FMO janeiro 2020


22/06


2015

A sofrência das aposentadorias

RIBEIROLÂNDIA – A expressão “balzaquiana” vem do escritor  francês Honoré de Balzac, que transitou pelo mundo nas eras de 1799 a 1850. O bicho era um pegador e adorava degustar as mulheres “idosas” na casa dos 30 anos. Nos tempos de Balzac a Internet  funcionava às mil maravilhas com o telégrafo sem fio, pois a turma do cordão encarnado do PT ainda não havia modernizado a corrupção.

Naqueles idos do rococó os homens e as mulheres se  aposentavam mais jovens porque a expectativa de vida da população  era baixa e os caboclos mamadores ainda não haviam se apropriado das galinhas dos peitos de ouro do INSS. A Previdência era uma mãe.   As mulheres de 40 anos eram consideradas um bagaço porque não havia academia de ginástica, nem as pistas do Parque da Jaqueira, nem sites de namoro na internet, nem Facebook. Vivendo na sofrência, os velhinhos brochavam aos 50 anos, escreviam romances e caiam no choro porque não existia o Viagra e a catuaba não dava jeito.   

Aposentado pelo INSS na flor da idade aos 50 anos, Balzac começou a navegar num site de namoros na Internet para curtir as balzaquianas que viviam no caritó. Um dia conheceu uma popozuda e saiu da sofrência. Que mulher saborosa! Sofrência, nunca mais. No início do século passado, a expectativa de vida da população estava na casa dos 30 anos. Em 2012 atingimos a marca dos 74 anos, noves fora os últimos suspiros causados por susto, bala ou vício. A curva ascendente de vida, por ironia, faz parte da sofrência nos gastos da Previdência. Previdência privada é miragem elitista.     

A Seguridade Social no Brazil começou a engatinhar no final do Império e prenúncios da República, final de 1800 e nascença de 1900. O Brazil também começou a engatinhar nas primeiras letras correr de 1800, pois não havia escolas nem faculdades e nos conventos só era permitida a leitura da Bíblia. Em 1808 a Corte de Dão João 6º. já desembarcou aqui aposentada, com todos os direitos da nobreza parasitária, cheia de piolhos, lêndeas e sífilis trazidas de Portugal. 

Os caboclos mamadores vieram de longe, no tempo e no espaço. Lula se aposentou por velhice com quantos anos de idade? Antigamente não havia velhos no Brazil, todo mundo era jovem. Os únicos velhos de que temos notícia eram Ruy Barbosa, Dom Pedro I e Frei Damião. Aliás, Frei Damião já nasceu velhinho. Quando eu era menino e ouvia falar numa pessoa de 50 anos pensava que ela já tinha a idade dos profetas. Até o início do século 20 as pessoas morriam velhíssimas com 40 e poucos anos.

Atualmente o papaizinho aqui eu estou com 105 anos de idade, sou um jovem aposentado da Previdência Social e me sinto seminovo em folha, graças a Zeus. Meu sonho de consumo é viver até a idade de Matusalém, a bordo de uma popozuda, só para me vingar do fator previdenciário que surrupia mais de 20 % do meu salário milionário.       

As feministas adoraram “A mulher de 30” e o post dele no Face virou um dos memes da temporada. As balzaquianas e as cocotas se  ofereciam para tirar selfies com Balzac no lançamento do livro na Livraria Cultura, na Livraria Jaqueira e na Livraria Imperatriz. Balzac bombou nas colunas sociais.  

As balzaquianas a cada dia rejuvenescem mais, namoram mais, vivem mais, trabalham mais, pintam e bordam e entram na fila da  aposentadoria. Os marmanjos casam mais, se amigam mais, curtem as coroas e as cocotas nas páginas do Facebook, malham nas academias, entram na onda, e haja aposentadorias. Nós, os seminovos, com mais de 60 anos, já somos mais de 26 milhões de cabeças no País e mais de 3 milhões na faixa dos 80 anos. 

Os fundos de previdência de Estados e Municípios vivem no vermelho desde sempre. Os caboclos mamadores meteram a mão.  O Brazil é um País de castas, as castas dos servidores públicos da magistratura, do Judiciário. Mexer na aposentadoria da rafaméia da Previdência é fácil, mexer nos ovos e nos ovários de ouro das castas é o xis do problema. Essa gente desfruta de mega, hiper ultra aposentadorias obscenas, a pretexto de direitos adquiridos.

* joseadalbertoribeiro@gmail.com 


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Prefeitura de Serra Talhada


18/06


2015

Adeus, castidade compulsória

* Marcelo Alcoforado

Houve tempo, ainda bem que agora distante, em que a partir de certa idade as delícias do sexo estavam vedadas aos homens. A palavra crucial era ereção, vergada pelo peso dos anos. Em cenário tão frustrante, a chegada do Viagra foi a libertação. Os grilhões dos anos estavam rompidos, e enfim decretado o fim da castidade compulsória. Mas como ficavam as mulheres, estoicamente resignadas ante o mesmo mal?  

A resposta demorou, mas chegou. Especialistas recomendaram aos órgãos reguladores norte-americanos a aprovação da droga flibanserin, estimulante da libido feminina, desde que os fabricantes adotem medidas que garantam a segurança da medicação. 

Trocando em miúdos, isso significa que em breve estará no mercado um, digamos, "viagra feminino", embora existam interações negativas com o álcool, como sonolência, e dor de cabeça. Há que se perguntar: que mulher irá preferir uma taça de vinho ou um cochilo a um sexo pleno e gratificante? Ademais, será a primeira vez que a dor de cabeça virá depois do sexo, e não antes, como costuma acontecer no mundo inteiro como forma de evitar esse doce embate, em que ambos os lados saem ganhando.

Em síntese, o flibanserin dará pela primeira vez uma alternativa às mulheres com baixo interesse sexual, gerando um alto interesse para os homens. A afinidade com o Viagra é tão grande, que suas propriedades afrodisíacas da droga foram descobertas acidentalmente ao ser testada como antidepressivo, como ocorreu com o Viagra, que estava destinado a ser um medicamento para combater a hipertensão, e terminou beneficiando a rima.

Claro que nem todos se empolgam com o achado. Para alguns, a complexidade emocional da sexualidade feminina e os problemas derivados dessa condição não têm, com frequência, causas médicas, equivalendo a dizer que talvez o assunto possa ser contornado com palavras. A propósito, Al Capone, grande bandido e grande frasista, dizia que se podem conseguir muitas coisas com uma palavra amável, mas com uma palavra amável e um revólver se conseguiria muito mais.

Então, que sejam trocadas as mais doces palavras e as mais suaves carícias, mas que, por via das dúvidas, não se deixe de lado o flibanserin. Ele promete ser tiro e queda.

Para assinar, indicar um amigo ou cancelar sua assinatura de A Propósito envie e-mail indicando a opção desejada para

* Jornalista - marceloalcoforado@qicom.com.br 


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Abreu e Lima - Prefeitura - Abreunozap


15/06


2015

A gente somos brazileiros

José Adalberto Ribeiro

RIBEIROLÂNDIA – Os nervos e os neurônios estão à flor da epiderme. Reina a radicalização. Navegamos em tempos de tempestades políticas, sociais e institucionais. Amanhã o que será, que será? Um passarinho me contou e um passaralho me avisou: vamos navegar noutros mares. Bicho grilo, lá vou eu a bordo do meu submarino surreal, no reino do Brazil com Z. Voilá!   
Eu sou um conservador revolucionário, um subversivo conservador. Mim achar que Brazil deve ser escrito com Z. O “S” é uma letrinha fraca, Z é uma letra irada, é fera.

Nos tempos de Pedrálvares os índios chamavam de Pindorama. Depois virou Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz. Existiu até o nome “Terra dos Papagaios”, segundo o Doutor Google. Nos anos 1930 do século passado os velhotes da Academia Brazileira de Letras disseram que o Z era arcaico, deram um golpe de Estado ortográfico, adotaram o “S” em nome da modernidade.
Antonio de Castro Alves, Ruy Barbosa, Augusto dos Anjos e dos pecadores, Machado de Assis, os luminares de nossas letras escreviam Brazil com Z. Sou fiel aos meus ídolos. Quando eu crescer e for eleito imortal da Academia Brazileira de Letras no lugar de Ribamar Sarney, vou lançar esta tese revolucionária.

Meu nome é Zé, da tribo da Ribeirolândia. A gente somos primos da turma dos Chimpan-Zés. Somos todos Zés desde os saudosos tempos das cavernas. Sou saudosista das cavernas. Não torço por nenhum time, aliás, torço contra todos os times, principalmente contra a seleção da CBF. Adorei a goleada de 8 a 0 da Alemanha contra a seleção da CBF (8 a 0, sim, pois o gol da seleção da CBF devia ter sido anulado, no meu entender). Se seleção da CBF jogar hoje ou amanhã contra qualquer time, eu torço contra, com todo meu patriotismo.

Ainda sou um animal das cavernas. Meu sonho de consumo existencial é morar numa caverna com ar condicionado, frigobar, internet e uma namorada popozuda para me fazer cafuné. Estou num site de namoros procurando a freguesa para fazer um test-drive. 
Gostaria de convidar os valentes imortais da Academia Pernambucana de Letras para uma cruzada revolucionária em defesa do Z. Se o meu amigo a Frade Joaquim do Amor Divino Caneca fosse vivo, tenho certeza que ele entraria nessa batalha, pois sempre foi um irredento, como dizem os intelectuais.

Vou falar com o Doutor Alvacir Fox, o meu Google de Apipucos para assuntos de letras científicas. 
O Parque 13 de Maio e o Parque da Jaqueira são alguns dos pulmões de civilidade desta cidade lendária, o primeiro construído a mando do interventor Agamenon Magalhães para abrigar o Congresso Eucarístico mundial em 1938 e o segundo urbanizado pelo pref Joaquim Francisco em 1985 na resistência contra paus e pedras da especulação imobiliária dos arranha-céus. O terreno da Tamarineira continua em ponto morto.

Eu não me ufano da poluição sonora dos batuques e do som infernal nas vizinhanças e nos condomínios que transforma esta aldeia recifense numa lendária cidade tribal. As cidades civilizadas do Brasil e de outros países se ufanam parques e largas avenidas que proporcionam mobilidade urbana e qualidade de vida.

Aqui nesta terra dos altos coqueiros os progressistas são muito conservadores. Se você escrever o nome do mestre Gilberto Freire sem Ypsilone, será chamado de ignorante e jamais será eleito imortal da Academia de Letras, nem morto. Se disser que a rapadura-bolo-de-rolo-souza-leão não é uma quintessência da culinária universal, vão querer cortar sua língua.

Também fica decretado em nome da tradição dos topônimos, em louvor ao licor de pitanga de Apipucos e aos brasões das academias, que todíssimas criaturas são obrigadas a falar, escrever e pensar “no”, “do” e “o Recife”. Eu só reverencio o topônimo se tiver direito a desconto no carnê do IPTU.

Tô fora desses provincianismos mambembes. Ao invés de topônimos e rapaduras, quero mais é saber das questões macroeconômicas e macropolíticas essenciais para a sociedade.

* Jornalista - joseadalbertoribeiro@gmail.com


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Banco de Alimentos


12/06


2015

Governados por assassinos e ladrões

* Márcio Accioly

O Brasil é o país da mesmice, que se repete ad aeternum e sobre o qual as mesmas coisas são escritas todos os dias sem que se tome qualquer medida saneadora. Aqui, nada deu certo e jamais dará. O país produz certo cansaço porque basta repetir diariamente tudo aquilo de mais desmoralizante que já se escreveu sobre ele, seja nos últimos dias, meses ou ano, pois os fatos são recorrentes e a população se acostumou à bandalheira. Ninguém possui a menor noção de dever, direito ou cidadania.

Diariamente, basta se adicionar ao noticiário o escândalo atual. Ele terá a mesma característica dos demais e os mesmos personagens. O que de melhor aconteceu no Brasil foi a internet, porque agora sabemos nomes e detalhes dos assaltantes do dinheiro público, embora eles cumpram penas ridículas e continuem roubando com a vantagem de poder sair da cadeia no dia dos pais, das mães, dos namorados e dias assemelhados, já que os próprios ladrões na maioria esmagadora dos casos é que elaboram as leis.

Mas o pior de tudo é verificar que quem deveria dar declarações sensatas e enriquecer o nível de informação das pessoas concorre para desmontar a ordem e desmoralizar as instituições. O jornalista Paulo Francis (1930-97) escreveu há muitos anos um artigo na Folha de S. Paulo em que dizia que as pessoas costumam ficar de queixo caído quando enxergam alguma celebridade nas ruas e tendem a seguir seus conselhos por mais disparatados.

Dizia, ainda, que acompanhava entrevistas concedidas por tais celebridades e o que impressionava era o grau de desconhecimento exibido a respeito de tudo, o vazio cultural e a desinformação plena. Às vezes, aparecia algum que sabia das coisas, mas que optava deliberadamente pela mentira, gravitando em torno dos próprios interesses. Outros, ao contrariarem forças corporativas, corriam o risco de exclusão de contratos ou vantagens que pudessem auferir. O mundo, finalmente, pertence aos medíocres!

Ele se referia a famosos atores e atrizes de cinema que, pelo simples fato de aparecerem nas telas, eram considerados como deuses, ditando normas, regras e padrões. De lá para cá, nada mudou. O agravante é que a televisão jogou para dentro dos lares das pessoas uma cambada de marginais impondo posturas e valores, inclusive de natureza sexual, banalizando a pornografia e mudando as referências que transformaram o Brasil do século XXI num bordel de quinta categoria!

Seria ótimo ouvir argumentos convincentes contrários, porque existe o convencimento de que a Rede Globo comanda, desde a sua fundação (fraudada com a bênção do regime militar, 1964-85), este horror em que se transformou nossa desmoralizada República, casa de prostituição e pouca vergonha onde não há referência moral nem difusão de atitude que se possa louvar.

Pior: a emissora não consegue enxergar o óbvio, atolada na podridão moral que escolheu, pois será engolfada pelo mar da insatisfação geral que um dia virá no ritmo de alternância cuja estrutura dialética se constitui na essência do próprio funcionamento do nosso mundo. Pois esqueçam Chico Buarque, louvando as misérias de Cuba e os crimes impunes de Fidel Castro e o fedorento Che Guevara.

Esqueçam o ator global petista Paulo Betti, justificando a roubalheira do PT e dizendo que Lula da Silva, o Lularápio, teria de “colocar a mão na merda” para fazer política (ele se banhou nela). Vejam o vídeo que corre no facebook, onde o ator global petista Sérgio Mamberti diz que a manifestação de quase dois milhões de pessoas na Avenida Paulista (SP) foi um “convescote de rico”. Ele ainda convoca os Black Blocs, deixando claro que é a tropa de destruição do PT, assumindo isso.

Tem gente que envelhece e não aprende nada. O que se pode esperar deste país?


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08/06


2015

Cassetetes e contracheques

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a greves de professores nos mais diversos estados e cidades. Pode-se estimar em milhares o número de aulas perdidas e em milhões o número de alunos sem aulas ao longo de anos. Não é necessário ter imaginação para perceber as consequências da falta das aulas na formação dos estudantes e as consequências dessa má formação para o futuro do país.

Apesar disso, o país não percebe o risco. Ainda mais grave é o fato de pais e professores dizerem que as escolas são tão ruins que a ausência de aulas não faz falta. Muitos pais lamentam as greves apenas porque seus filhos não têm onde ser deixados. Outros lamentam apenas porque os filhos ficam sem merenda.

 A população brasileira indignou-se com a violência contra professores nas ruas de Curitiba, na tarde do último 29 de abril. Ver policiais correndo em perseguição a professores, espancando e ferindo dezenas deles, indignou e envergonhou os brasileiros e causou repercussão negativa aos olhos do mundo. Mas há séculos o futuro do Brasil vem sendo espancado pela má qualidade das nossas escolas.

Nossos professores são agredidos silenciosamente pelos contracheques jogados sobre eles. O Brasil foi espancado visivelmente em uma tarde em Curitiba, mas tem sido vítima de maneira não percebida pelos maus-tratos diários aos professores, às escolas e aos alunos. Igualmente grave é o fato de que as greves só ocorrem nas escolas públicas, onde estão os filhos das camadas mais pobres, ampliando assim a desigualdade na qualidade da educação conforme a renda das famílias. Cada greve aumenta a brecha na qualidade da educação das crianças filhas de pobres em relação às filhas de ricos.

 Sem bons salários é impossível atrair para o magistério os mais preparados jovens da sociedade; e sem boas condições de trabalho para o professor — conforto e equipamentos nas escolas — é impossível atrair o interesse dos alunos.

 Mesmo assim, como pedir aos professores que não façam greves, se os salários estão entre os mais baixos do mundo e entre menores no universo dos profissionais com a mesma qualificação no Brasil? Como pedir aos docentes que não façam greve, quando as aposentadorias são modificadas em prejuízo de seus direitos?

 A saída não é impedir as greves; é fazê-las desnecessárias. Precisamos desarmar a necessidade de os professores serem obrigados a recorrer à greve. Embora seja sabido que os sindicatos muitas vezes têm interesses políticos na declaração de greves, seja para fortalecer uma corrente interna, seja por enfrentamentos partidários na política nacional e local, as greves deixariam de ser instrumento indispensável se os professores estivessem satisfeitos com os benefícios pessoais e com as condições de trabalho ao redor. Greves de professores têm características perversas quando comparadas às paralisações nos demais setores por, pelo menos, dois motivos. Primeiro: enquanto a greve do operário penaliza o patrão, a greve do professor pune as famílias. Segundo: ao voltar da greve e retomar o trabalho de onde parou, o operário encontra a matéria-prima e as máquinas esperando nas mesmas condições anteriores; os professores encontram alunos que perderam a motivação e que até mesmo regrediram. É como se nas greves de operários, além de parar a construção, eles destruíssem casas prontas.

Para oferecer um salário que permita atrair os melhores quadros da sociedade e oferecer-lhes as necessárias boas condições de trabalho, seria preciso investir ao redor de R$ 9.500 por aluno a cada ano. Raras cidades teriam condições de reservar recursos de tal porte para a educação. A única forma de parar as greves é por meio de um esforço nacional que adote as escolas e as crianças de cada cidade por meio da federalização da educação de base. E federalizar significa termos uma carreira nacional do magistério e, ainda, que o equipamento das escolas tenha padrão de qualidade elevado e equivalente em todo o território nacional.

* Senador pelo PDT do DF.


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O Jornal do Poder


03/06


2015

O título certo na mulher certa

Por Marcelo Alcoforado

Quem não se lembra do casamento do príncipe Charles com a linda Diana e seus encantadores olhos verde-azuis? Para os que testemunharam o casamento do século, transmitido pela televisão para todo o planeta, tal esplendor é inesquecível. Parecia um conto de fadas, daqueles com carruagens, príncipes e princesas. Era, contudo, real.

Como a realidade nem sempre é perfeita, talvez ainda ecoassem os murmúrios da festa quando o encantamento se foi. Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor, ainda que ao lado de uma linda mulher, não conseguia esquecer a órfã de beleza Camila Parker-Bowles, casada, um antigo e frequentemente realimentado amor. Enquanto isso, a abandonada Diana Frances Spencer se abrigava em braços não principescos, decerto não só para fugir do cortante frio londrino, mas também para aquecer o leito nupcial.

O príncipe, quem sabe proferindo a mais marcante das juras de amor, foi veemente, confessando em um arrebatamento amoroso querer ser o absorvente íntimo de sua bem-amada. A princesa, por sua vez, fascinou-se pelo brilho da noite, até encontrar a morte em uma noite de 1997.

Morta a princesa, o príncipe, enfim, estava livre. Agora, mais do que dividir a cama, Charles e Camila passavam a dividir a vida, e um amor eterno. Eterno só enquanto durasse, diria Vinicius de Moraes. O eterno, então, se fez transitório. Os suspiros apaixonados se fizeram estertores de um amor moribundo.

Aos 67 anos, Camila Parker-Bowles foi alcançada pelas câmeras de segurança de um dos canais de Londres em doce idílio com um amante.

Segundo a revista inglesa Globe, o próprio príncipe confirmou a traição e anunciou estar providenciando o divórcio. Acontece que, para assinar a separação, Camila quer ser indenizada em 320 milhões de euros, o equivalente a 1 bilhão de reais.

Pelo dinheiro e pela traição, o príncipe Charles há de (sem trocadilho) estar com a cabeça doendo. Camila, enquanto isso, vive situação extremamente cômoda. Preserva o amante e o título de nobreza, aliás, o título certo na mulher certa: duquesa de Cornualha.


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01/06


2015

O ajuste e a travessia do Mar Vermelho

* José Adalberto Ribeiro

RIBEIROLÂNDIA – O ajuste fiscal e previdenciário é imprescindível, inadiável e inevitável. Eis uma questão de racionalidade.
Os indicadores macroeconômicos do País hoje são infravermelhos. No primeiro trimestre o PIB murchou 0,2 %; 2014 foi o ano do Pibinho de 0,1 %, do tamanho de um tostão.  A inflação tá no casarão de 8,5 %, bem acima da meta dos 4,5 %. O déficit da Previdência é de 56 gigas, ou bilhões. O déficit-2014 da balança comercial somou 3,9 bilhões de dólares, pior resultado desde 1998, quando alcançou 6.6 bilhões de dólares.  

É o mar vermelho. Nos tempos bíblicos Charlton Heston, sob a direção de Cecil B. DeMille, atravessou o Mar Vermelho para livrar o povo de Zeus da escravidão. E agora, Levy? E agora, Dilma?

Nós também somos filhos de Zeus. Se não houver ajuste, vamos mergulhar de vez no mar vermelho da perdição. 
A fonte secou, a farra acabou. O Brasil está meio bêbado e meio de ressaca. Assim como não existe almoço de graça, também não existe farra de graça. A farra é mais cara que o almoço. Quem paga a conta? O maior preço para a sociedade é a recessão e o desemprego.

Ao suceder FHC, o padroeiro Lula adotou o modelo do liberalismo econômico enquanto fazia o discurso do populismo da goela pra fora. Fazer discurso é fácil, torrar dinheiro é fácil, ampliar investimentos na infraestrutura e modernizar o País é o xis da questão.
De Dilma-1 para Dilma-2 todas as contas públicas entraram na vermelhidão. E haja farra e haja malabarismos com o dinheiro público. O setor elétrico se esborrachou. A Petrobrás se espatifou.

Em 2008 o mercado imobiliário dos Estados Unidos virou uma bola de sabão e acontece um furacão na economia mundial. Para driblar a crise, o Brasil reduziu impostos e incentivou o consumo.

Depois de chorar na rampa em 2009, o PIB do Brasil deu um pinote em 2010: 7,5 % zil, zil! Milagre brasileiro? Milagre chinês!  Naquela época as matérias-primas e mangaios estavam sendo vendidas para a China a preço de ouro. O que vier de mangaio nós compra a peso de ouro, diziam os chineses: fumo de rolo, arreio de cangaia, bolo de milho, broa e cocada, pé de moleque, alecrim canela, cabresto de cavalo e rabichola, farinha, rapadura e graviola, minério de ferro, soja, alparcatas de rabicho, nhambu assado, cocada de coco, tapioca, açúcar, arroz, cacau, commodities de pavios de candeeiro e panelas de barros.

A feira de mangaios e commodities da China em 2010 animou os mercados internacionais e o Brasil entrou na dança. Mas, alegria de país remediado dura pouco.   As commodities hoje estão em baixo e são vendidas a preço de banana no fim de feira. 
O Brasil começou a pisar nos freios da economia em 2011. A taxa de investimentos caiu. Em 2012 baixaram os juros. A conta de luz baixou, milagre. E haja consumo! E haja gastos públicos!

Para fazer o dever de casa o governo precisa eliminar as gorduras abdominais. Para que serve o arsenal de 39 serventias? Os ministérios gordurosos, que existem apenas para lubrificar o eixo do sol, produzem despesas elevadas ao quadrado e resultados iguais à quadratura do círculo.

Um ativista da zoologia de libertação, com máscara de frade, disse que o erra da caterva vermelha foi ter distribuído bens de consumo – bens materiais, celulares, eletrodomésticos – ao invés de bens sociais, tipo educação e saúde. Isto é falsidade. Quem distribuiu bens de consumo foi a estabilidade monetária e a seguir a mão invisível do mercado, por expansão natural. Dizer que 30 milhões foram redimidos da pobreza, num País de 200 milhões de habitantes onde a maioria não tem saneamento básico, em permanente clima de guerra civil, isto é propaganda enganadora.

Falar em ressaca, lembrei os versos de Drummond: “Há uma hora em que os bares se fecham e todas as virtudes se negam”.   

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com


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28/05


2015

Ninguém se perde na volta...

NINGUÉM SE PERDE NA VOLTA...
Mauricio Costa Romão
Na calórica discussão sobre sistema de voto no âmbito da reforma política temos defendido insistentemente a manutenção do atual mecanismo de lista aberta no País, obviamente lipoaspirado de suas deformações mais gritantes.
Essa insistência se assenta em dois fundamentos: um de natureza teórica, mas com forte respaldo na evidência empírica, e outro de caráter pragmático.
O primeiro: não existe sistema eleitoral perfeito, ideal, puro, e não há nenhum método de divisão proporcional justo. Não há sistema eleitoral que satisfaça a todos os atributos desejáveis. Todos os sistemas eleitorais têm méritos e deméritos, vantagens e desvantagens e é inapropriado falar-se de superioridade de um sistema de voto sobre outro. De onde se deduz que a mudança de um sistema para outro envolve ganhos e perdas.
O segundo: a pulverização partidária no Congresso Nacional (28 partidos com representação), bem como a pluralidade da representação parlamentar, grande parte da qual eleita graças ao modelo de voto vigente, têm dado sinais inequívocos, já há algumas legislaturas, de que nenhuma proposta de mudança de sistema abrigaria maioria para aprovação.
Em carta ao blog do Magno Martins, publicada no dia 6 de maio corrente, a propósito de um post sobre o modelo distrital misto, expressávamos esse sentimento com muita convicção:
“Por último, Magno, como já lhe disse antes, nenhum sistema desses que estão em discussão no Congresso tem possibilidades de ser aprovado. Nenhum. Os distritais, em especial, exigem mudança constitucional e, portanto, quorum qualificado de 308 votos (3/5). Sem chances!”
Bem, agora isso tudo é passado. O Parlamento optou por não mudar de sistema eleitoral e, portanto, respaldou a permanência do modelo proporcional de lista aberta usado há 70 no País. Mas suas excelências não podem parar por aí.
É absolutamente necessário avançar no aprimoramento do mecanismo brasileiro. Existe um vasto campo de ajustes a ser explorado* e que requer apenas mudanças tópicas na legislação eleitoral infraconstitucional.
É sobre esses aperfeiçoamentos que os congressistas precisam debruçar-se o quanto antes, voltando suas atenções para o início dos debates, recomeçando tudo com uma pauta específica: promover melhorias no modelo atual.
Se ajudar, podem inspirar-se em José Américo de Almeida: “Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta”.
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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Cenário Inteligência e do Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau. http://mauricioromao.blog.br. mauricio-romao@uol.com.br

*Vide alguns exemplos em “O Brasil como laboratório de experimentos eleitorais” (Artigo nosso publicado no jornal Valor Econômico em 28 de abril de 2015)


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25/05


2015

O Haiti exporta flagelados

* José Adalberto Ribeiro, jornalista

RIBEIROLÂNDIA – Os refugiados do Haiti, famintos e à procura de abrigo, estão batendo às portas do Brasil. A questão dos imigrantes internacionais é tema angustiante hoje em todo o mundo. Um pouco de história não faz mal a ninguém.
O ditador Papa Doc foi para o inferno no dia 21 de abril de 1971, levando nas costas um turbilhão de assassinatos, torturas, assalto aos cofres públicos, desumanidades mil.

O filho Baby Doc assumiu o cargo e foi proclamado presidente vitalício para cumprir a sina terrorista do pai. O governo de terror e corrupção revoltava a comunidade internacional e os pobres haitianos. Papa Doc e Baby Doc exerciam o poder baseados no terror policial dos Tonton-Macoutes, milicianos da guarda presidencial. 

Em meio às revoltas, o sanguinário Baby Doc foi deposto do poder em 1986 e recebeu como castigo, podre de rico, desfrutar do paraíso terrestre  no exílio em Paris.

Em 2010 um terremoto de proporções catastróficas deixou mais de 200 mil mortos e 2 milhões de desabrigados. Mais que as convulsões da natureza, os regimes de terror de Papa Doc e Baby Doc, a corrupção epidêmica e a violência transformaram o Haiti no País mais pobre do Continente e um dos mais indigentes do mundo.

A maior favela do País, Cité Soleil, na capital Porto Príncipe, é considerada um dos locais mais violentos do mundo. Serve de reduto para o proselitismo do padre Jean Bertrand Aristide, ex-presidente deposto e não por coincidência ligado à falsa teologia da libertação.
Depois do terremoto, os olhos de fogo do sanguinário Baby Doc começaram a faiscar nas caldeiras do inferno em 4 de outubro de 2014. 

Mais que o terremoto de 2010, a maior devastação no Haiti foi causada pelas ditaduras de Papa Doc e Baby Doc, de 1957 até 1986.  
As fortunas roubadas pela família Papa Doc e transferidas para o exterior nunca foram repatriadas. A maior punição seria confiscar a herança dos herdeiros pelos tribunais internacionais.

Em meio a tanta pobreza e devastação, a ONU estabeleceu a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), com efetivo de 6.700 homens de diversos países, inclusive o Brasil. Na Europa a atriz Brigite Bardot defende os direitos humanos de cães e gatos e a cidadania da França para os franceses, noves fora árabes e africanos. É chamada de direitista, junto com Le Pen.

Nenhum país é capaz de redimir a miséria de outras nações via imigrações. Os Estados Unidos, maior potência do mundo, não conseguem absorver os imigrantes de vários países pobres, a começar pelo México. Se a Europa abrir as portas para os injustiçados da África e do mundo árabe, será engolida pelos estrangeiros.

A tragédia dos haitianos está sobrando para o Brasil, com a invasão de clandestinos através da fronteira com o Acre. O Governo brasileiro fala em legalizar as migrações, ou seja, enxugar gelo. Os haitianos são carentes de tudo socialmente.
Se os haitianos forem incorporados ao MST haverá um componente ideológico de radicalização com viés de esquerda. O agravante é que o Brasil vivencia uma estagnação econômica. 

O Haiti hoje é um país sem salvação e sem esperanças, vítima dos assaltos e exploração dos colonizadores e nativos ao longo da história.  Noutros tempos os flagelados da seca do Nordeste migravam para o Rio e São Paulo, moviam a construção civil e eram vítimas de preconceitos regionais. Os haitianos de hoje são os flagelados das ditaduras.  

Há mais de 50 anos, depois de fuzilar 20 mil compatriotas, o satânico fidel castro fechou as portas da ilha-presídio. Assim resolveu o problema das migrações e imigrações. Do contrario, só restaria um coqueiro solitário no “paraíso comunista”. Hasta la vista, babies deste magnífico blog!    

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com


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18/05


2015

O Brasil não existe

* José Adalberto Ribeiro, jornalista

RIBEIROLÂNDIA -- Milagres existem. O Brasil não existe. O Brasil é um reino surrealista criado pela imaginação de milhões de lunáticos. Impossível existir um País em tempos de paz onde a cada ano morrem de morte matada, de susto, de bala ou vício, mais de 40 mil almas, além das mortes morridas. Eu não acredito na existência de um País civilizado onde morrem mais de 40 mil almas nas estradas por conta das crateras, das colisões, falta de sinalização, drogas ou irresponsabilidade dos motoristas.

O papaizinho aqui eu desafio qualquer cientista político, cientista nuclear, pai de santo ou pai da besta fera, a provarem a existência de um País que se diz ser a sétima economia do planeta e onde o ano só começa depois do carnaval, depois da Santa Semana, se não houver jogo de futebol. Todos os cérebros e todas as máquinas param para discutir o beijo gay das novelas. O beijo gay é mais eletrizante do que a data do que o pouso do inconfidente mineiro Pedrálvares Cabral na lua no dia 22 de abril de 1500.

Ou foi o navegador português Tiradentes enforcado pela primeira vez em Brasília no dia 21 de abril, não me lembro bem. Hoje eu tô invocado! O Brasil é a Neverland, “A terra do nunca” de Peter Pan. Eterna criança, Peter Pan procura um tesouro mágico para viver noutro mundo. Mas, o tesouro mágico está nas mãos dos piratas da “Terra do nunca”. Se o Brasil existisse Peter Pan seria nosso rei. Deitado  eternamente em berço esplêndido, o Brasil é uma criança à procura de tesouros para ser feliz.

A felicidade é uma criança. Mim não acreditar, em hipótese nenhuma, nessa lenda de que existe déficit na previdência social de um País chamado Brasil, pois tô sabendo que magistrados corruptos são premiados com aposentadoria milionária às custas dos cofres públicos. Entonces, haverá alguma farsa nessa história.

Se o mestre Trancoso fosse vivo contaria a estória de um país tropical que baixou a crista diante da Fifa e torrou mais de 20 bilhões de denários, para construir elefantes brancos, elefantes azuis e coloridos da copa do mundo. E hoje, para que servem os elefantes? Para jogar peladas de futebol. Aqui nesta terra dos altos coqueiros, o elefante azul e branco de São Lourenço da Mata já devorou 650 milhões na construção e irá remunerar a construtora, durante 30 anos, com a bagatela de 60 a 70 milhões de contos de réis.

A dona Carochinha me contou que depois do bendito legado da Copa este ano a Caixa Econômica reduziu pela metade os financiamentos para construção de moradias. O Governo de Pernambuco, imortal, imortal, está implorando à construtora, pelo amor de Zeus, para rever o contrato de arrendamento e pagar, pelo menos, um milhãozinho a menor. Acredite, se quiser.

Todo governo, por definição, é composto por sábios, pois somente os sábios decifram os mistérios do poder. Os sábios deste País imaginário chamado Brasil não previram a goleada de 8 a 1, tampouco previram que o legado da copa seria um fiasco. Ó príncipes!
Eu não acredito na existência de um País que em menos de 12 horas anuncia o resultado de uma eleição presidencial com 112 milhões de eleitores e demora às vezes até 12 anos para julgar ou inocentar assassinos, ladrões e bandoleiros.   

O País surreal chamado Brasil deve existir no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques. Macondo é aqui. Caminhantes de pés descalços, as prefeituras padecem a pobreza franciscana na hora de investir em aterros sanitários. E haja lixões degradantes. Mas, sob o ritmo do jabaculê a pobreza franciscana se transforma nas piscinas de Tio Patinhas e as prefeituras nadam em dinheiro para contratar bandas de fuleiragem, shows fantasmas e pirotecnias nos Reveillons, segundo as leis de Macunaíma, nosso herói sem nenhum caráter.

Nem precisa dizer que os portos brasileiros, de Recife, Cabedelo et Orbi, estão na pindaíba. Assim, não dá para acreditar que o BNDES entregou mais de 1 bilhão de dólares ao porto comunista de Mariel em Cuba, somente para agradar aos ditadores terroristas fidel e raul castro, com licença da palavra. Yo no creo, pero ... A caterva vermelha lambe as botas desses patifes. 

A humanidade está sempre duas doses abaixo do normal, assim falou o filósofo Humphrey Bogart aos seus discípulos. O Brasil surreal está dois pileques abaixo do meridiano da normalidade.
Assim caminha a desumanidade brasileira.

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com


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DAMIAO JOAO DA MASCENA OLIVEIRA

Texto excelente: texto tampa de chaleira e realista.




12/05


2015

A corrida presidencial

* Márcio Accioly

O Brasil é um país governado por camarilhas perigosíssimas, ladrões engravatados de altíssima periculosidade. Sem contar que vivemos num Estado Policial. A Educação está desmontada, a Saúde agoniza diariamente na imprensa, mas ninguém é capaz de fazer nada ou tomar qualquer providência. O despreparo é alarmante e a população vive anestesiada pela pornografia televisiva.

A preocupação da pilantragem é apenas com o próximo pleito, as próximas eleições. Fundado em tal comportamento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está recebendo bancadas de parlamentares de vários partidos, tentando pavimentar sua estrada até o Palácio do Planalto nas eleições que irão acontecer apenas em 2018! Sua excelência não pensa em outra coisa. Governar, que é bom, nada.

Vinculado a Opus Dei, Alckmin acredita que Papai Noel mora na Lapônia e que com três meses de chuva a situação gravíssima de falta de água, vivida por São Paulo e o resto do mundo, será resolvida sem que ele seja contrariado por um assunto que o incomoda e sobre o qual nada sabe a respeito. O importante para sua excelência é chegar com tranquilidade a 2018. O Brasil, segundo ele, é formado por cretinos.

O mundo se encontra mergulhado numa nova era glacial (nenhuma de nossas autoridades se pronuncia sobre isso), vai faltar alimento e haverá colapso energético, mas os ladrões à frente do Estado brasileiro resumem todos os nossos problemas a disputas eleitorais. Aqui, só se faz alguma coisa (quando se faz), depois que não há mais como remendar estragos. Não temos alternativa: qualquer um dos candidatos que aí se encontram carece de credencial para enfrentar os infindáveis desafios.

O mais impressionante de tudo é presenciar como a emoção conduz o povo brasileiro, que vive a repetir os mesmos erros, reverenciando canalhas de sempre e cavando sepulturas encravadas no final de tortuoso caminho de dor, intermináveis atribulações e desespero. Seremos todos os imbecis do Alckmin?

Todos os dias, somos “contemplados” com reportagens que expõem com clareza os assaltos perpetrados contra os cofres públicos, sem que os apontados sejam punidos com a dureza que seria de se exigir. As ligações existentes entre os que roubam e os que dirigem o Estado são tão imbricadas (e se amontoam de tal maneira) que onde se mexe na roubalheira de um desarruma a estrutura criminosa de outro.

Onde é que essas pessoas estão com a cabeça? Será que não percebem não existir tranquilidade? Que aqueles que trabalham para sustentar caprichos e fantasias, através de impostos extorsivos insuportáveis, estão perdendo por inteiro a esperança? Hoje, no Brasil, a estrutura administrativa do Estado é utilizada contra o cidadão comum, combatendo os seus interesses e promovendo a desordem.

Não se cuida de mudar a legislação penal, não se constroem novos presídios, não se facilita a mobilidade do cidadão comum (em cidades cada vez mais estagnadas pelo trânsito invencível), como se os responsáveis fizessem espécie de laboratório, esticando a corda para vê-la arrebentar no final de todos os limites.

Na sua corrida a qualquer custo e preço, em direção ao Planalto, o governador de São Paulo “fez uma avaliação da conjuntura”, na última sexta-feira (08), e disse não identificar no cenário “elementos que fundamentem o impeachment da presidente”.

Alguém precisa dizer a Alckmin que o PT é uma legenda de ladrões e que o PSDB não está muito longe disso. Que esta crise vai estourar e vai ficar difícil para ele até mesmo andar nas ruas. E é bom dizer, a sua excelência, que o Brasil tem muitos idiotas e cretinos, mas que não são todos. E que o governo dele, Geraldo Alckmin está cheio de denúncias de roubos e de patifarias e que sua conversa mole já não convence.

* Jornalista


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Cláudio Carlos da Cruz Plácido

E não são todos cretinos....., meus caros Márcio Accioly e Magno Martins!




05/05


2015

O sal da terra, deslumbrante

O SAL DA TERRA – Filme documentário sobre a obra e a vida do fotógrafo sem fronteiras Sebastião Salgado. O cartaz de divulgação descreve: “Uma ode visual deslumbrante”. Direi: -- Os desenhos de luz (photo+grafia) de Salgado captam imagens da natureza humana, dos sonhos e pesadelos da humanidade.

Tião é apresentado pelo pai, um fazendeiro do Vale do Rio Doce nos tempos em que havia terras férteis na região (depois a siderúrgica engoliu o rio): “Tirou” o curso de Economia, ao invés de “tirar o curso de Direito”, desejo da família.”
Casou com uma moça bonita, Célia, parceira na arte de “desenhar com luz” (“photo” + grafia”), vagou pelos cantos do mundo nos anos 1970 e foi trabalhar inicialmente como economista na França.

Ganhou de presente de sua costela Célia, criatura fiel e generosa,  uma máquina de fotografia. Quem estreou nas lentes? Célia, claro. Começou a ganhar uma grana. Surgiram belas fotografias. A fotografia em preto e branco de uma mulher Tuareg (nômades dos desertos árabes) cega impressionou o diretor Wim Wenders. 

Vieram os álbuns “Êxodos”, “Workers”, “Genesis”, veio a consagração mundial e nacional. Viagens pelo mundo.  
Anos 80, Serra Pelada, 30 mil homens são atraídos para o garimpo movidos pelo sonho do ouro. Cavaram uma cratera no ventre da terra, subiam e desciam ladeiras com sacos de areia nas costas. Era  uma torre de Babel habitada por formigões humanos. Salgado ouvia o murmúrio do ouro no coração dos escravos do Eldorado ilusório.         

A “América Profunda” reflete-se nas rugas das faces e dos coração de tribos primitivas no México, Equador, Bolívia, Amazônia, nos hábitos ancestrais das nações pré-históricas, pré-Cabral e pré-Colombo.    
Sebastião colheu uma antiga lenda no Interior do Nordeste de que os anjinhos pagãos eram enterrados de olhos abertos a caminho do limbo para enxergar o caminho do céu. 

Nas ilhas Galápagos, no Pacífico, em busca das pegadas do evolucionista Charles Darwin, Salgado descobriu ser primo de uma iguana. Fez amizade com uma baleia. O ditador iraquiano Sadam Husseim invadiu o Kuwait em 1990, perdeu a guerra e mandou incendiar centenas de poços de petróleo. As imagens do incêndio são aterradoras. 

Anos 1990, os genocídios em Ruanda, na África, causaram mais de 800 mil mortes e mais de 1 milhão de refugiados, por conta de rivalidades tribais, os tutsis e hutus, que se matam pelo poder. Os “senhores da guerras”, tiranetes ladrões e sanguinários, matam mais que as bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki. Salgado também documentou na antiga Iugoslávia, uma nação que se dizia civilizada, o genocídio de Kosovo, em nome da “limpeza étnica” entre sérvios e albaneses, com 300 mil mortos.

Centenas de milhares de mortos e refugiados se amontoam nas estradas e nos acampamentos. Salgado revela sua revolta contra as guerras e a descrença com a natureza humana: “Somos um animal muito feroz. Somos um animal terrível, nós, os humanos. Na Europa, na África, nas Américas. Ninguém merece viver”.

O diretor do filme, Wim Wenders, relatou: “Sebastião tinha visto o coração das trevas”.   Sebastião ficou prostrado de angústia, decepcionado com a perversidade humana.  
Já na idade do lobo, de volta às origens, o sal das terras da infância sarou as feridas da alma de Sebastião Salgado, O projeto

“Gênesis”, de preservação da natureza, através do Instituto Terra, de revitalização dos rios, da fauna e da flora do Vale do Rio Doce, o fez renascer das trevas.
Somente a criação e a misericórdia redimem a humanidade.

* Jornalista

joseadalbertoribeiro@gmail.com


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Nehemias Fernandes Jaques

Será que vai ter convescote?




30/04


2015

Palavras ao Vento

O ex-presidente FHC (1995-2003), mestre dos mestres, o ser mais sábio sobre a face do planeta, a quem todos chamam carinhosamente "Boca de Tuba", é tido e havido como espécie tupiniquim de Fernando Lugo, aquele ex-presidente paraguaio que, enquanto bispo da Igreja Católica, tentou povoar o país guarani com filhos bastardos nascidos em várias partes do território. Os dois são dignos referenciais de moralidade!

A sacristia da Igreja do bispo correspondia ao gabinete senatorial de FHC, ao se falar em ponto de encontros amorosos "fora da agenda oficial". Afirma-se que, ainda hoje, existem suspeitas sobre a paternidade de várias crianças do vizinho país, atribuídas ao bispo. No Brasil, FHC aceitou oficialmente apenas um (que logo se apressou em dizer que o teste de DNA negou), "esquecendo" um segundo filho nascido da cozinheira do então senador paraibano Ney Suassuna (PMDB).

Perito na arte da reprodução humana, FHC, a quem Millôr Fernandes dizia estar muito acima de Phd, tem se dedicado nos últimos dias a realizar acordos e conchavos condenáveis. Ele quer, digamos, "ajustar" dificuldades que possam surgir no caminho do seu partido, o PSDB, possíveis sequelas da grande roubalheira denunciada e nunca apurada no período em que sua ex-excelência desfrutava vantagens oferecidas pela piscina do Palácio da Alvorada e pelo helicóptero da Presidência da República.

Foi assim que na última quarta-feira (29), FHC compareceu a jantar com João Dória Júnior (que em época áurea montou um site em que dizia "cansei", fazendo "oposição" ao governo da ladroagem petista), ao lado do dono de uma das empreiteiras envolvidas no roubo da Petrobras, Marcelo Odebrecht, ocasião em que o amadíssimo Boca de Tuba declarou:

"-Vivemos um momento de desesperança no Brasil e isso não pode ocorrer. Não podemos conviver com falta de esperança e tristeza. Tecnicamente, sabemos o que é preciso fazer, e está sendo feito."

A afirmação, veiculada na página d'O Antagonista, foi dita no mesmo dia em que o ministro do STF, Teori Zavascki, relator do processo conhecido como petrolão, aproveitou o fato de os advogados de Ricardo Pessoa (dono da UTC), solicitarem habeas corpus para seu cliente, e liberou por sua conta mais oito implicados na roubalheira, prestes a fazer acordo de delação premiada com a Justiça do Paraná.

Essa arrumação dentro da Justiça vem sendo anunciada desde o dia em que o ministro Dias Toffoli aceitou a "ideia" de Gilmar Mendes e solicitou transferência para a Segunda Turma da Corte que irá julgar futuras ações penais da Lava Jato (que investiga desvio de recursos na Petrobras.). Ô Turma boa! Toffoli, ex-advogado do PT e reprovado em dois concursos para juiz de primeira instância, foi colocado na mais alta Corte do país pelo assaltante dos cofres públicos Lula da Silva, o Lularápio.

FHC, que no seu governo foi acusado de tudo e mais alguma coisa, passou o primeiro mandato "lutando" para aprovar (e aprovou) a emenda constitucional da reeleição, sendo denunciado por vários deputados pelo fato de ter comprado cada voto de aprovação por cerca de R$ 200 mil. À época, vários deputados federais do Acre prestaram depoimento e apresentaram provas. Deu em nada!

Ultimamente, FHC tem se empenhado ao máximo em abafar a ideia que surgiu dentro da cabeça oca de alguns de seus liderados, pedindo o impeachment da cúmplice da roubalheira na Petrobras, Dilma Roussef, a mulher mais ignorante, semialfabetizada e estúpida que aportou no Palácio do Planalto.

O filósofo alemão Hegel disse que "A História nos ensina que a História não nos ensina nada." O mundo é mesmo muito chato. As pessoas só aprendem na violência.

*Jornalista


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27/04


2015

A mulher na advocacia

Por Patrícia Carvalho*

Em 1899, a bacharela Maria Coelho da Silva teve denegado habeas corpus que impetrava em favor de cliente que sofria a ação. O Subprocurador-Geral do Distrito Federal, representando o Ministério Público Federal, Gabriel Luiz Ferreira, opinou desfavoravelmente. Dentre as razões do seu pronunciamento, destacou-se:

“Dotando a mulher de qualidades quase divinas, que são para a humanidade como reflexos da bondade infinita, o destino providencial reservou-lhe uma missão augusta, suavizante e civilizadora que não pode ser transferida do regaço sereno da família para os cimos alcantilados da vida pública, sem se perverter em sua essência, em seus estímulos e em seus resultados. Afinal, já são bastantes os germes de dissolução introduzidos em nosso organismo social, e fortes demais os pampeiros da anarquia, que invadem todos os redutos da felicidade comum: não deixem os Tribunais que coopere na obra da desorganização geral esse novo elemento de desordem, com que a inexperiência feminina pretende impulsioná-la.”

No mesmo ano, Myrtes Gomes de Campos também foi derrotada na pretensão de ingressar no Instituto dos Advogados Brasileiros. Em uma votação histórica, a primeira em que se examinava a pretensão de uma mulher advogada, ela foi recusada por dezesseis contra onze. Venceu o voto do Relator, com o fundamento de que o diploma de Bacharel em Direito não era o único requisito para ser advogado, pois, uma mulher casada não poderia advogar sem a licença do marido.

Essas foram as primeiras dificuldades no caminho das advogadas. Os números hoje são muito diferentes dos que existiam na época das nossas precursoras Maria Coelho da Silva e Myrtes Campos. Atualmente, as mulheres são a maioria entre os advogados do Brasil, somando um total de 237.895 profissionais segundo dados do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB). Mas ainda existe uma participação tímida nos nossos órgãos de representação e na vida política nacional. Na Ordem dos Advogados do Brasil nacional, não existe cargo ocupado por mulher na Diretoria Executiva. Apenas cinco advogadas integram o COFAB, representantes dos Estados do ES, MS, MA, SP e RS.

Na Ordem dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco, os números não são diferentes. Na faixa etária de 26 a 40 anos, as mulheres são maioria, somando um total de 5.734, enquanto os homens totalizam 5.499. Já na faixa etária de 41 a 59 anos, os homens têm maioria, segundo dados da CFOAB.

Em relação à Diretoria Executiva, a mulher na advocacia em Pernambuco tem participação limitada a um cargo de vice-presidente e nenhuma representação entre os membros do Conselho Federal e no Conselho Estadual – que é composto por 66 pessoas e apenas 11 são preenchidos por mulheres, entre titulares e suplentes.

Refletir sobre esses números e sobre os papéis convencionais dos homens e das mulheres, expondo suas implicações para a participação paritária de mulheres e homens na vida pública, permitirá ampliar as possibilidades das mulheres, impactando nossas trajetórias e formas de participação na sociedade. Recentemente, foi aprovada pelo CFOAB a obrigatoriedade da cota de 30% para mulheres nas chapas que disputarão as eleições da Ordem. Entretanto, esse percentual é pequeno, e a cota poderá ser preenchida em qualquer cargo, não garantindo o acesso das mulheres aos cargos de comando e direção.

Para tanto, é papel institucional da OAB promover políticas de acesso à participação efetiva das mulheres no seu órgão de representação. A Lei nº 8.906/94 estabelece que é obrigação da OAB defender o Estado Democrático de Direito, os Direitos Humanos, a Justiça Social. Não é possível defender esses valores para a sociedade enquanto o dever de casa estiver incompleto.

É urgente a necessidade de um olhar específico que tenha como prioridade elevar a presença das mulheres nas instâncias de representação e de decisão sobre os rumos da sociedade e da advocacia em Pernambuco. Trazer esse debate à ordem do dia é nossa missão: a diferença da remuneração entre homens e mulheres, o assédio moral e sexual nos locais de trabalho, violência contra a mulher, serviços específicos de creche, locais de amamentação nos Fóruns, direito à licença-maternidade e assistência à mulher devem ser prioridades para a OAB/PE.

O isolamento da mulher cria barreiras ao seu acesso às posições de maior autoridade, maior prestígio e maior salário. Sua associação restrita ao trabalho privado, no seio familiar ou até no exercício da profissional sem interlocução com seu órgão de representação de classe, fortalece o lugar do homem, que fica liberado para atender a exigências profissionais e políticas.

Nesse sentido, a luta pela participação das mulheres nas atividades sociais e políticas traz a questão da necessidade da pluralidade democrática, que depende, por sua vez, da garantia de espaço livre, sem violência, baseada em crenças e práticas distintas das que se verificam atualmente. Vencer o estigma enfrentado por Maria Coelho da Silva e Myrtes Campos, no exercício profissional da mulher advogada, é responsabilidade do nosso tempo. A mulher não pode ter medo de ser mulher. A positividade da diferença deve ser anunciada como força na discussão, onde a necessidade do cuidar não esteja associada ao lugar da mulher, mas sim à responsabilidade pública de todos os indivíduos, pela própria vida e pela vida dos outros. Este é o caminho para a construção de um mundo para todos e todas.

*Coordenadora do movimento A Ordem É Para Todos


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20/04


2015

Crises que se acumulam

As manobras políticas efetuadas pelos principais atores de nossa cena política querem passar a impressão de que apenas duas legendas partidárias têm condições de assumir o comando administrativo do país: PT e PSDB. Os livros já publicados (e disponíveis nas casas do ramo) expõem documentos irrespondíveis acerca do roubo praticado na gestão FHC (1995-2003), evidenciando ser inviável a quadrilha tucana.

O que nos consola é constatar a certeza de que o melhor foi a vitória de Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial do último ano. Não por conta de denúncias envolvendo Aécio Neves na história do aeroporto de Cláudio (MG), desapropriado na fazenda de um parente. Ou porque sua excelência continuou utilizando helicópteros e aviões pertencentes ao governo estadual de Minas Gerais, depois que saiu do cargo.

Ou, talvez, porque sua excelência, ex-governador mineiro, repudiado com veemência nas urnas do seu próprio estado, dá sempre uma no cravo e outra na ferradura nas discussões a respeito da possibilidade de impeachment da presidente. Até porque, em qualquer país sério, a presidente teria desenvolvido um mínimo de pudor e amor próprio, mesmo sendo mercenária e cúmplice de ladrões, renunciando por não ter mais o que esconder. Mais desmoralizada do que está é impossível ficar.

Esta crise teria mesmo de explodir no colo da atual presidente. Para ficar bem clara a sua incompetência, despreparo e incapacidade na simples articulação de ideias, levantando inabalável suspeita de debilidade mental. Somente num país como o nosso isso é possível. Onde a chamada “prática capitalista” depende do absoluto controle do Estado para a distribuição de benesses que assegurem a permanência de seus ocupantes.

Foi na gestão FHC, nosso amadíssimo Boca de Tuba, que se criou o tal cartão corporativo com o qual os ladrões que ocupam cargos no Executivo se fartam e se lambuzam ao entenderem que os recursos financeiros que surrupiam sem cessar são insuficientes na sustentação de distintas vaidades e soberba. O tal cartão corporativo é uma vergonha e um azougue no lombo dos que trabalham e pagam extorsivos impostos que alimentam a sanha de quadrilhas que se organizam todos os dias.

Que saída poderá ser trilhada por país que no centro de tantas denúncias fundamentadas vê-se apresentado a alternativas como Aécio Neves, FHC, Marina Silva e outras figuras desprovidas de mínima capacidade de raciocínio e desmoralizadas por constatações irrefutáveis? Sempre trocando seis por meia dúzia e repetindo velhos esquemas e estratagemas que se perpetuam desde a sua fundação?

Nossos homens públicos não enxergam um palmo adiante do nariz. Têm vocação para tudo: o desmonte, a propagação da ruína, mas nada sabem construir ou antever. Não conseguiram perceber, até agora, que deveriam agir com celeridade por causa do apagão elétrico inevitável que se aproxima.

Diante da crise de abastecimento d’água como a que ora acontece em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) procura minimizar efeitos com os olhos postos na sucessão presidencial de 2018. A preocupação maior é sempre com cargos e poder. Não existe projeto administrativo, pauta de providências que priorize dificuldades do dia a dia. Até agora, ninguém lembrou sequer a instalação de uma máquina de dessalinização, apesar dos milhares de quilômetros da costa atlântica.

Eles estão sempre ocupados, pensando em helicópteros, jatinhos, mordomias e prazeres do cargo, certamente rindo de “idiotas” que apresentem sugestões ou ideias, porque no entendimento dessas “lideranças” não existem soluções fáceis, medidas que não contemplem seus caixas particulares nem forrem seus bolsos sem fundo. Mas os conchavos e acordos espúrios serão insuficientes diante das crises agora instaladas.


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