congela a pobreza. O rombo fiscal de 180 bilhõezinhos de reais é a orgia punk da pesada de herança da mundiça vermelha. Mais que os 12 milhões de desempregados, deixou uma herança nefasta de messianismo e de idolatria a falsos mitos.

O sapo rouquenho precisa se tratar de um pleonasmo na garganta, pois está falando demais. Os candidatozinhos apoiados por ele levaram grandes surras na boca das urnas. Na eleição de 2000 João do bigode foi para o segundo turno e venceu Roberto Magalhães no embalo da onda vermelha. Agora o do bigode segue a trilha da estrela cadente.

* Jornalista

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bm4 Marketing 4


26/09


2016

Urnas vão deletar os vermelhos

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Alô-alô meninas e meninos do coração auriverde! Zil-zil! Eu sou o bicho-grilo, seu atendente virtual. Se vc quer falar sobre energia solar, energia eólica, energias renováveis, clique estrela; se vc quer falar sobre ecologia, esgotamento sanitário, agricultura irrigável, clique asterisco; se vc quer trocar figurinhas sobre o Ideb, educação básica e a nova Base Nacional Curricular, basta clicar em jogo da velha;

Se tu tá ligado na reforma da Previdência Social, eu também tô, aguarde um instante; se tu quer notícia sobre a novela do déficit fiscal, paciência, aguarde na linha; se tu ligou pra falar em golpe, fora Temer, lero-lero, teu Pokemon é fantasma, bicho, vai tirar onda noutro terreiro. Num tô a fim de aturar esse papo furado de golpe.

O cordão encarnado será deletado, zerado, em todas as capitais do Brazil. Em São Paulo, berço do ovo da serpente, não vê nem o azul. Mas, os bichos vermelhos não dão o braço esquerdo a torcer. Aqui nesta terra dos altos coqueiros parece que o cordão encarnado tem um candidato, mas não me lembro o nome. Depois de afundar o Brazil e deixar uma heranças nefasta de 12 milhões de desempregados, o chefe da camarilha vermelha ameaça ser candidato a presidente da República novamente em 2018. O maior farsante da historia da República e sua camarilhas ainda contam com milhões de devotos. Existe alguma explicação racional? Existe, sim:

-- Fanatismo ou cegueira ideológica. O sapo tem o dom de iludir. Fanático fundador da seita “Templo dos Povos”, o americano Jim Jones levou 998 devotos ao suicídio coletivo em Jonestown, Guiana, ano de 1978, ao pregar o Apocalipse. As paralelas do fanatismo religioso e ideológico se encontram no inferno. Bons tempos aqueles neste Condado dos altos coqueiros do Conde Nassau! Até os bois voavam. Os sapos eram criaturas benfazejas e cumpriam apenas as leis da natureza para engolir mosquitos. Moravam na beira das lagoas e dos rios, não havia sapos proprietários de sítios nem de triplex em Guarujá. As donzelas eram belas, recatadas e do lar. Não havia mocréias do grelo duro.      

A avenida Conde da Boa Vista foi construída no capricho, larga e espaçosa, para o tráfego e o trânsito de semoventes e seres moventes, cavalos, cavalgaduras, cobras, lagartos, elefantes, caranguejos, jumentos, girafas, bois, boiadeiros, sapos, todos os animais da arca de Noé, até bichos exóticos tipo petistas, móveis e automóveis.

Um cara chamado João do bigode resolveu destruí-la, só por malvadeza. A coitada da avenida do Conde hoje é apenas um beco estreito, como diria o menestrel Jessier Quirino em sua cantoria. Também por vingança, João do bigode resolveu maltratar a Av. Boa Viagem: estreitou a faixa de rolamento do trânsito e construiu uma ciclovia em zigue-zague para infernizar a vida dos ciclistas. Ciclovia em zigue-zague só existe no cérebro de repolho dele. O prefeito Geraldo Julio deveria desconstruir esse monstrengo urbanístico. Tá na hora, Geraldo! Também tá na hora, sem demora, de intervir na Av. Conde da Boa Vista. Planejamento é serviço maneiro e haja dinheiro. Basta ter ousadia e meter os peitos.        

Profeta Adalbertovsky
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20/09


2016

Flores para o túmulo de Stalin

O pior jornalismo é quando falseia a História. Pior ainda quando, de má-fé, deliberadamente, escamoteia os fatos, apagando-os, à moda stalinista (mesmo até desconhecendo, por ignorância política, o que representava a conduta vil imposta pelo totalitarismo soviético). Essa é a impressão que se tem ao folhear hoje uma matéria sobre o novo cinema pernambucano (sic), no caderno cultural do Jornal do Comércio, assinada pelo até então sério crítico Ernesto Barros e editada por Marcelo Pereira. A matéria engana os leitores e assinantes do JC (eu, por exemplo), quando, ao reescrever de forma equivocada a história da retomada do cinema pernambucano nos anos 90, informa que esse novo ciclo foi iniciado com o filme “Baile Perfumado”.  Uma inverdade, antes advertida, com dados e fatos, ao crítico e ao seu editor.

A bem da linearidade da História, o novo cinema pernambucano começou não em 1996 (como quer a matéria desonesta do JC), mas, sim, em 1994, quando realizamos, eu e Lírio Ferreira, “That´s a Lero-a-Lero”, um curta de 16 minutos, que ficciona a passagem emblemática do genial diretor Orson Welles pelo Recife, em 1942. O roteiro é inspirado numa reportagem assinada por Caio de Sousa Leão, uma das mais belas páginas já escritas sobre cinema na Imprensa pernambucana. Portanto, o filme, que ganhou vários prêmios em festivais nacionais (inclusive o de Brasília), representa o marco zero, a fronteira fundadora, do que hoje é o novo cinema pernambucano, onde brilha “Aquarius” e outras obras sobre draminhas imobiliários conservadores de classe média.

Ainda a bem da Historia, o que a matéria desonesta do JC não faz referência, essa retomada, tanto a do “That`s a Lero-Lero” quanto, dois longos anos depois, o “Baile Perfumado”, só foi possível (o que a matéria chama de sonho impossível (sic)) graças ao apoio irrestrito de Rubem Valença (então presidente da Fundarpe) e a Luiz Otávio (secretário da Fazenda do governo Joaquim Francisco). Foram eles que instituíram o prêmio Ary Severo, que resultou anos depois na política fomentadora do cinema pernambucano, bancada pelo saudoso governador Eduardo Campos. Quanto ao “Baile”, a Fundarpe colocou muita grana para o filme sair. Para o JC, a retomada do cinema pernambucano nasceu do nada, de geração espontânea, fruto da cabecinha delirante e esotérica de Lírio Ferreira e Paulo Caldas.

Além de não fazer referência a esses fatos, numa recaída stalinista de passar o borrão na HH

 História, o JC avança ainda mais para confundir o leitor. Abre espaço para o cineasta Cacá Diegues (que, ao lado de Paulo Caldas e Walter Moreira Salles, ostentam o título de piores diretores da atualidade). Cacá Diegues recomenda aos cineastas da terra de altos coqueiros a abandonar o nome “cinema pernambucano”, e sim adotar o de “cinema feito em Pernambuco).  Uma malandragem carioca para, em nome de um falso cosmopolitismo (outra vez, a linhagem falseadora), enganar os otários que moram à beira do Capibaribe. O JC esquece, mais uma vez, que a retomada do cinema pernambucano só foi e é possível graças à política incentivadora (leia-se: grana) do governo do Estado (que vem lá de trás, como já mostrei). É o que o redivivo Roberto Magalhães chamava de “dinheiro azul e branco”. Portanto, olho no Cacá Diegues. Ou melhor, olho nele! Olho no azul e branco!!

Quanto ao “Baile Perfumado”, que a matéria do JC atribui como marco fundador, a rigor, nem chega a ser um longa-metragem. Não passa de uma média-metragem. Como não havia sequências suficientes para chegar ao teto mínimo exigido de 80 minutos, os diretores foram inteligentes, enxertaram uns 15 minutos de agradecimentos, para assim fechar a conta. O filme não tem final, o que é estranho. Uma das sequências, praticamente na abertura do “Baile”, é um plágio descarado de uma das sequências do roteiro original do “That´s a lero-lero”, escrito por mim. No plano-sequência, o secretário de Padre Cícero, o árabe Benjamin Abraão, troca de roupa, sem cortes. O sempre esperto-híbrido Lírio Ferreira contrabandeou o plano- sequência (quando Orson Welles troca de roupa sem cortes) para o “Baile” e nem disse obrigado. Quanto ao Lampião, interpretado por um ator paraibano, o historiador Frederico Pernambuco o execrou. Achou o Lampião do “Baile” completamente fake, e o comparou como uma cópia de mau gosto do Lampião de “O cangaceiro”, de Lima Barreto. Um horror sertanejo.  A matéria do JC não fala disso.

Nos anos 70/80, um relatório do SNI, o então serviço de informação da ditadura, considerava a Imprensa pernambucana a mais conformista do Brasil.  Certamente, os tempos mudaram. O caderno cultural do JC faz hoje o jornalismo mais água com açúcar do país. O único compromisso é ressuscitar a indústria do disco. Por falar nisso, o vocalista Frejat, do Barão Vermelho, declarou, recentemente na Folha de São Paulo, que nunca mais vai lançar disco físico. E mais: tem horror a essa onda de vinil. Olho no Barão, sabe das coisas. Quando o jornalismo falseia a História, os leitores/assinantes do JC devem mandar flores para o túmulo de Stalin. 


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ENEAS DA SILVA AMARAL JUNIOR

ATENÇÃO!!! ATENÇÃO!!! COXINHA MORRE DO CORAÇÃO DEPOIS QUE LEU A MANCHETE: LULA RECEBEU PRÊMIO INÉDITO DE ESTADISTA GLOBAL EM DAVOS O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum. Conforme a organização do evento, o prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo. \"O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade\", disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab.

ENEAS DA SILVA AMARAL JUNIOR

TUCANALHA FALANDO DE MORALISMO, HONESTIDADE E ÉTICA NA VIDA PÚBLICA...UÉÉÉÉ!!!! DÁ VONTADE DE VOMITAR NO PÉ DE VOCÊS COXINHAS ACÉFALOS!!!!

ENEAS DA SILVA AMARAL JUNIOR

A PORTA DO INFERNO TEM NOME (Trensalão e Furnas): o lento desenrolar dos escândalos tucanos na Justiça. Processos envolvendo tucanos ou ocorridos durante gestões do PSDB não avançam. um documento de cinco páginas divulgado pela revista Carta Capital em 2006 que trazia os nomes de políticos supostamente agraciados com contribuições de campanha frutos de um esquema de caixa dois envolvendo a Furnas Centrais Elétricas, empresa de capital misto do setor elétrico, subsidiária da Eletrobras. No total, 156 políticos teriam recebido 40 milhões de reais no pleito de 2002 – 5,5 milhões teriam irrigado a campanha de Aécio Neves. Geraldo Alckmin e José Serra também apareciam na planilha. Os tucanos sempre questionaram a autenticidade do documento. Por outro lado, laudos da Polícia Federal apontaram para a legitimidade da lista.




19/09


2016

Lágrimas de crocodilo

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Cristo chorou, diz o versículo mais triste da Bíblia Sagrada. Chorou diante dos desatinos da humanidade. Jesus chorou por seu amigo Lázaro e pela tristeza das irmãs dele antes de o ressuscitar. Chorou porque os amava. Chorou ao saber que Jerusalém seria destruída e chorou no Calvário ao perceber que a morte se antecipava. E “Consummatum est”, tudo está consumado, a triste sina dos mortais.

O sapo vermelho chorou lágrimas de crocodilo diante das cruzetas do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá, porque ele ama os empreiteiros da OAS, não ama os procuradores do Ministério Público Federal e não ama jamais a vara do juiz Sergio Moro.
Depois das lágrimas de crocodilo, o bicho deu cambalhotas e gargalhadas e blasfemou:

-- Eu sou invencível. Só perco uma olimpíada presidencial no Brazil para Jesus Cristo. Não perco nem para Lázaro ressuscitado, nem para Moisés, nem para São José, nem São João dos carneirinhos, nem para os 12 apóstolos, nem os Santos Evangelistas Marcos, Mateus, João e Lucas, nem para o Papa Francisco, nem o Padim Ciço, nem o cantor Safadão, nem a Madre Tereza de Calcutá, nem o Cangaceiro Lampião, nem JK, nem Getúlio, nem para a mãe de Pantanha. 

E disse mais: se encontrarem um milhão de denários em minha cueca, eu prometo caminhar a pé deste o Sitio do Pica-Pau Amarelo de Atibaia e do apê triplex de Guarujá até a pousada dos hóspedes em Curitiba e BSB onde se encontram os guerreiros do povo brasileiro Dirceu, Valério, Delúbio e o compadre Bumlai.

O sapo jurou por todos os santos, orixás, pais de santos e mães de santo, ser mais honesto e generoso que o Negrinho do Pastoreio,  Cobra Norato, o Curupira, o Boitatá, o Boto Cor de Rosa, a Comadre Fulozinha, o Saci Pererê, o Pássaro Azul, o Pai do Mato, o Jacaré Luminoso, o Boi Serapião.  

Depois de tantas batalhas para aprovar o Impichi, estamos livres da mundiça vermelha. E agora? Que o partido do cordão encarnado se transformou num antro de corrupção, não existe nenhuma dúvida. Os vermelhos somaram, multiplicaram e elevaram corrupção à potência máxima. Havia campo fértil.

Depois do Impichi haverá um refrigério na economia, é natural. A desagregação social, aí são outros quinhentos.
E ovo da serpente continua existindo. A sociedade brasileira está doente, doente crônica, padece de muitas mazelas. O nosso dia a dia está contaminado pela corrupção, violência, injustiças, arrogâncias, burocracia e abusos de todos os poderes. Vivemos sob o signo de Macunaíma, o herói sem caráter, e Pedro Malasartes.

Este é um país escalafobético feito as republiquetas africanas. A violência é uma forma de corrupção moral, corrupção dos costumes. Uma sociedade que comete mais de 40 mil assassinatos por ano em tempos de “paz” vai além de todos os limites civilizatórios. Não me venham falar em modernidade e avanços sociais. As degradações é que avançaram em todas as áreas, sociais, culturais e morais.
Pessimismo? Olhai os lírios dos campos, olhai ao redor dos vossos umbigos. Celular, Internet, Pokemon e torcidas organizadas -- isto é avanço? Avanço é esgotamento sanitário, saúde e paz social.

 * Jornalista

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ENEAS DA SILVA AMARAL JUNIOR

ATENÇÃO!!! ATENÇÃO!!!! DESAFIO QUALQUER COXINHA ULTRA RADICAL ASSISTIR ESSE VÍDEO E CONTINUAR SENDO COXINHA.( A PRIVATARIA TUCANA,GLOBO,FHC,AÉCIO , JOSÉ SERRA, ALOYSIO NUNES, TRAIDORES) https://youtu.be/L3VTSxWTvjI

josé arnaldo amaral

B R I LH A N T E ! ! !




12/09


2016

A seita da mundiça vermelha

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Do alto destas montanhas, eu pergunto a mim mesmo: por que, Zeus do céu, diante de tantas e quantas patifarias praticadas, provadas e comprovadas, tantíssimas criaturas revelam-se ortodoxas ou fanáticas, apaixonadas pela mundiça vermelha? Qual o mistério do além? Qual o mistério atômico, quântico ou magnético? O escritor português Camilo Castelo Branco escreveu dois clássicos da literatura chamados “Amor de perdição” e “Amor de salvação”. Digamos que são os pêndulos da humanidade.

Conheci o grande Camilo ao viajar nas nuvens do tempo, em Lisboa, idos de 1850, se não me falha a retentiva. Ele era um cara muito namorador e sofredor, uma alma boa e generosa. Naquele tempo ainda não havia o PT, nem socialismo, nem comunismo, nem a caterva vermelha, nem nazismo, nem essa mundiça do cordão encarnado.

Mas, o bicho já estava ligado nos descaminhos da humanidade. Quando ele lançou “Amor de Perdição” numa tarde de autógrafo na livraria Cultura da Jaqueira, eu perguntei: “Camilo, o teu romance é sobre os fanáticos ideológicos de todas as laias?” Ele disse que sim, eu zuro por Zeus. Ainda hoje ele vive deambulando nas ruas de Lisboa e recentemente eu encontrei com ele nas montanhas da Jaqueira à procura de Pokemons na Internet. Delirar é preciso.

A bordo do aplicativo capitalista WhatsApp, eu conversei com um cara chamado Luiz Fernando Ponde, professor de Filosofia da USP e formado em Tel Aviv, sobre os dogmatismos da esquerda. Ele falou mais ou menos o seguinte: A esquerda radical virou mais ou menos uma seita, uma obcessão, em que as pessoas se julgam herdeiras de um messianismo sem Deus, ou cujo Deus é a história perfeita. Ao aderirem a essa seita messiânica, seja o PT, o comunismo, ou o bolivarismo, as pessoas se refletem no espelho como se fossem apóstolos do bem. Ou direi, acima do bem e do mal. A história da filosofia e da moral prova que isto é uma auto-ilusão e o bem se transforma em instrumento do mal. Os genocídios praticados pelo comunismo e pelo nazismo provam esta verdade histórica, digo eu. Comunismo e nazismo se equivalem em genocídios na historia da humanidade, está provado.               

A vida é um turbilhão de paixões, eu direi aos meus discípulos do alto destas montanhas da Freguesia dos Aflitos.
Eu mesmo sou apaixonado por Marisa Monte, Elis Regina, Michael Jackson do Pandeiro, Lua Gonzaga, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Manuel Bandeira, o poeta Augusto dos Anjos e dos pecadores, Cole Porter, Billie Holiday e minha noiva predileta Janis Joplin. As minhas musas e meus passarinhos das letras e dos trinados musicais são criaturas abençoadas por Zeus e bonitas por natureza.

Também adoro a Tiazinha Rita Lee, porque as pedras que rolam não criam limo, rock n’roll. O ex-compositor Chiquinho, tiozinho das meninas e meninas do coração que se dizia valente, perdeu os encantos está atolado nos caminhos da perdição do cordão encarnado. Estava à toa na vida, o Mensalão, o Petrolão, mil patifarias da mundiça vermelha passaram na janela, mas os olhos verdes de Chiquinho não viram, seus ouvidos não ouviram e seu coração não se compadeceu da corrupção no Brazil. O coração de Chiquinho tem acampamentos do MST, sapos e jararacas vermelhas de estimação. 

Minhas paixões são sortidas, de Marisa Monte a Janis Joplin, Charles Chaplin e Nelson Rodrigues. Mas, to fora dessa diversidade que se apropriou do símbolo universal do arco-íris. O arco-íris é um prisma, essa gente não tem o direito de impor a ditadura de minorias.  
Zeus me livre de ter paixões bairristas ou provincianas. Nelson Rodrigues, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos e dos pecadores e Michael Jackson do Pandeiro são auriverdes e universais.

* Jornalista

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ENEAS DA SILVA AMARAL JUNIOR

ATENÇÃO!!! ATENÇÃO!!!! DESAFIO QUALQUER COXINHA ULTRA RADICAL ASSISTIR ESSE VÍDEO E CONTINUAR SENDO COXINHA.( A PRIVATARIA TUCANA,GLOBO,FHC,AÉCIO , JOSÉ SERRA, ALOYSIO NUNES, TRAIDORES) https://youtu.be/L3VTSxWTvjI




11/09


2016

Lula faz grande arrastão no Cabo

Líder em todas as pesquisas, o candidato doPSB a prefeito do Cabo, Lula Cabral, arrastou, na manhã de hoje, milhares de pessoas que o acompanharam da Charneca até Pirapama, numa caminhada de 5 km. Festejado por onde passou, Lula parou diversas vezes para atender o pedido de populares, que solicitavam uma selfie. Na sua fala, agradeceu a presença de todos e afirmou: "O povo do Cabo já decidiu por quem tem experiência comprovada. Por quem já mostrou que sabe fazer. O Cabo vai voltar a ter prefeito." 
No próximo domingo, 1Ponte dos Carvalhos será invadida pela onda vermelha.


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07/09


2016

No feriado, Anderson faz adesivaço em Piedade

O candidato a prefeito de Jaboatão pelo PR, Anderson Ferreira, aproveitou o feriado desta quarta-feira (7), Dia da Independência do Brasil, para, promover um adesivaço na orla de Piedade. Lá, ressaltou a história do município. “O dia de hoje nos lembra fatos que orgulham a nossa cidade. Jaboatão foi palco da Batalha dos Guararapes, símbolo da liberdade de nosso País e da união das raças”, disse, acrescentando que “gostaria que o povo tivesse mais motivos para se orgulhar”.

De acordo com o candidato, o Dia da Independência representa uma oportunidade para a população fazer uma reflexão sobre as eleições de outubro. “Nessa eleição podemos votar diferente, tomar o destino em nossas mãos, construir um futuro melhor para todos. O grupo da Prefeitura está aí há oito anos, tempo suficiente para sabermos que só com uma verdadeira mudança, as famílias de Jaboatão terão de volta o respeito e a dignidade que merecem”, destacou. 

Anderson disse ainda que esse resgate só poderá ser feito por meio de programas que olhem para as pessoas, como o Saúde que Funciona, a Escola de Verdade e Família sem Drogas. “A independência de uma população vem por meio de uma educação de qualidade. Vamos trabalhar para que o povo de Jaboatão seja mais feliz e mais realizado”, afirmou.


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05/09


2016

Meu amigo Geneton

Escrever sobre o amigo morto talvez seja uma oração absolutamente inútil. Escrever ao amigo morto talvez seja uma tentativa inútil de reparação à orfandade das palavras. A amizade, tão incomum, agora subjugada aos lugares-comuns do luto: a cada dia a sua dor, pranto, perda, ausência, presença imaterial, reminiscência. Mas, ante o nada que passa a se impor ao cotidiano, a memória substantiva reluta a soçobrar. Um consolo, ou quase isso.

Geneton Moraes Neto foi o primeiro jornalista que conheci. Ele tinha 18 anos, eu 23. Estudávamos juntos, numa sala apertada do primeiro ano de Jornalismo da Unicap. Em 1974. Sorte minha. O primeiro jornalista era o melhor e o mais talentoso de toda uma geração. Impressionava-me que, aos 18, Geneton já era um excelente repórter, profissionalizado, contratado do Diário de Pernambuco. Impressionava-me mais ainda Geneton assinar uma coluna, aos domingos, a Geleia Geral. Uma coluna moderníssima, espaço assegurado e replicante de toda a cena underground e de resistência da contracultura pulsante do Recife dos anos 70. Leitura obrigatória para quem queria ficar ligado nas coisas que aconteciam.

Geneton também foi o primeiro jornalista que conheci acossado pela ditadura. Certa noite, dois serviçais do regime militar foram buscá-lo na sala de aula. Os fotogramas permanecem claros ainda hoje na minha mente. Mal vestidos, como detetives fugidios de um filme de Godard, os meganhas levaram Geneton, que se manteve o tempo todo sereno. Uma noite completa de interrogatório. Os tiras godardianos queriam saber quem eram os estudantes que iam fazer um show num Diretório Acadêmico, notinha dada na avant-garde Geleia Geral. Geneton sequer os conhecia. Uma notinha inocente, pura e besta implicava em alto risco (caso Herzog, entre muitos outros). Ficou por isso, descontando a noite tensa e perdida nos corredores da repressão.

Por essa época, Geneton também sofreu uma tentativa de agressão física. Um jornalista de extrema-direita (existia, sim. e não eram poucos) partiu para cima dele, tentou queimá-lo com um cigarro (fetiche de torturador). Gratuitamente. Gratuitamente, não. O fascista se incomodava com a liberdade e a beleza dos textos de Geneton. No entanto, Geneton, despojado de qualquer fantasia de maquis, jamais deu relevância biográfica a esses e outros incidentes. Heroísmo zero.

Mas foi o cinema, e não o jornalismo, que nos uniu. Amizade que se tornou inquebrantável até o último dia de vida dele. Fizemos logo um curta-metragem em super-8, o “Isso é que é”, um libelo anti-imperialista, pop, inspirado num poema-processo, bem de vanguarda. Os atores, nossos colegas de sala. O jingle da Coca-Cola, lindo, serviu como trilha sonora.

Depois, no início dos 80, ele foi trabalhar na TV Globo, e me levou. Radicalizamos. Fundimos jornalismo com cinema, criamos uma nova linguagem, sob os olhares cúmplices de Roberto Menezes, Ricardo Carvalho e Paulo Cunha. Um dia, a milícia dos medíocres, nossa permanente inimiga comum, decretou o fim da saturnália televisiva. Ao longo dos anos subsequentes, juntos topamos vários confrontos. Animadas trincheiras. Sempre contra a volante dos obtusos, fâmulos da iniquidade. Mas Geneton não desistiu. Transformou, por exemplo, a experiência da sopa primordial do Morro do Peludo numa obra originalíssima, impactante, em que as fronteiras entre jornalismo e cinema se volatizaram, e que se tornou marca personalíssima de seu trabalho em televisão. Reconhecida por todos os grandes mestres da TV brasileira. Geneton levou às últimas consequências a lição antropofágica de Oswald de Andrade: “A poesia está nos fatos”.

“É de bom tom, ligar para Geneton”. É assim que o grande repórter Joel Silveira dava alô quando falava com Geneton ao telefone. Aos domingos à noite, invariavelmente, Geneton me telefonava. Ligação de uma hora. Como não assisto televisão e nem sou assinante da Globonews, Geneton me contava, em detalhes, as entrevistas que fazia com generais, artistas, escritores, astronautas. Eu era sempre o primeiro a ouvir a entrevista, e também o primeiro a “ver”. E muito antes de ser veiculada. Um ritual que se repetia, sem descontinuidade. Mas os telefonemas dominicais também eram longas sessões de risada. Com humor cáustico, ríamos de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos. Não sobrava ninguém. Comigo, ele ria, sempre. Era de bom tom.

Mesmo sabendo do impacto que as entrevistas de Geneton na televisão causavam no público, eu não tinha noção do que isso representava no seu dia a dia. Numa das suas passagens pelo Recife, fomos jantar num restaurante. Conversamos horas, e quando fomos pagar a conta, ia iniciar um show. A cantora descobriu Geneton, anunciou a presença dele para os comensais, fez uma minientrevista, e todo o restaurante se levantou e o aplaudiu de pé. Confesso que fiquei surpreso. Não sabia que Geneton tinha se tornado uma verdadeira celebridade. A sequência das andanças, confirmou: abordagens, tietagens, assédios, selfies. O caçador virou caça. Geneton era agora uma celeb. E ele curtia, sempre solícito e paciente. Ótimo e divertido.

Eu tinha uma dívida com Geneton, que nunca consegui pagar. Certa vez li a declaração de um astronauta americano, em que ele dizia a seguinte frase: “a Terra é a colônia penal do universo”. Num texto, inseri a sentença dantesca do astronauta, creditando-a, mas sem nominá-lo. Simplesmente, não lembrava mais do nome dele, só da frase. Durante anos, Geneton, obsessivamente, me cobrou a identidade do astronauta. É claro, queria entrevistá-lo. Jamais consegui lembrar o nome do americano que foi ao espaço e descobriu o planeta como a colônia penal do universo. Por minha negligência jornalística, Geneton perdeu mais uma grande entrevista. Hoje, mais do que antes, sinto sutis travos de culpa.

A hagiografia tende à condescendência com os que já deram adeus à colônia penal. Não é o caso. Quem conviveu com Geneton sabe que ele tinha muitas qualidades pessoais. Naturais, sem afetação. A generosidade, uma delas. Comigo, então, era infinita. Manifestava-se de forma permanente, sem interrupção, em qualquer situação, espontaneamente. O cuidado que ele tinha comigo, muito mais de irmão do que propriamente de amigo, era bem superior ao que possa ter tido com ele. E isso ao longo da nossa amizade de mais de quarenta anos. Serei sempre grato, Geneta. Você foi o meu melhor e grande amigo por toda a vida. Que sorte minha!

Agosto, agora sim, o mais cruel dos meses. Há menos de um ano, Geneton fez um belo e definitivo documentário sobre o cineasta Glauber Rocha: “Cordilheiras a Mar - A Fúria do Fogo Bárbaro”. Como se sabe, Glauber, em 1974, apoiou a abertura política dos generais Geisel/Golbery. Não foi compreendido pela esquerda, e morreu escorraçado, tido como traidor. O filme de Geneton, um dos mais polêmicos da recente safra do cinema brasileiro, anistia o grande diretor do cinema brasileiro. Muitos dos que então o acusaram se retratam no documentário. O filme reconstrói, com a sensibilidade de um artista de quinta grandeza, a imagem do gênio revolucionário, a prevalecer sobre as circunstanciais posições políticas. O vulcão voltou a expelir larva.

Glauber Rocha morreu no dia 22 de agosto de 1981, de uma doença contagiosa chamada Brasil. “E deixe que os mortos sepultem os seus mortos”. Geneton também morreu num igual 22 de agosto. Talvez, quem sabe, de outra doença contagiosa (o jornalismo), da qual era portador desde os 13 anos de idade. O que significa esse acaso? Essa estranha (ou esotérica?) coincidência? “Meu coração continua o mesmo, é ele que me diz que tem coisas que a gente nunca vai deixar de gostar” (jingle da Coca-Cola/ 1974). Geneta, sempre vamos gostar de você.

* Jornalista


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