Congresso Nordestino de Educação Médica


25/05


2015

O Haiti exporta flagelados

* José Adalberto Ribeiro, jornalista

RIBEIROLÂNDIA – Os refugiados do Haiti, famintos e à procura de abrigo, estão batendo às portas do Brasil. A questão dos imigrantes internacionais é tema angustiante hoje em todo o mundo. Um pouco de história não faz mal a ninguém.
O ditador Papa Doc foi para o inferno no dia 21 de abril de 1971, levando nas costas um turbilhão de assassinatos, torturas, assalto aos cofres públicos, desumanidades mil.

O filho Baby Doc assumiu o cargo e foi proclamado presidente vitalício para cumprir a sina terrorista do pai. O governo de terror e corrupção revoltava a comunidade internacional e os pobres haitianos. Papa Doc e Baby Doc exerciam o poder baseados no terror policial dos Tonton-Macoutes, milicianos da guarda presidencial. 

Em meio às revoltas, o sanguinário Baby Doc foi deposto do poder em 1986 e recebeu como castigo, podre de rico, desfrutar do paraíso terrestre  no exílio em Paris.

Em 2010 um terremoto de proporções catastróficas deixou mais de 200 mil mortos e 2 milhões de desabrigados. Mais que as convulsões da natureza, os regimes de terror de Papa Doc e Baby Doc, a corrupção epidêmica e a violência transformaram o Haiti no País mais pobre do Continente e um dos mais indigentes do mundo.

A maior favela do País, Cité Soleil, na capital Porto Príncipe, é considerada um dos locais mais violentos do mundo. Serve de reduto para o proselitismo do padre Jean Bertrand Aristide, ex-presidente deposto e não por coincidência ligado à falsa teologia da libertação.
Depois do terremoto, os olhos de fogo do sanguinário Baby Doc começaram a faiscar nas caldeiras do inferno em 4 de outubro de 2014. 

Mais que o terremoto de 2010, a maior devastação no Haiti foi causada pelas ditaduras de Papa Doc e Baby Doc, de 1957 até 1986.  
As fortunas roubadas pela família Papa Doc e transferidas para o exterior nunca foram repatriadas. A maior punição seria confiscar a herança dos herdeiros pelos tribunais internacionais.

Em meio a tanta pobreza e devastação, a ONU estabeleceu a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), com efetivo de 6.700 homens de diversos países, inclusive o Brasil. Na Europa a atriz Brigite Bardot defende os direitos humanos de cães e gatos e a cidadania da França para os franceses, noves fora árabes e africanos. É chamada de direitista, junto com Le Pen.

Nenhum país é capaz de redimir a miséria de outras nações via imigrações. Os Estados Unidos, maior potência do mundo, não conseguem absorver os imigrantes de vários países pobres, a começar pelo México. Se a Europa abrir as portas para os injustiçados da África e do mundo árabe, será engolida pelos estrangeiros.

A tragédia dos haitianos está sobrando para o Brasil, com a invasão de clandestinos através da fronteira com o Acre. O Governo brasileiro fala em legalizar as migrações, ou seja, enxugar gelo. Os haitianos são carentes de tudo socialmente.
Se os haitianos forem incorporados ao MST haverá um componente ideológico de radicalização com viés de esquerda. O agravante é que o Brasil vivencia uma estagnação econômica. 

O Haiti hoje é um país sem salvação e sem esperanças, vítima dos assaltos e exploração dos colonizadores e nativos ao longo da história.  Noutros tempos os flagelados da seca do Nordeste migravam para o Rio e São Paulo, moviam a construção civil e eram vítimas de preconceitos regionais. Os haitianos de hoje são os flagelados das ditaduras.  

Há mais de 50 anos, depois de fuzilar 20 mil compatriotas, o satânico fidel castro fechou as portas da ilha-presídio. Assim resolveu o problema das migrações e imigrações. Do contrario, só restaria um coqueiro solitário no “paraíso comunista”. Hasta la vista, babies deste magnífico blog!    

* Jornalista

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Governo de PE


18/05


2015

O Brasil não existe

* José Adalberto Ribeiro, jornalista

RIBEIROLÂNDIA -- Milagres existem. O Brasil não existe. O Brasil é um reino surrealista criado pela imaginação de milhões de lunáticos. Impossível existir um País em tempos de paz onde a cada ano morrem de morte matada, de susto, de bala ou vício, mais de 40 mil almas, além das mortes morridas. Eu não acredito na existência de um País civilizado onde morrem mais de 40 mil almas nas estradas por conta das crateras, das colisões, falta de sinalização, drogas ou irresponsabilidade dos motoristas.

O papaizinho aqui eu desafio qualquer cientista político, cientista nuclear, pai de santo ou pai da besta fera, a provarem a existência de um País que se diz ser a sétima economia do planeta e onde o ano só começa depois do carnaval, depois da Santa Semana, se não houver jogo de futebol. Todos os cérebros e todas as máquinas param para discutir o beijo gay das novelas. O beijo gay é mais eletrizante do que a data do que o pouso do inconfidente mineiro Pedrálvares Cabral na lua no dia 22 de abril de 1500.

Ou foi o navegador português Tiradentes enforcado pela primeira vez em Brasília no dia 21 de abril, não me lembro bem. Hoje eu tô invocado! O Brasil é a Neverland, “A terra do nunca” de Peter Pan. Eterna criança, Peter Pan procura um tesouro mágico para viver noutro mundo. Mas, o tesouro mágico está nas mãos dos piratas da “Terra do nunca”. Se o Brasil existisse Peter Pan seria nosso rei. Deitado  eternamente em berço esplêndido, o Brasil é uma criança à procura de tesouros para ser feliz.

A felicidade é uma criança. Mim não acreditar, em hipótese nenhuma, nessa lenda de que existe déficit na previdência social de um País chamado Brasil, pois tô sabendo que magistrados corruptos são premiados com aposentadoria milionária às custas dos cofres públicos. Entonces, haverá alguma farsa nessa história.

Se o mestre Trancoso fosse vivo contaria a estória de um país tropical que baixou a crista diante da Fifa e torrou mais de 20 bilhões de denários, para construir elefantes brancos, elefantes azuis e coloridos da copa do mundo. E hoje, para que servem os elefantes? Para jogar peladas de futebol. Aqui nesta terra dos altos coqueiros, o elefante azul e branco de São Lourenço da Mata já devorou 650 milhões na construção e irá remunerar a construtora, durante 30 anos, com a bagatela de 60 a 70 milhões de contos de réis.

A dona Carochinha me contou que depois do bendito legado da Copa este ano a Caixa Econômica reduziu pela metade os financiamentos para construção de moradias. O Governo de Pernambuco, imortal, imortal, está implorando à construtora, pelo amor de Zeus, para rever o contrato de arrendamento e pagar, pelo menos, um milhãozinho a menor. Acredite, se quiser.

Todo governo, por definição, é composto por sábios, pois somente os sábios decifram os mistérios do poder. Os sábios deste País imaginário chamado Brasil não previram a goleada de 8 a 1, tampouco previram que o legado da copa seria um fiasco. Ó príncipes!
Eu não acredito na existência de um País que em menos de 12 horas anuncia o resultado de uma eleição presidencial com 112 milhões de eleitores e demora às vezes até 12 anos para julgar ou inocentar assassinos, ladrões e bandoleiros.   

O País surreal chamado Brasil deve existir no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques. Macondo é aqui. Caminhantes de pés descalços, as prefeituras padecem a pobreza franciscana na hora de investir em aterros sanitários. E haja lixões degradantes. Mas, sob o ritmo do jabaculê a pobreza franciscana se transforma nas piscinas de Tio Patinhas e as prefeituras nadam em dinheiro para contratar bandas de fuleiragem, shows fantasmas e pirotecnias nos Reveillons, segundo as leis de Macunaíma, nosso herói sem nenhum caráter.

Nem precisa dizer que os portos brasileiros, de Recife, Cabedelo et Orbi, estão na pindaíba. Assim, não dá para acreditar que o BNDES entregou mais de 1 bilhão de dólares ao porto comunista de Mariel em Cuba, somente para agradar aos ditadores terroristas fidel e raul castro, com licença da palavra. Yo no creo, pero ... A caterva vermelha lambe as botas desses patifes. 

A humanidade está sempre duas doses abaixo do normal, assim falou o filósofo Humphrey Bogart aos seus discípulos. O Brasil surreal está dois pileques abaixo do meridiano da normalidade.
Assim caminha a desumanidade brasileira.

* Jornalista

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DAMIAO JOAO DA MASCENA OLIVEIRA

Texto excelente: texto tampa de chaleira e realista.


Prefeitura de Caruaru


12/05


2015

A corrida presidencial

* Márcio Accioly

O Brasil é um país governado por camarilhas perigosíssimas, ladrões engravatados de altíssima periculosidade. Sem contar que vivemos num Estado Policial. A Educação está desmontada, a Saúde agoniza diariamente na imprensa, mas ninguém é capaz de fazer nada ou tomar qualquer providência. O despreparo é alarmante e a população vive anestesiada pela pornografia televisiva.

A preocupação da pilantragem é apenas com o próximo pleito, as próximas eleições. Fundado em tal comportamento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está recebendo bancadas de parlamentares de vários partidos, tentando pavimentar sua estrada até o Palácio do Planalto nas eleições que irão acontecer apenas em 2018! Sua excelência não pensa em outra coisa. Governar, que é bom, nada.

Vinculado a Opus Dei, Alckmin acredita que Papai Noel mora na Lapônia e que com três meses de chuva a situação gravíssima de falta de água, vivida por São Paulo e o resto do mundo, será resolvida sem que ele seja contrariado por um assunto que o incomoda e sobre o qual nada sabe a respeito. O importante para sua excelência é chegar com tranquilidade a 2018. O Brasil, segundo ele, é formado por cretinos.

O mundo se encontra mergulhado numa nova era glacial (nenhuma de nossas autoridades se pronuncia sobre isso), vai faltar alimento e haverá colapso energético, mas os ladrões à frente do Estado brasileiro resumem todos os nossos problemas a disputas eleitorais. Aqui, só se faz alguma coisa (quando se faz), depois que não há mais como remendar estragos. Não temos alternativa: qualquer um dos candidatos que aí se encontram carece de credencial para enfrentar os infindáveis desafios.

O mais impressionante de tudo é presenciar como a emoção conduz o povo brasileiro, que vive a repetir os mesmos erros, reverenciando canalhas de sempre e cavando sepulturas encravadas no final de tortuoso caminho de dor, intermináveis atribulações e desespero. Seremos todos os imbecis do Alckmin?

Todos os dias, somos “contemplados” com reportagens que expõem com clareza os assaltos perpetrados contra os cofres públicos, sem que os apontados sejam punidos com a dureza que seria de se exigir. As ligações existentes entre os que roubam e os que dirigem o Estado são tão imbricadas (e se amontoam de tal maneira) que onde se mexe na roubalheira de um desarruma a estrutura criminosa de outro.

Onde é que essas pessoas estão com a cabeça? Será que não percebem não existir tranquilidade? Que aqueles que trabalham para sustentar caprichos e fantasias, através de impostos extorsivos insuportáveis, estão perdendo por inteiro a esperança? Hoje, no Brasil, a estrutura administrativa do Estado é utilizada contra o cidadão comum, combatendo os seus interesses e promovendo a desordem.

Não se cuida de mudar a legislação penal, não se constroem novos presídios, não se facilita a mobilidade do cidadão comum (em cidades cada vez mais estagnadas pelo trânsito invencível), como se os responsáveis fizessem espécie de laboratório, esticando a corda para vê-la arrebentar no final de todos os limites.

Na sua corrida a qualquer custo e preço, em direção ao Planalto, o governador de São Paulo “fez uma avaliação da conjuntura”, na última sexta-feira (08), e disse não identificar no cenário “elementos que fundamentem o impeachment da presidente”.

Alguém precisa dizer a Alckmin que o PT é uma legenda de ladrões e que o PSDB não está muito longe disso. Que esta crise vai estourar e vai ficar difícil para ele até mesmo andar nas ruas. E é bom dizer, a sua excelência, que o Brasil tem muitos idiotas e cretinos, mas que não são todos. E que o governo dele, Geraldo Alckmin está cheio de denúncias de roubos e de patifarias e que sua conversa mole já não convence.

* Jornalista


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Cláudio Carlos da Cruz Plácido

E não são todos cretinos....., meus caros Márcio Accioly e Magno Martins!


São João Petrolina


05/05


2015

O sal da terra, deslumbrante

O SAL DA TERRA – Filme documentário sobre a obra e a vida do fotógrafo sem fronteiras Sebastião Salgado. O cartaz de divulgação descreve: “Uma ode visual deslumbrante”. Direi: -- Os desenhos de luz (photo+grafia) de Salgado captam imagens da natureza humana, dos sonhos e pesadelos da humanidade.

Tião é apresentado pelo pai, um fazendeiro do Vale do Rio Doce nos tempos em que havia terras férteis na região (depois a siderúrgica engoliu o rio): “Tirou” o curso de Economia, ao invés de “tirar o curso de Direito”, desejo da família.”
Casou com uma moça bonita, Célia, parceira na arte de “desenhar com luz” (“photo” + grafia”), vagou pelos cantos do mundo nos anos 1970 e foi trabalhar inicialmente como economista na França.

Ganhou de presente de sua costela Célia, criatura fiel e generosa,  uma máquina de fotografia. Quem estreou nas lentes? Célia, claro. Começou a ganhar uma grana. Surgiram belas fotografias. A fotografia em preto e branco de uma mulher Tuareg (nômades dos desertos árabes) cega impressionou o diretor Wim Wenders. 

Vieram os álbuns “Êxodos”, “Workers”, “Genesis”, veio a consagração mundial e nacional. Viagens pelo mundo.  
Anos 80, Serra Pelada, 30 mil homens são atraídos para o garimpo movidos pelo sonho do ouro. Cavaram uma cratera no ventre da terra, subiam e desciam ladeiras com sacos de areia nas costas. Era  uma torre de Babel habitada por formigões humanos. Salgado ouvia o murmúrio do ouro no coração dos escravos do Eldorado ilusório.         

A “América Profunda” reflete-se nas rugas das faces e dos coração de tribos primitivas no México, Equador, Bolívia, Amazônia, nos hábitos ancestrais das nações pré-históricas, pré-Cabral e pré-Colombo.    
Sebastião colheu uma antiga lenda no Interior do Nordeste de que os anjinhos pagãos eram enterrados de olhos abertos a caminho do limbo para enxergar o caminho do céu. 

Nas ilhas Galápagos, no Pacífico, em busca das pegadas do evolucionista Charles Darwin, Salgado descobriu ser primo de uma iguana. Fez amizade com uma baleia. O ditador iraquiano Sadam Husseim invadiu o Kuwait em 1990, perdeu a guerra e mandou incendiar centenas de poços de petróleo. As imagens do incêndio são aterradoras. 

Anos 1990, os genocídios em Ruanda, na África, causaram mais de 800 mil mortes e mais de 1 milhão de refugiados, por conta de rivalidades tribais, os tutsis e hutus, que se matam pelo poder. Os “senhores da guerras”, tiranetes ladrões e sanguinários, matam mais que as bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki. Salgado também documentou na antiga Iugoslávia, uma nação que se dizia civilizada, o genocídio de Kosovo, em nome da “limpeza étnica” entre sérvios e albaneses, com 300 mil mortos.

Centenas de milhares de mortos e refugiados se amontoam nas estradas e nos acampamentos. Salgado revela sua revolta contra as guerras e a descrença com a natureza humana: “Somos um animal muito feroz. Somos um animal terrível, nós, os humanos. Na Europa, na África, nas Américas. Ninguém merece viver”.

O diretor do filme, Wim Wenders, relatou: “Sebastião tinha visto o coração das trevas”.   Sebastião ficou prostrado de angústia, decepcionado com a perversidade humana.  
Já na idade do lobo, de volta às origens, o sal das terras da infância sarou as feridas da alma de Sebastião Salgado, O projeto

“Gênesis”, de preservação da natureza, através do Instituto Terra, de revitalização dos rios, da fauna e da flora do Vale do Rio Doce, o fez renascer das trevas.
Somente a criação e a misericórdia redimem a humanidade.

* Jornalista

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Nehemias Fernandes Jaques

Será que vai ter convescote?




30/04


2015

Palavras ao Vento

O ex-presidente FHC (1995-2003), mestre dos mestres, o ser mais sábio sobre a face do planeta, a quem todos chamam carinhosamente "Boca de Tuba", é tido e havido como espécie tupiniquim de Fernando Lugo, aquele ex-presidente paraguaio que, enquanto bispo da Igreja Católica, tentou povoar o país guarani com filhos bastardos nascidos em várias partes do território. Os dois são dignos referenciais de moralidade!

A sacristia da Igreja do bispo correspondia ao gabinete senatorial de FHC, ao se falar em ponto de encontros amorosos "fora da agenda oficial". Afirma-se que, ainda hoje, existem suspeitas sobre a paternidade de várias crianças do vizinho país, atribuídas ao bispo. No Brasil, FHC aceitou oficialmente apenas um (que logo se apressou em dizer que o teste de DNA negou), "esquecendo" um segundo filho nascido da cozinheira do então senador paraibano Ney Suassuna (PMDB).

Perito na arte da reprodução humana, FHC, a quem Millôr Fernandes dizia estar muito acima de Phd, tem se dedicado nos últimos dias a realizar acordos e conchavos condenáveis. Ele quer, digamos, "ajustar" dificuldades que possam surgir no caminho do seu partido, o PSDB, possíveis sequelas da grande roubalheira denunciada e nunca apurada no período em que sua ex-excelência desfrutava vantagens oferecidas pela piscina do Palácio da Alvorada e pelo helicóptero da Presidência da República.

Foi assim que na última quarta-feira (29), FHC compareceu a jantar com João Dória Júnior (que em época áurea montou um site em que dizia "cansei", fazendo "oposição" ao governo da ladroagem petista), ao lado do dono de uma das empreiteiras envolvidas no roubo da Petrobras, Marcelo Odebrecht, ocasião em que o amadíssimo Boca de Tuba declarou:

"-Vivemos um momento de desesperança no Brasil e isso não pode ocorrer. Não podemos conviver com falta de esperança e tristeza. Tecnicamente, sabemos o que é preciso fazer, e está sendo feito."

A afirmação, veiculada na página d'O Antagonista, foi dita no mesmo dia em que o ministro do STF, Teori Zavascki, relator do processo conhecido como petrolão, aproveitou o fato de os advogados de Ricardo Pessoa (dono da UTC), solicitarem habeas corpus para seu cliente, e liberou por sua conta mais oito implicados na roubalheira, prestes a fazer acordo de delação premiada com a Justiça do Paraná.

Essa arrumação dentro da Justiça vem sendo anunciada desde o dia em que o ministro Dias Toffoli aceitou a "ideia" de Gilmar Mendes e solicitou transferência para a Segunda Turma da Corte que irá julgar futuras ações penais da Lava Jato (que investiga desvio de recursos na Petrobras.). Ô Turma boa! Toffoli, ex-advogado do PT e reprovado em dois concursos para juiz de primeira instância, foi colocado na mais alta Corte do país pelo assaltante dos cofres públicos Lula da Silva, o Lularápio.

FHC, que no seu governo foi acusado de tudo e mais alguma coisa, passou o primeiro mandato "lutando" para aprovar (e aprovou) a emenda constitucional da reeleição, sendo denunciado por vários deputados pelo fato de ter comprado cada voto de aprovação por cerca de R$ 200 mil. À época, vários deputados federais do Acre prestaram depoimento e apresentaram provas. Deu em nada!

Ultimamente, FHC tem se empenhado ao máximo em abafar a ideia que surgiu dentro da cabeça oca de alguns de seus liderados, pedindo o impeachment da cúmplice da roubalheira na Petrobras, Dilma Roussef, a mulher mais ignorante, semialfabetizada e estúpida que aportou no Palácio do Planalto.

O filósofo alemão Hegel disse que "A História nos ensina que a História não nos ensina nada." O mundo é mesmo muito chato. As pessoas só aprendem na violência.

*Jornalista


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27/04


2015

A mulher na advocacia

Por Patrícia Carvalho*

Em 1899, a bacharela Maria Coelho da Silva teve denegado habeas corpus que impetrava em favor de cliente que sofria a ação. O Subprocurador-Geral do Distrito Federal, representando o Ministério Público Federal, Gabriel Luiz Ferreira, opinou desfavoravelmente. Dentre as razões do seu pronunciamento, destacou-se:

“Dotando a mulher de qualidades quase divinas, que são para a humanidade como reflexos da bondade infinita, o destino providencial reservou-lhe uma missão augusta, suavizante e civilizadora que não pode ser transferida do regaço sereno da família para os cimos alcantilados da vida pública, sem se perverter em sua essência, em seus estímulos e em seus resultados. Afinal, já são bastantes os germes de dissolução introduzidos em nosso organismo social, e fortes demais os pampeiros da anarquia, que invadem todos os redutos da felicidade comum: não deixem os Tribunais que coopere na obra da desorganização geral esse novo elemento de desordem, com que a inexperiência feminina pretende impulsioná-la.”

No mesmo ano, Myrtes Gomes de Campos também foi derrotada na pretensão de ingressar no Instituto dos Advogados Brasileiros. Em uma votação histórica, a primeira em que se examinava a pretensão de uma mulher advogada, ela foi recusada por dezesseis contra onze. Venceu o voto do Relator, com o fundamento de que o diploma de Bacharel em Direito não era o único requisito para ser advogado, pois, uma mulher casada não poderia advogar sem a licença do marido.

Essas foram as primeiras dificuldades no caminho das advogadas. Os números hoje são muito diferentes dos que existiam na época das nossas precursoras Maria Coelho da Silva e Myrtes Campos. Atualmente, as mulheres são a maioria entre os advogados do Brasil, somando um total de 237.895 profissionais segundo dados do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB). Mas ainda existe uma participação tímida nos nossos órgãos de representação e na vida política nacional. Na Ordem dos Advogados do Brasil nacional, não existe cargo ocupado por mulher na Diretoria Executiva. Apenas cinco advogadas integram o COFAB, representantes dos Estados do ES, MS, MA, SP e RS.

Na Ordem dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco, os números não são diferentes. Na faixa etária de 26 a 40 anos, as mulheres são maioria, somando um total de 5.734, enquanto os homens totalizam 5.499. Já na faixa etária de 41 a 59 anos, os homens têm maioria, segundo dados da CFOAB.

Em relação à Diretoria Executiva, a mulher na advocacia em Pernambuco tem participação limitada a um cargo de vice-presidente e nenhuma representação entre os membros do Conselho Federal e no Conselho Estadual – que é composto por 66 pessoas e apenas 11 são preenchidos por mulheres, entre titulares e suplentes.

Refletir sobre esses números e sobre os papéis convencionais dos homens e das mulheres, expondo suas implicações para a participação paritária de mulheres e homens na vida pública, permitirá ampliar as possibilidades das mulheres, impactando nossas trajetórias e formas de participação na sociedade. Recentemente, foi aprovada pelo CFOAB a obrigatoriedade da cota de 30% para mulheres nas chapas que disputarão as eleições da Ordem. Entretanto, esse percentual é pequeno, e a cota poderá ser preenchida em qualquer cargo, não garantindo o acesso das mulheres aos cargos de comando e direção.

Para tanto, é papel institucional da OAB promover políticas de acesso à participação efetiva das mulheres no seu órgão de representação. A Lei nº 8.906/94 estabelece que é obrigação da OAB defender o Estado Democrático de Direito, os Direitos Humanos, a Justiça Social. Não é possível defender esses valores para a sociedade enquanto o dever de casa estiver incompleto.

É urgente a necessidade de um olhar específico que tenha como prioridade elevar a presença das mulheres nas instâncias de representação e de decisão sobre os rumos da sociedade e da advocacia em Pernambuco. Trazer esse debate à ordem do dia é nossa missão: a diferença da remuneração entre homens e mulheres, o assédio moral e sexual nos locais de trabalho, violência contra a mulher, serviços específicos de creche, locais de amamentação nos Fóruns, direito à licença-maternidade e assistência à mulher devem ser prioridades para a OAB/PE.

O isolamento da mulher cria barreiras ao seu acesso às posições de maior autoridade, maior prestígio e maior salário. Sua associação restrita ao trabalho privado, no seio familiar ou até no exercício da profissional sem interlocução com seu órgão de representação de classe, fortalece o lugar do homem, que fica liberado para atender a exigências profissionais e políticas.

Nesse sentido, a luta pela participação das mulheres nas atividades sociais e políticas traz a questão da necessidade da pluralidade democrática, que depende, por sua vez, da garantia de espaço livre, sem violência, baseada em crenças e práticas distintas das que se verificam atualmente. Vencer o estigma enfrentado por Maria Coelho da Silva e Myrtes Campos, no exercício profissional da mulher advogada, é responsabilidade do nosso tempo. A mulher não pode ter medo de ser mulher. A positividade da diferença deve ser anunciada como força na discussão, onde a necessidade do cuidar não esteja associada ao lugar da mulher, mas sim à responsabilidade pública de todos os indivíduos, pela própria vida e pela vida dos outros. Este é o caminho para a construção de um mundo para todos e todas.

*Coordenadora do movimento A Ordem É Para Todos


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Asfaltos


20/04


2015

Crises que se acumulam

As manobras políticas efetuadas pelos principais atores de nossa cena política querem passar a impressão de que apenas duas legendas partidárias têm condições de assumir o comando administrativo do país: PT e PSDB. Os livros já publicados (e disponíveis nas casas do ramo) expõem documentos irrespondíveis acerca do roubo praticado na gestão FHC (1995-2003), evidenciando ser inviável a quadrilha tucana.

O que nos consola é constatar a certeza de que o melhor foi a vitória de Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial do último ano. Não por conta de denúncias envolvendo Aécio Neves na história do aeroporto de Cláudio (MG), desapropriado na fazenda de um parente. Ou porque sua excelência continuou utilizando helicópteros e aviões pertencentes ao governo estadual de Minas Gerais, depois que saiu do cargo.

Ou, talvez, porque sua excelência, ex-governador mineiro, repudiado com veemência nas urnas do seu próprio estado, dá sempre uma no cravo e outra na ferradura nas discussões a respeito da possibilidade de impeachment da presidente. Até porque, em qualquer país sério, a presidente teria desenvolvido um mínimo de pudor e amor próprio, mesmo sendo mercenária e cúmplice de ladrões, renunciando por não ter mais o que esconder. Mais desmoralizada do que está é impossível ficar.

Esta crise teria mesmo de explodir no colo da atual presidente. Para ficar bem clara a sua incompetência, despreparo e incapacidade na simples articulação de ideias, levantando inabalável suspeita de debilidade mental. Somente num país como o nosso isso é possível. Onde a chamada “prática capitalista” depende do absoluto controle do Estado para a distribuição de benesses que assegurem a permanência de seus ocupantes.

Foi na gestão FHC, nosso amadíssimo Boca de Tuba, que se criou o tal cartão corporativo com o qual os ladrões que ocupam cargos no Executivo se fartam e se lambuzam ao entenderem que os recursos financeiros que surrupiam sem cessar são insuficientes na sustentação de distintas vaidades e soberba. O tal cartão corporativo é uma vergonha e um azougue no lombo dos que trabalham e pagam extorsivos impostos que alimentam a sanha de quadrilhas que se organizam todos os dias.

Que saída poderá ser trilhada por país que no centro de tantas denúncias fundamentadas vê-se apresentado a alternativas como Aécio Neves, FHC, Marina Silva e outras figuras desprovidas de mínima capacidade de raciocínio e desmoralizadas por constatações irrefutáveis? Sempre trocando seis por meia dúzia e repetindo velhos esquemas e estratagemas que se perpetuam desde a sua fundação?

Nossos homens públicos não enxergam um palmo adiante do nariz. Têm vocação para tudo: o desmonte, a propagação da ruína, mas nada sabem construir ou antever. Não conseguiram perceber, até agora, que deveriam agir com celeridade por causa do apagão elétrico inevitável que se aproxima.

Diante da crise de abastecimento d’água como a que ora acontece em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) procura minimizar efeitos com os olhos postos na sucessão presidencial de 2018. A preocupação maior é sempre com cargos e poder. Não existe projeto administrativo, pauta de providências que priorize dificuldades do dia a dia. Até agora, ninguém lembrou sequer a instalação de uma máquina de dessalinização, apesar dos milhares de quilômetros da costa atlântica.

Eles estão sempre ocupados, pensando em helicópteros, jatinhos, mordomias e prazeres do cargo, certamente rindo de “idiotas” que apresentem sugestões ou ideias, porque no entendimento dessas “lideranças” não existem soluções fáceis, medidas que não contemplem seus caixas particulares nem forrem seus bolsos sem fundo. Mas os conchavos e acordos espúrios serão insuficientes diante das crises agora instaladas.


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15/04


2015

Um século de Pelópidas Silveira!

* Márcio Accioly

Nossa vida é cheia de fases, amontoado de ocorrências que se apresentam como quase impossíveis ou impossíveis de se delimitar no tempo. Cecília Meireles escreveu um poema, “Lua Adversa”, cujo primeiro verso diz exatamente assim: “-Tenho fases, como a Lua...”

Um fenomenal místico indiano, chamado Osho, escreveu uma meditação intitulada “O Fio”, na qual afirma que “a vida é como uma grinalda: não se percebe o fio que corre através das flores, mas ele existe e as une”. “-Se o fio não estivesse presente,” diz ele, “as flores cairiam cada qual para um lado”.

No aniversário de 100 anos de nascimento de Pelópidas Silveira, fico à busca de ilações com relação a fases que vivemos e atravessamos, tentando seguir o fio que mantém unida a miríade de acontecimentos jamais explicados e aparentemente desconexos de nossas vidas.

A primeira vez que ouvi falar de Pelópidas não lembro exatamente o ano. Ele era prefeito de Recife pela segunda vez (1955-59). Eu era menino do interior pernambucano e morava no município de Gameleira, onde minha mãe era professora. Em raríssimas ocasiões, vínhamos à Capital, de trem, numa viagem que findava ao lado da antiga Casa de Detenção (hoje Casa da Cultura de Pernambuco).

Ficaram gravadas na memória as imagens de presidiários que se sentavam com as pernas enfiadas pelas grades de janelas, lá no alto, balançando-as ao vento como pêndulos inúteis que marcassem o tempo a lhes sobrar de pena.

Recordo que, num determinado dia, quando me encontrava ocupado com o dever escolar, um elevador caiu no poço de prédio onde funcionava conhecida loja comercial e que se chamava 4400 (dizia-se: “Quatro e Quatrocentos”), em Recife. Na queda morreram várias pessoas que nele se encontravam.

O rádio, principal meio de comunicação da época, anunciou a presença do então prefeito, Pelópidas Silveira, que veio se inteirar do ocorrido e prestar solidariedade. Lembro também que, no curso da transmissão, escutei a palavra “cadáver” pela primeira vez. Dizia-se terem sidos encontrados três ou cinco e fiquei preocupado. Porque, sem saber ao certo do que se tratava, achava que seria muito melhor se fossem encontrados aos pares, pois no meu entendimento iria facilitar, em muito, a vida das pessoas.

Fiquei a maior parte do tempo torcendo para que se localizasse logo o quarto ou sexto, na esperança de que ficassem satisfeitos todos os que os tivessem perdidos na confusão. Não consigo precisar o ano nem recapitular o número de mortos naquele acidente.

Creio que já havia se passado quase três décadas, depois das Lojas 4400, quando conheci Pelópidas em carne e osso. Eu morava em Recife e trabalhava numa multinacional, inspecionando revendas de automóveis na Região Nordeste. Foi em 1982. Interessava-me por política e viajava sempre comprando livros de História e biografias que preenchessem o tempo ocioso nos hotéis onde pousava.

Naquele ano, na praia de Atalaia, Capital de Aracaju, estava eu num restaurante esperando o pedido do almoço, quando varri o ambiente com os olhos e percebi nosso ex-prefeito numa mesa, sozinho. Fui até ele e me apresentei, nascendo aí uma amizade que se estendeu por anos de proveitoso aprendizado.

Em 82, o país entrou na campanha eleitoral que marcaria a retomada de eleições diretas para os governos estaduais, depois de 21 anos de Regime Militar (1964-85). Pelópidas apoiava o candidato do PMDB, senador Marcos Freire, professor universitário de renomada cultura, cujo pai, Luís de Barros Freire (também professor e catedrático de Física, falecido em 1963), havia sido um seu grande amigo. Pelópidas tinha admiração por Marcos Freire e o tratava como um filho.

Fora ele o principal responsável pelo seu lançamento na vida pública, a partir do terceiro e último mandato como prefeito da capital pernambucana (1963-64). Freire perdeu aquela eleição, vitimado por dissensões internas que se ampliavam na vaidade inconsequente dos principais personagens, fatos historicamente registrados.

Minha convivência com Pelópidas foi até o ano de 85, quando resolvi morar em Brasília. Eu atuava como jornalista em Recife, num ambiente que impunha enorme limitação, pressionado por duas correntes que praticamente exigiam posicionamento partidário.

Vivemos, antes de minha partida, quase três anos de agradáveis conversas e bate-papos em sua residência, muitas vezes acompanhados por outro brilhante amigo, Toinho Pedrosa, onde formulávamos planos para salvar o mundo e, especialmente, o Brasil. Queríamos eliminar desmandos e corrupção que infelicitam a nação, mas tudo indica que fomos perdendo a batalha. Sonhávamos com um país educado, onde o potencial de seu povo fosse devidamente desenvolvido.

Ao pé da letra, Pelópidas nunca foi um “ser político” como o conhecemos e o entendemos no Brasil, porque não mentia nem possuía vocação para o furto. Sempre foi um homem de bem, pessoa íntegra que enfrentava o batente como engenheiro e atuava como perito, sem depender de favores da máquina pública, mas de sua dedicação física e intelectual ao trabalho.

Mal sabíamos que enquanto sonhávamos e regávamos nossas conversas com bom humor e busca de clareza, a maioria dos que emergiriam do combate à ditadura iria fazer fortuna ilícita e se emporcalhar da mesma maneira que aqueles a quem dizia combater.

Pelópidas gostava de brincar, citando frase de pessoa sua conhecida (cujo nome a memória levou), que assegurava ser grave problema atingir idade provecta, já que “todas as vezes que se deseja visitar um amigo o caminho a percorrer tem de ser o do cemitério”. Tinha um coração grande e leve e era bem humorado e divertido.

Nos últimos anos, falávamos sempre ao telefone, pois eu deixara de ser frequente em Recife, seguindo rumo que estava sempre me levando a grandes distâncias da terrinha. Nossas fases foram se reciclando e a vida, naturalmente, foi nos levando por caminhos díspares que quase nunca se encontravam no tempo. Lembro-me de uma das vezes em que telefonei, ouvi-lo dizer com a voz já cansada:

“-Olhe, se você demorar muito a vir aqui, vai terminar não me encontrando!”

Na última vez que estive em Recife, passei na frente de um Hospital que ostenta bem destacado o nome de meu ilustre amigo. Mergulhei por uns instantes em velhas e queridas lembranças, respirei bem fundo ao emergir de reminiscências, e vi que a vida está sempre seguindo em frente.

*Márcio Accioly é jornalista


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Comentários

Cláudio Carlos da Cruz Plácido

Pela primeira vez nos textos e conversas com o Márcio Accioly, vejo-o escrevendo (e porque não falando) bem de um político, declarando expressamente a honestidade de Pelópidas Silveira. Que bom e inédito! Não conheci Pelópidas, mas já o admiro, ainda que in memorian!


Bm4 Marketing 2


14/04


2015

Reforma Eleitoral: hora da “concertación”

Por Maurício Costa Romão*

Tendo acompanhado os debates sobre a reforma eleitoral na legislatura passada e participado agora como palestrante-convidado da Comissão Especial da Reforma Política, da audiência pública do dia 9 de abril deste ano, na Câmara Federal, penso já haver elementos para tirar algumas conclusões.

A primeira é a de que as tratativas concernentes ao bloco de temas pontuais (financiamento de campanhas, fim das coligações proporcionais, reeleição, coincidência de eleições, suplência de senadores, cláusula de desempenho, voto facultativo, etc.) evoluíram bastante, a ponto de alguns desses itens alcançarem consenso no âmbito da Comissão.

O fim das coligações proporcionais merece destaque à parte. Embora a propositura seja de agrado da maioria da Comissão, terá muita dificuldade de aprovação em plenário, se tramitar como ponto isolado, mantido o atual sistema de lista aberta, simplesmente porque decreta a inviabilidade eleitoral de boa parte dos partidos menores.

Um tópico deste bloco, todavia, está longe de amealhar entendimento: o financiamento de campanha. É consensual, todavia, que o sistema misto de financiamento que vigora atualmente não pode mais ser mantido, devido à escalada de gastos, a abertura para os ilícitos de toda ordem e à prevalência do poder econômico.

A adesão ao financiamento público exclusivo, por seu turno, é muito baixa, principalmente por conta da canalização de recursos governamentais, que poderiam ser usados em áreas prioritárias, para campanhas eleitorais, numa quadra de crise econômica e descrédito da política.

Pode-se dizer ainda que há convergência de opiniões quanto à limitação de gastos de campanha e estabelecimento de teto de doações para pessoas físicas (em torno de um salário mínimo). Mas permanece o impasse quanto à doação de pessoas jurídicas, o que emperra os trabalhos da Comissão neste tópico. 

No núcleo central da reforma, representado pelo bloco de sistemas eleitorais, a definição de um modelo de voto não progrediu no seio da Comissão, o que suscita alta probabilidade de que qualquer proposta lançada em plenário não obtenha aprovação.

É de justiça dizer-se, contudo, que o Distritão, modelo patrocinado pela cúpula do PMDB, e cuja aceitação foi pequena na legislatura passada, agora está angariando muitas adesões na Casa, principalmente em razão da redobrada força do partido na presente conjuntura.

O problema é que a sugestão peemedebista envolve mudança constitucional, o que requer quorum qualificado de 308 votos, quantum difícil de ser atingido.

Em função desses impasses sugeri aos parlamentares presentes na audiência uma espécie de concertación: tratar a reforma como um processo, desdobrado em duas vertentes.

A primeira, partindo do princípio de que os sistemas eleitorais se equivalem, no sentido de que todos têm vantagens e desvantagens, méritos e deméritos, é não mais se cogitar, nesta legislatura, trocar o modelo de voto em uso no Brasil.

Assim, todos os esforços seriam direcionados para aperfeiçoá-lo, particularmente naquelas deformações mais gritantes (transbordamento de votos do “puxador de votos”, impossibilidade de todos os partidos participarem da distribuição de sobras eleitorais, ausência de proporcionalidade nas coligações, etc.).

A grande vantagem desta medida é que as melhorias no sistema atual requerem apenas modificações tópicas na Lei Eleitoral, o que exigiria tão somente maioria simples para aprovação no Congresso.

A segunda variante, é trabalhar em cima das disfunções do sistema político-eleitoral, em especial sobre o bloco de temas pontuais, com ênfase na questão do financiamento de campanha.

Sobre o financiamento, aliás, sugeri à Comissão outra concertación: adotar-se um modelo misto, com os pontos consensuados (limitação de gastos e teto para pessoa física), mas abrindo espaço para as pessoas jurídicas mediante um teto em valor fixo, e não proporcional ao faturamento das empresas como ocorre hoje.

Nesta metodologia de pacto, ocorreriam as eleições de 2016 e 2018 e na próxima legislatura far-se-ia uma avaliação dos resultados.

*Ph.D. em economia, é consultor da Cenário Inteligência e do Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau.


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14/04


2015

Um país estruturado por criminosos

* Márcio Accioly

Quando se observa o posicionamento de nossos homens públicos, e são ouvidas as suas opiniões com relação às instituições, sente-se medo do caminho trilhado pelo país. Não é possível que não se enxergue a extensão do roubo praticado contra o Estado brasileiro. Que não se percebam quadrilhas organizadas, disfarçadas de partidos políticos, saqueando todo o patrimônio nacional. E, principalmente, que fique impune tanta bandalheira.

Dia desses, o ministro Marco Aurélio (STF), afirmou que causa "pasmo" o "prolongamento" de prisões efetuadas na Operação Lava Jato, pois entende que o longo período de detenção (para ele), transmite a impressão de "antecipação" de pena. Vejam só: bandidos disfarçados de empresários carregam quase todo o patrimônio nacional, acumpliciam-se com o ex-presidente Lula da Silva, o Lularápio e com a presidente, Dilma Roussef, esvaziam os cofres públicos e o ministro quer limitar investigações!

Não satisfeito, Marco Aurélio declarou, dias depois, que "cadeia não conserta ninguém!" Ninguém em sã consciência entendeu as declarações de sua excelência, como se estivesse liberando a bandalheira. Afinal, para que servem os tribunais? Se o ministro acredita mesmo que "cadeia não conserta ninguém", e faz profissão de fé em tal princípio, está explicado o porquê de haver concedido habeas corpus ao banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, no ano 2000.

Cacciola, cidadão italiano, foi condenado a 13 anos de prisão por peculato, em 2005, e voltou ao Brasil em 2008, preso pela Interpol, para cumprir pena de três anos dos 13 anos a que fora condenado, encontrando-se, desde 2011, livre como um passarinho e pronto para outras (se for o caso). As leis no nosso país são lenientes, pois elaboradas por congressistas quase sempre envolvidos em todo tipo de falcatrua. Boa parte de nossos parlamentares legisla em causa própria.

Marco Aurélio Mello não revela o que o leva a gostar tanto de tribunais, a ponto de se esforçar o quanto pode para conseguir a nomeação da filha, Letícia Mello, para o cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A nomeação foi assinada pela presidente Dilma Roussef no dia 19 de março do ano passado. Muita gente ficou "pasma", para utilizar expressão do ministro, pois a filha de 37 anos, tida como jovem, passou à frente de nomes experientes e de maior expressão curricular.

Agora, outra coisa que deixa a todos de boca aberta é a constatação de que a máquina estatal do país se encontra direcionada unicamente para o favorecimento de roubalheira sem fim. O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), já condenado no episódio do mensalão, foi preso novamente, pois envolvido na Lava Jato. Ele se encontrava no município pernambucano de Canhotinho (PE), em regime de prisão semiaberto e, de repente, viu-se transferido para uma cela da Polícia Federal de Curitiba (PR).

Em Curitiba, vai tomar banho frio, a cela é coletiva e o sanitário é um buraco no chão! Não terá qualquer privacidade e ninguém sabe quanto tempo irão durar as investigações e depoimentos, pois ali se encontram ladrões empresários detidos desde o último ano. Pois sabem o que "sugeriu" o advogado e primo, Clóvis Corrêa Filho? Que ele faça delação premiada, "contribuindo para o aperfeiçoamento do processo democrático, pois sabe de muita coisa".

* Jornalista


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12/04


2015

O discurso

* Marcelo Alcoforado

Com gestos exagerados, discurso candente na voz de um governo cadente, pleno de estudada indignação, a presidente República reservou parte substancial de sua fala de ontem para transmitir novidades da famigerada Petrobras. Pelo histrionismo, não há como duvidar de que recebeu aulas do seu mentor e inventor, assimilando-as plenamente. Pronunciou-se com a veemência e a indignação que os menos favorecidos tanto apreciam ouvir e aplaudir.

Algo fica evidente: no atual governo, tão marcado por acontecimentos condenáveis, tudo é motivo para comemoração. Veja-se que no exato momento em que o petróleo sobra em todo o mundo, tanto que o preço do barril caiu vertiginosamente e levou os principais produtores a reduzir a extração do óleo, a presidente Dilma Rousseff comemora haver – assim disse – rompido a barreira dos 500 mil barris diários na reserva do pré-sal, atingindo, em dezembro de 2014, a marca dos 700 mil barris.

Curiosa, a Petrobras: sempre que surge um escândalo, ela produz mais ou descobre novos mananciais petrolíferos. Ou seja, quanto pior, melhor. Será por isso a prática dos escândalos sistemáticos? Serão os fatos econômicos e não policiais? A Petrobras superou a crise – garante a senhora Dilma Rousseff, embora não consiga fechar um prosaico balanço auditado. Será tal impossibilidade indicadora de normalidade na empresa?

Bem, a presidente falou alto e bom som: “vocês podem ter certeza de uma coisa, a Petrobras já deu a volta por cima como hoje mostrou a que veio”. E continuou a desfiar a volta por cima, comunicando que a empresa ganhara o prêmio da Offshore Technology Conference, dos Estados Unidos, decerto esquecida dos processos a que a empresa responde naquele país. Arrematou, mais, que a companhia dará muito mais orgulho do que já deu, sem deixar de pedir à plateia que não se deixasse enganar...

A apoteose, contudo, veio com o brilho e as frases perolinas que marcam os pronunciamentos da presidente: “se a Seleção é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria de macacão e as mãos sujas de óleo”.

Não é óleo, não, presidente Dilma Rousseff. É lama.

* Jornalista e publicitário


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08/04


2015

Viva a roda quadrada!

* Márcio Accioly

Os nossos chamados “dirigentes” não despertam confiança ou credibilidade. Em audiência no Senado nesta terça-feira (07), o ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB-AL), afirmou que “o Brasil paga alto preço por ineficiência tecnológica”.

Sua excelência excelentíssima estava sentado à direita do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), aquele que condena peremptoriamente a corrupção, mas que defendeu em discurso no plenário o ex-reitor da UNB, Timothy Mulholland, acusado de comprar lixeiras e outros apetrechos por preços exorbitantes. Quem observou a cena ficou absolutamente sem entender: Rebelo é contra ou a favor da tecnologia?

É bem possível que o ministro seja favorável e contra, dependendo das circunstâncias. Quando deputado federal, Aldo Rebelo propôs, certa vez, projeto de lei “que proibiria a adoção por qualquer órgão público de todos os níveis, de qualquer inovação tecnológica que seja poupadora de mão de obra sem prévia comprovação de que os benefícios sociais auferidos com a implantação suplantem o custo social do desemprego gerado”. É possível entender?

O ministro desejava criar embaraços ao avanço da Ciência, cujo Ministério no Brasil ora ocupa, se isso resultasse em desemprego. Era uma proposta assim como impedir que se fizesse a roda, tendo em vista que muito mais pessoas seriam empregadas caso tivessem de deslocar algum objeto ladeira acima nas costas.

No tempo da camisa de força partidária, existiam apenas dois partidos (Arena e PMDB). As várias correntes dentro do PMDB fizeram com que surgisse em seu bojo o “PMDB autêntico”, reunindo pessoas sérias (já que toda regra tem exceção) e uma maioria de picaretas cujos remanescentes gatos pingados continuam por aí fazendo das suas e desdizendo o que disseram a vida inteira.

Formou-se, então, à época, bloco de oportunistas que defendia o mercado de informática na área nacional e queria, simplesmente, proibir a importação de computadores que começavam a se expandir no mercado internacional com programas criados e imaginados por Bill Gates. Nossos comunistas e esquerdistas de escol desejavam o surgimento de dezenas de Bill Gates em solo tupiniquim, embora a nossa educação já estivesse no caminho da ruína.

Eles sempre são bem intencionados, pois queriam que surgisse um monte de figuras como Einstein, embora até hoje o mundo só tenha produzido um. Queriam, certamente, que se repetissem nos estudantes brasileiros que vão para escolas caindo aos pedaços e com professores mal pagos, uma porção de gente como Johann Kepler e Isaac Newton, nomes que certamente essa gente desconhece, por impossíveis de guardar na memória.

Nossos homens públicos, em esmagadora maioria, não possuem qualquer convicção. Vejam o caso do novo ministro da Educação, Roberto Janine Ribeiro, que falou mal do governo numa semana e na outra se incorporou ao quadro de defensores da mesma gestão. E ainda veio falando da “grandeza” da presidente, porque ela soube receber a crítica que ele fizera. Não se chame a isso de falta de respeito a si próprio ou falta de vergonha!

O que nós vemos acontecer no Brasil de hoje deixa àqueles, que ainda conseguem raciocinar o mínimo, com muito medo e apreensão. Pensava-se ser impossível reunir tantos incompetentes em cargos tão proeminentes. Mas há quem acredite que as coisas terão de piorar antes de se partir para mudanças. Diante de tal cenário, não pode se esperar bom final.


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06/04


2015

Tonca: Oh linda Prefeitura!

* José Adalberto Ribeiro, jornalista

RIBEIROLÂNDIA -- O advogado Antonio Campos, irmão de Eduardo Campos, emite sinalizações – movimentação nos bastidores, outdoors nas ruas e mensagens-telefonemas aos eleitores na época de Páscoa – de que está na malha das cogitações disputar a Prefeitura de Olinda no próximo ano pelo PSB. Tripulante de proa do legado da Dudulândia, é legítimo que esteja no páreo.  

Considero irrecusável reconhecer a legitimidade da movimentação política de Tonca (como ele é conhecido). O cara é jovem, de uma família política, tem inserção na área cultural e revela ânimo para a vida partidária. Falar em forasteiro é indigência cultural, provincianismo primário. O fato de ser ele irmão de Eduardo Campos deve ser motivo de orgulho e não de demérito e não pode torna-lo inelegível para a vida pública. Ele que tente construir sua candidatura. Olinda é uma cidade-vitrine para o Brasil, patrimônio cultural da humanidade, não comporta acusações de mesquinharias.

Conheci o pai de Antonio Campos, Maximiano Campos, em alguns contatos políticos e sem maiores amizades, através do arquiteto e deputado Artur Lima Cavalcanti, uma das mentes mais brilhantes que conheci, inteligência luminosa, de atitudes às vezes tempestuosas, amigo solidário e afetuoso. O convívio de Artur com Maximiano era de intelectuais, nem sempre pacífico, sob a ascendência política de Miguel Arraes. Nos tempos da governança de Arraes, Antonio Campos era e Eduardo eram rapazotes e quase não tive contatos com eles. Ainda hoje só conheço o famoso Tonca de vista. Conheci Eduardo desde quando foi deputado estadual, secretário, deputado e governador.

Do mito Arraes, o homem dos pigarros, cuja expressão ajudei a popularizar quando colunista político do Diário, guardo milhões de  lembranças e milhões de histórias. Entendo agora que Antonio Campos herdou o lado intelectual de Maximiano. Li recentes entrevistas dele e constatei sua cultura humanística e formação intelectual.  Vou parar por aqui para não parecer louvação graciosa.

Eduardo governador, uma vez disse para ele em evento no Palácio: “Você é ninja”. Ele respondeu: “Ninja porra nenhuma! Sou um lutador”. Também ouvir Eduardo dizer que o Brasil não aguentava mais quatro anos com Dilma na Presidência.  Olinda hoje é uma cidade dominada pela caterva vermelha ortodoxa do “B”, stalinistas de origem, ainda hoje adeptos das ditaduras comunistas decrépitas de Cuba, da Coréia do Norte, órfãos da tirania terrorista na Albânia.

No plano nacional, são os caboclos mamadores chapa-branca da UNE. Tenho dito e escrito, em tom de ironia, que Olinda é a única cidade do mundo onde ainda existem hippies e comunistas, uma mistura de marijuana com charutos cubanos. Olinda merece uma assepsia política.

Ainda sobre a família Arraes-Campos, considero especulação vazia dizer que a viúva Renata Campos está cotada para ocupar tais ou quais cargos em 2016 ou 2018. Ela própria tem dito, de modo sensato, que é mãe de cinco filhos para criar. Esta é uma missão muito nobre. Se o filho mais velho, João Campos, de 21 anos, estudante de Engenharia, emergente na área, tiver vocação e gosto pela política, também terá legitimidade para pleitear um mandato eletivo. O espólio político de Eduardo se dilui com o tempo e ele terá que acender luz própria.

Cada um, cada família e cada conjunto partidário cuida dos seus destinos. Nesse contexto, apenas mais uma vez como observador, direi que a mãe de Eduardo Campos, ex-deputada Ana Arraes, cumpriu sua missão na vida pública, padeceu vários lutos em família e faz jus a uma aposentadoria como conselheira do Tribunal de Contas da União, um dos empregos mais cobiçados da República. Especular que ela seria candidata ao Senado significa forçar os horizontes da política e dá margem a se falar em nepotismo, ou familismo.

Voltando ao ponto de partida, Tonca já tem régua e compasso. Se houver ressonância para suas propostas, ele e o PSB vão projetar seus espaços em Olinda. Oh lindo cenário para se travar uma batalha contra os sovietes ortodoxos da caterva comunista do “B”! Adelante!      

 * Jornalista

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Nehemias Fernandes Jaques

Onde está a repulsa da sociedade com escândalo da fraude no Carf? \'The Economist\': Zelotes pode ser maior que Lava Jato Reportagem publicada na última edição do The Economist destaca que a Operação Zelotes, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais de R$ 19 bilhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) pode \"apequenar\" o esquema na Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato. A Economist destacou que o valor supostamente desviado no esquema, de R$ 19 bilhões, seria suficiente para cobrir 75% de toda a conta com a Copa do Mundo de 2014. \"Esse valor é aproximadamente o dobro dos supostos desvios envolvendo a Petrobras\", destacou a revista. Onde Não há repulsa porque falta o PT?




03/04


2015

A Canalhice Institucionalizada

* Márcio Accioly

Quinta-feira de semana chamada “Santa”, eu me descubro, de repente, assustado com manchetes exibidas por diversos jornais, onde o foco principal é o roubo interminável do dinheiro público, praticado pela classe dirigente que infelicita o país. Vejo, também, capas de revistas que promovem artistas de televisão e cantores que gemem no acompanhamento de música identificada como “sertaneja” e, naturalmente, percebo de forma inequívoca o centro principal de alguns de nossos males.

Na capa de uma das revistas, a cujo nome eu não creditei importância, Fernanda Montenegro denuncia “preconceito” de determinada parcela da população que está boicotando a novela Babilônia, exibida na Rede Globo, como se todos tivéssemos o dever e a obrigação de observar, e certamente seguir, todas as sacanagens ali praticadas, culminando com duas senhoras em idade provecta a darem lições de sexo com beijos escandalosos em que enfiam a língua de uma dentro da boca da outra.

Eu não sou contra nada disso, mas entendo que uma emissora de televisão, que vem enganando e destruindo o país desde a sua criação, não tem ou não teria o direito de transformar o país num bordel de quinta categoria, fomentando a prostituição, a pouca-vergonha, o desrespeito puro e simples, a falência de todas as instituições, e criando essa estrutura que agora vemos de forma limpa e transparente: somos um país de canalhas! E ninguém, absolutamente ninguém, levanta a voz contra essa bandalheira!

Há alguns anos (1991-92), um amigo canadense, grande empresário em seu país, veio ao Brasil e nos reunimos em minha casa, a fim de traçarmos pequeno roteiro que ele deveria seguir num contato comercial que faria junto a órgão federal. Era noite e o aparelho de televisão se encontrava ligado, quase sem som, num programa então exibido pelo SBT (Cocktail). Num determinado instante, o canadense me perguntou se eu havia notado o aparelho conectado a canal pornográfico.

Foi quando me dei conta de um programa semanal ancorado por Miéle, onde moças de corpos esculturais faziam topless sem a menor cerimônia. Eu respondi:

“-Isso aí é TV aberta, não assino canal pornográfico”. Mostrando enorme surpresa, ele perguntou:

“-Quer dizer que se eu estivesse aqui com meus filhos menores e eles ligassem a televisão, poderiam acessar tranquilamente esse tipo de coisa?” Respondi que sim.

“-Então, você me desculpe, mas um país como o Brasil nunca irá dar certo. Porque priorizar pornografia em vez de educação, jamais irá colocar bons profissionais no mercado ou devotados ao conhecimento e ao desenvolvimento”. Concordei.

O que ele me disse caiu como um raio grávido de entendimento.

Já se passaram mais de 20 anos, depois daquela lição recebida e tudo só fez piorar. Os “educados” pela Rede Globo, e pelas demais emissoras que com ela rivalizam, “formam” todos os anos quantidade enorme de canalhas, vigaristas, pedófilos e salafrários de todos os níveis mais desmoralizantes, sem que ninguém consiga enxergar nada disso. Aos que ousam protestar contra o nível da grade de transmissão de nossas emissoras, retruca-se com a argumentação de que “isso não é nada demais”.

A ignorância, o desconhecimento, a banalização de horrores, fez a classe média se juntar com parte significativa dos meios de comunicação e eleger um operário alcoólatra (e ladrão), que na realidade nunca trabalhou pesado na vida, para dirigir um país onde os analfabetos e os desmoralizados é que comandam nosso destino.

Temos de gritar bem alto em praças públicas, para que se formule urgentemente, um novo modelo para o Brasil. Estamos morrendo aos poucos, mas o passo em direção à ruína vai se acelerar. É preciso que se aja logo e se dê um basta a tanta canalhice.

* Jornalista


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Nehemias Fernandes Jaques

Dói, mas tem cura Brasil de hoje é melhor do que o dos militares,

Nehemias Fernandes Jaques

HSBC E ZELOTES ATINGEM CORAÇÃO DA DIREITA NO PAÍS.Juntos, os escândalos das contas secretas no HSBC (o chamado Swissleaks) e das propinas pagas para aliviar multas tributárias (a Operação Zelotes) fazem um strike em personalidades que alimentam o pensamento conservador no Brasil; na Zelotes, o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau, mantenedor do Instituto Millenium, aparece como pagante da maior propina (R$ 50 milhões); na mesma operação, está também a RBS, de Eduardo Sirotsky e Armínio Fraga (R$ 15 milhões), que é afiliada da Globo; no Swissleaks, um dos nomes é o de José Roberto Guzzo, diretor da Abril, que é também mantenedora do Millenium; a direita, no Brasil, não gosta de pagar impostos? Dois escândalos recentes, batizados como Swissleaks e Zelotes, evidenciam uma realidade brasileira: ricos não gostam de pagar impostos, nem de declarar todo seu patrimônio. O caso Swissleaks, alvo de uma CPI no Senado, envolve 8.667 brasileiros que mantêm ou mantiveram contas secretas na Suíça, no HSBC de Genebra. A Operação Zelotes fisgou uma quadrilha especializada em vender facilidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf, causando um prejuízo estimado em R$ 19 bilhões. Os dois casos tratam de um mesmo fenômeno: sonegação fiscal. O que une as duas pontas é a presença de nomes ilustres da direita brasileira, que tentam impor uma agenda conservadora à toda sociedade. Nesta sexta-feira, uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo revelou que o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau, é suspeito de pagar a maior propina da Operação Zelotes: R$ 50 milhões para cancelar uma dívida tributária de R$ 4 bilhões. Um \"bom negócio\", com o pagamento de um real para cada 80 devidos (saiba mais aqui). Gerdau é o principal mantenedor do Instituto Millenium, um instituto criado por empresários brasileiros para consolidar um pensamento único no País, alinhado à direita e ao neoconservadorismo. Na página do Millenium, aparece como \"grupo líder\" (confira aqui), ao lado da Editora Abril, que publica Veja e cujo conselheiro editorial José Roberto Guzzo, um de seus principais articulistas, publicou artigo sobre como é insuportável viver no Brasil de hoje (leia aqui) – Guzzo, para quem não se lembra, foi um dos jornalistas citados no Swissleaks. Voltando ao Millenium, abaixo do \"grupo líder\" aparece o \"grupo apoio\", onde desponta a RBS, afiliada da Globo na Região Sul, comandada por Eduardo Sirotsky. O envolmento da RBS, assim como o de Gerdau, é com a Operação Zelotes, onde a empresa teria pago uma propina de R$ 15 milhões para abater uma dívida de R$ 150 milhões. Um negócio bom para quem gosta de levar vantagem, mas não tão bom quanto o de Gerdau. No caso da RBS, a relação seria de um real pago para cada dez devidos. Nesta sexta-feira, como lembrou Fernando Brito, editor do Tijolaço, a RBS é sócia de ninguém menos que o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso e ex-futuro ministro da Fazenda de Aécio Neves (leia mais aqui). Em sua página, o Instituto Millenium informa trabalhar pela promoção da democracia, da liberdade, do Estado de Direito e da economia de mercado. Mas, e os impostos?

Nehemias Fernandes Jaques

ESPOSA DE MORO FEZ PARTE DA \' MÁFIA DAS FALÊNCIAS \' NO PARANÁ. A advogada Rosângela Wolff de Quadros Moro, esposa do implacável Juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Fernando Moro, foi alvo de uma intensa investigação feita pela Assembléia Legislativa do Paraná em 2011, no qual o Casa de Leis descobriu que a advogada, juntamente com os advogados Marcelo Zanon, Fábio Zanon Simão, e Rubens Acléssio Simão, fariam parte de um mega-esquema de falências revelado nas apurações da comissão parlamentar de inquérito. Na época saiu até um livro sobre o esquema desbaratado pela CPI, no qual o título é: “Poder, Dinheiro e Corrupção: Os Bastidores da CPI das Falências”, obra escrita pelo deputado Fabio Camargo (PTB) autor e presidente da CPI. Inclusive, na obra é anexada cópia de um pedido de prisão feita contra os investigados pela polícia civil. As supostas condutas criminosas apresentadas neste documento foram um dos motivos do pedido de recolhimento de todas as edições do livro. A banca de advogados é acusada de conduta de desvio de valores na administração de mais de cem falências, segundo apurou a CPI das Falências. “Poder, Dinheiro e Corrupção: Os Bastidores da CPI das Falências” O administrador judicial Marcelo Zanon também protocolou uma notícia crime justificando que o deputado, ao publicar algumas informações no livro, teria cometido crime de violação de segredo de justiça, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão e mais multa, segundo a lei 9296/1996, no artigo 10. O MP rejeitou o pedido ao alegar da impossibilidade de cometimento de crime por uma questão de datas. As cópias do inquérito que constavam dados divulgados na obra não estavam sob segredo de justiça pelo período de mais de um mês. Permaneceram disponíveis junto à Vara de Inquéritos para consulta, segundo trechos do parecer. O procedimento contra o deputado no MP é de número 18327/2012. Desde o começo de CPI, Camargo sofreu diversas ações da família Simão, a maioria buscando censurar seus pronunciamentos ou proibir divulgar informações nos veículos de comunicação. Todas, até o momento, rejeitadas pelo MP e pela Justiça. De acordo com o deputado “algumas empresas se perpetuam por cerca de 20 anos em processo de falência para deixar de pagar seus impostos, funcionários e credores”. Há indícios de esquema entre proprietários de empresas falidas e os administradores da falência designados pela Justiça. Em apenas uma das quatro varas judiciais que tratam de falência em Curitiba, são movimentados R$ 15 bilhões em processo de falências e concordatas. CNJ vai investigar “máfia das falências” no PR TJ impede advogado de atuar em falência, mas e a esposa de Moro? PF investiga mafia das falências PF INVESTIGA \"MÁFIA DAS FALÊNCIAS\" NA JUSTIÇA DO PR




02/04


2015

Os superpoderes

Por Marcelo Alcoforado

Quando Lois Lane enfrentou uma irreversível doença, a medicina concluiu que o mal poderia ter sido evitado se, no dia anterior, ela houvesse adotado algumas providências. Lamentavelmente, porém, decerto esquecidos de que ela era a namorada do Super-Homem, os médicos consideravam que não era possível reverter o tempo. Era. O herói alçou voo e simplesmente atrasou o tempo em 24 horas, girando a Terra no sentido inverso ao da rotação.

Pois saiba que no recente, 31 de março, aconteceu algo parecido. Foi algo como fazer o globo terrestre completar dois movimentos de rotação em 24 horas e não um como ensinam as professoras do curso primário. É estranho, repita-se, mas que aconteceu, aconteceu. Quer saber como? Na noite de 31 de março, homenageou-se o 1º de abril. O senhor Luiz Inácio da Silva, ex-presidente da República, disse estar indignado com a corrupção. É o que você acaba de ler!

Em plena campanha para o pleito de 2018, em evento com a claque de 3 mil petistas e sindicalistas, ele assumiu alguns erros do governo Dilma Rousseff na economia, explicando, contudo, que a crise não é econômica, mas política.

Falastrão como costuma ser, aquele senhor falou aumento da conta de luz, da gasolina, explicou que “quando não se erra na política, não se erra em nada”, prosseguindo em sua campanha. Quanto à corrupção, reiterou haver sido o governo do PT a criação das ferramentas para descobrir e punir os corruptos, tanto que petistas integrantes do Estado-Maior do governo e do partido foram condenados e presos. Mas, há que se perguntar, por que só os petistas e membros dos partidos que apoiam o governo? Por que a tentativa de intimidação do ministro Gilmar Mendes, membro do STF, a instância que julgaria e viria a condenar os mensaleiros?

Por fim, coroando a antecipação do tempo, o “grand finale”: “Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção. E tenho a certeza de que este País nunca teve ninguém com a valentia da presidenta Dilma de fazer investigação contra quem quer que seja”.

Na noite de 31 de março o mundo girou mais rapidamente, fazendo o primeiro de abril chegar mais cedo.


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