O Jornal do Poder

04/06


2006

Mendonça lidera e Humberto empata com Eduardo em PE

Pesquisa do Instituto Opine, publicada na edição desta segunda-feira na Folha de Pernambuco, aponta o candidato do PFL a governador, Mendonça Filho, na frente, com 33.8%. Em relação à sondagem anterior, ele teve um crescimento de 5.6%. Em segundo lugar, empatados tecnicamente, aparecem Humberto Costa, do PT, com 20.2%, e Eduardo Campos, do PSB, com 18.6%.

O candidato do PTB, Armando Monteiro Neto, está em terceiro, com 6.7%. Clóvis Corrêa, do Prona, tem 1% e Luiz Vidal, do PSDC, é o lanterna, com 0.5%. Indecisos somam 13% e 6.3% disseram que não votariam em nenhum dos candidatos apresentados na cartela da pesquisa. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O Opine ouviu 1,2 mil pessoas em cerca de 100 municípios do Estado, entre os dias 1 a 3 deste mês. No cenário do segundo turno, Mendonça Filho bate todos os seus adversários. Frente a Eduardo Campos, o pefelista aparece com 46.2%, enquanto o socialista tem 32.4%.

Já se o segundo turno ocorresse entre Mendonça e Humberto Costa, o pefelista teria 45% e o petista 31.5%. No cenário Mendonça X Armando, seria 52.4% a 18.5%, respectivamente. Já no último cenário pesquisado - Humberto X Eduardo, o petista teria 38% e o socialista 36%.


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Potencial Pesquisa & Informação

01/06


2006

Proibido crédito consignado para aposentados

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou hoje de manhã projeto-de-lei proibindo os bancos de emprestarem dinheiro aos aposentados e pensionistas do INSS naquela modalidade em que as parcelas são descontadas direto da folha de pagamento - o chamado crédito consignado. A CCJ não atribui mérito às suas votações, apenas julga a legalidade das matérias em trâmite na casa.E nesse caso, disse não ver problema em proibir cidadãos de se endividarem da forma que quiserem.

Bom, este blog vai consultar um jurista para questionar o resultado dessa votação. Mas enquanto isso não acontece, aqui vai pelo menos uma breve análise política. O crédito consignado e o microcrédito em geral são duas bandeiras da campanha de Lula pela reeleição, porque permitiram a classes mais pobres participarem do mercado de consumo. O que a oposição faz já há algum tempo é bombardear a idéia de que isso seja bom, porque ao fim e ao cabo criou-se um imenso contingente de aposentados endividados até o pescoço e cheios de problemas financeiros.

A CCJ do Senado é presidida pelo oposicionista Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o que explica em parte a aprovação desse projeto, que além dessa proibição, também impede os bancos de fazerem propaganda do crédito consignado (lembram da Hebe Camargo oferecendo dinheiro aos apostados, numa propagando do banco do Sílvio Santos?).


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Banco de Alimentos

12/05


2006

Busato: “Crise é mais profunda que a de Collor”

Voraz crítico do estágio de composição moral dos políticos e do Governo petista, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, confirma que o Conselho da instituição tem reunião agendada para o próximo dia 8, para analisar o pedido de impeachment do presidente Lula. Busato, entretanto, não arrisca fazer uma previsão do seu resultado. “O que posso garantir é que, qualquer que seja o seu resultado, será muito apertado”, diz, nesta entrevista exclusiva à Agência Nordeste.

 

Para ele, a crise que atinge o Governo Lula é gravíssima. “É bem mais extensa e profunda que a do Governo Collor, sobretudo após a denúncia formal do MP. Mas, por circunstâncias sociologicamente complexas, não produz a mesma mobilização de ruas”, observa. Há 10 dias, Busato esteve com Lula e ao próprio presidente confirmou a intenção da OAB de avaliar o pedido de abertura de impeachment.

 

Na última quinta-feira, por ocasião da posse da nova presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, Busato voltou a criticar duramente o Governo, num ato em que estava o presidente Lula, que chegou a demonstrar incômodo com o tom das palavras. Mas, o dirigente da OAB garante que não há fixação em fazer oposição ao Governo. “Minha visita ao presidente não me fez mudar de opinião”, garante.

 

O senhor não acha que foi duro demais com o Congresso no discurso que fez na posse da presidente do ST?

Não quis constranger ninguém. Procurei refletir tudo aquilo o que aconteceu nos últimos dois anos. A Ordem não cria fatos, apenas os repercute quando eles afetam a sociedade civil. Não entendo, também, que tenha havido descortesia com ninguém, muito menos com o Congresso Nacional, tendo em vista que na posse da ministra Ellen Gracie, no STF, eu fiz um contraponto entre uma parte do Congresso e outra parte daqueles políticos que não estão ali mais. Quis me referir, ainda, as posições tomadas pelo Conselho de Ética e ao resultado no plenário. Acredito que tenha sido, sim, uma repercussão dos fatos como eles aconteceram.

 

Mas, o líder do governo, Arlindo Chinaglia, disse que o senhor foi descortês com o Congresso em seu discurso...

Eu posso sim ter sido descortês, mas com os liderados dele, que cometeram infrações éticas. Não fui descortês com o Congresso. Se fui descortês, fui exclusivamente com os deputados que agiram erradamente no Congresso e que são liderados por ele, Arlindo Chinaglia.

 

Os governistas acusam a OAB de estar fazendo discurso oposicionista, enquanto a oposição cobra atitude crítica mais veemente contra o Governo. Como fica a instituição nesse fogo cruzado?

Fica onde sempre esteve: ao lado da lei e da sociedade civil. A OAB não sobe em palanque. Não tem vínculo partidário ou ideológico. Nosso único compromisso é com a cidadania e com o que estabelece o Estatuto da Advocacia: a defesa da Constituição, da ordem jurídica do Estado democrático de Direito. É sob esse ângulo, e somente por ele, que fazemos à leitura crítica da crise política.

 

E o senhor acha que ela pode desembocar no impeachment do presidente da República?

A crise é grave, gravíssima - e bem mais extensa e profunda que a do Governo Collor, sobretudo após a denúncia formal do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Mas, por circunstâncias sociologicamente complexas, não produz a mesma mobilização nas ruas. Não há caras-pintadas, nem ambiente popular de rejeição ao presidente. Ao contrário, ele continua liderando as pesquisas de opinião para sua sucessão.

 

A OAB vai examinar, no próximo dia 8, proposta de impeachment no âmbito de seu Conselho Federal. O senhor já tem noção da tendência?

Não tenho essa resposta. A decisão será dos conselheiros federais da OAB. A proposta foi encaminhada por um de nossos conselheiros e submetida a uma comissão técnica. O relator, o advogado Sérgio Ferraz, apresentará seu voto, que será submetido a um universo de 81 conselheiros. Nossa instituição é plural. Reflete a diversidade da sociedade brasileira. Pode dar qualquer resultado, mas penso que será apertado.

 

O senhor esteve com o presidente Lula, na semana passada. Ele lhe pediu alguma coisa em relação à proposta de impeachment?

Fui ao presidente entregar um convite para a reunião, em novembro, da União Internacional dos Advogados, entidade mundial máxima de nossa profissão, que acontecerá no Brasil, em novembro, e empossará na sua presidência um brasileiro.

 

Não é uma contradição levar um convite ao presidente e, simultaneamente, submetê-lo a um processo que poderá apeá-lo do poder?

São coisas distintas. A importância do evento da UIA nos impõe uma liturgia, que é a de convidar para sua abertura os chefes dos três Poderes da República. O convite é impessoal; é para a pessoa jurídica. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

 

No período ditatorial, a OAB assumiu bandeiras importantes devido restrições impostas aos partidos. Por que, em pleno regime democrático, os partidos não assumem essas bandeiras?

Após a redemocratização, em face dos sucessivos escândalos políticos, os partidos perderam credibilidade e interlocução com a sociedade. E esta buscou em seu próprio âmbito referências mais confiáveis. Daí a presença de instituições como a nossa na cena política, ao lado de outras como CNBB, ABI e outras entidades.

 

O que se diz é que, optando ou não pelo impeachment, a OAB pagará um ônus político, já que a sociedade está dividida diante da crise. O que o senhor acha?

Não há ônus político quando se joga limpo e sem segundas intenções. A OAB não aufere dividendos políticos com os seus ideais. Se a sociedade está dividida, é em função das contradições do jogo político brasileiro e do mau papel de grande parte de seus agentes. Nem todos os que denunciam os atuais escândalos têm folha corrida que os autorize a fazê-lo. E isso confunde o eleitor. Mas a Ordem pauta sua atuação por princípios claros, baseados na ética e no apartidarismo, e não permitirá o uso de sua imagem nos palanques eleitorais. Quem o fizer será denunciado.

 

Ainda sobre o impedimento, o ministro Tarso Genro destacou que há posições de setores da sociedade que o consideram discutível, ou uma espécie de “golpismo”, já que o presidente Lula teria 60% de aprovação dentro da sociedade. Ele tem razão?

Eu conversei com o ministro Tarso Genro e a conversa não chegou nesse nível. Ele não falou em golpismo por parte da Ordem. A OAB sempre manteve uma posição muito altiva nesse ponto. O ministro Tarso Genro jamais tachou de golpista a iniciativa da Ordem. Nós acatamos uma iniciativa de plenário e vamos discutir esse assunto e resolvê-lo com a mesma tranqüilidade que discutimos os grandes acontecimentos da nação. A história da Ordem se mistura com a história da República do Brasil. E a OAB não construiu sua história com golpismo, com jogo baixo ou com influências político-partidárias. Ela sempre fez a sua história e a sua política na trincheira da luta democrática, tentando auscultar aquilo que a sociedade civil pensa e aquilo que os advogados entendem estar de acordo com o Estado Democrático de Direito.

 

O senhor tem feito duras críticas ao Governo e batendo na crise nacional. Por que?

Eu continuo dizendo que esta é a maior crise político-institucional que existiu desde o início da República. Eu não mudei de opinião em função da visita ao presidente da República. Aliás, o próprio presidente da República hoje se lamenta dessa política e eu acredito que nenhum brasileiro consciente está satisfeito com a situação aí colocada. Nós vimos na abertura do ano jurídico, por exemplo, o senador Renan Calheiros afirmar que Congresso Nacional ficou 65% de seu tempo paralisado por medidas provisórias. Quem é que está satisfeito com uma situação dessa? Evidentemente, nem o presidente da República está satisfeito e a OAB continua insatisfeita. Já disse um ex-presidente da OAB, na última sessão plena, que quando a Ordem não fala, não critica, ela já está aplaudindo, já está dizendo que está tudo correto. A Ordem estará, assim, se manifestando de forma altiva, como sempre fez. Não mudei de posição e continuo dizendo que o assunto do impedimento está pautado para o dia 8 de maio, em sessão pública, e não me cabe, como presidente, tangenciar agora o entendimento da entidade.

 

Doutor Busato, o senhor não acha que o Congresso, que não cassa nem os “mensaleiros”, tem autoridade para cassar um presidente da República?

Todos nós estamos apreensivos com a capacidade deste Congresso. Em relação a isso, discutimos com o presidente a reforma política para o ano que vem. O presidente Lula achou interessantes algumas teses que a Ordem vem discutindo, até mesmo aquela que expus - e fui bastante criticado - que é a de lançamento de uma Constituinte exclusiva, apartada do Congresso, com tempo correto e assuntos definidos para serem abordados. O presidente viu com simpatia esse projeto, sabedor de que alguma coisa tem que ocorrer para mudar a situação política do País.

 

OAB não teme a criação de um clima de polarização como ocorreu na Venezuela? Um presidente com apoio das camadas populares, enfrentando um pedido de impeachment na hora da eleição, isso não pode criar um clima negativo de polarização no País?

Eu tenho dito que o pior remédio no Estado democrático de Direito é o impedimento do presidente da República. Ele é o guardião-mor da Constituição, é a autoridade número um do País, representa o País e a sua soberania. Evidentemente, este é um momento difícil, em que temos que ter serenidade. Ninguém quer, eu particularmente não quero - e tenho visto isso na advocacia brasileira - uma situação de divisão do País como a que ocorreu na Venezuela. Nós, absolutamente, não apoiamos qualquer atitude sectária de divisão de classes no Brasil. O País não tem esse tipo de problema. O problema do Brasil é outro. O problema do Brasil é ético, de crise moral que contaminou dois poderes. E temos que resolver isso de forma serena, de forma democrática e absolutamente altaneira, como sempre foi a posição do Brasil.

 

Impeachment é uma decisão de colegiado no caso da OAB. Mas pessoalmente, o senhor, como presidente da OAB, acredita que há fundamentação jurídica para tal pedido?

Como presidente da entidade, quero declarar que estou empenhado seja para a instituição votar a favor do impeachment seja contra o impeachment. Cabe a mim presidir o Conselho Federal. E o Conselho Federal da OAB é composto de excelentes juristas, sendo 81 juristas de todo o Brasil e mais os membros honorários vitalícios, pessoas de alto respeito dentro da instituição e na vida pública do país. O assunto está pautado. Consta do Diário Oficial da União de hoje a convocação do Conselho Federal para o dia 8 de maio, às 9h, em audiência pública aberta à nação brasileira. Nessa ocasião, a Ordem irá se manifestar a respeito dessa matéria, que foi acolhida por este presidente por ter sido uma deliberação de plenário dentro da Ordem.

 

Não me cabe, ao momento em que o assunto está pautado, discuti-lo. Eu tenho agido assim durante todo o meu período enquanto presidente. Quando está pautado um assunto dentro do Conselho Federal, o presidente procura não comentá-lo até para não modificar o pensamento dos senhores conselheiros. Cabe-me, repito, presidir a entidade. Somente afirmo que cumprirei com toda a dignidade a integridade daquilo que o meu Conselho determinar. O que a instituição se inclinar a fazer, o presidente estará à frente, acompanhando o que decidirem os advogados brasileiros.


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11/05


2006

Sanguessuga: motorista levava dinheiro aos congressistas

Segundo reportagem de hoje do jornal Folha de São Paulo, a Polícia Federal captou conversas telefônicas, durante a Operação Sanguessuga, que confirmam que os integrantes da quadrilha mandavam dinheiro para os congressistas ou para seus assessores por meio do motorista Fernando Freitas. Ele foi motorista da empresa Planam - principal beneficiária da venda superfaturada de ambulâncias a prefeituras, pagas com recursos do Orçamento da União por meio de emendas parlamentares.

Freitas disse ainda que empresários que comandam a Planam, entre os quais Luiz Antônio Vedoin, sacavam dinheiro em uma agência do banco Itaú, no Setor Comercial Sul, em Brasília, e levavam para distribuir no Congresso Nacional.


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10/05


2006

Termina depoimento de Silvio Pereira à CPI dos Bingos

Terminou há pouco o depoimento do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira à CPI dos Bingos. Ele disse que nunca mais falou com presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que continua gostando do Lula e votará nele nas próximas eleições. Em relação à entrevista que deu ao jornal O Globo, publicada no último domingo, o ex-secretário-geral manteve a posição que adotou desde o início da sessão desta quarta da CPI dos Bingos: ''Não quero ser leviano, nem me auto-incriminar, nem incriminar pessoas.''


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08/05


2006

Efraim: “Sigilo de Okamoto quebra blindagem de Lula”

Magno Martins e Leid Carvalho*

O presidente da CPI dos Bingos, Efraim Moraes (PFL-PB), admite, nesta entrevista exclusiva à Agência Nordeste, que se o sigilo bancário do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, for quebrado, na sessão desta terça-feira (09), na comissão que preside, estará aberto o caminho para tentar comprovar o envolvimento do presidente Lula em esquemas montados e operados por Okamoto. O presidente do Sebrae já confirmou que pagou contas pessoais do presidente. “O grande temor do Governo é o Okamoto. Com a quebra do seu sigilo, temos como saber de onde saía o dinheiro para pagamento das contas de Lula”, diz Efraim, para acrescentar: “Se quebramos o sigilo de Okamoto, quebraremos também a blindagem de Lula”.

A CPI dos Bingos já tentou por diversas vezes quebrar o sigilo do amigo e compadre do presidente Lula, mas não conseguiu. Efraim admite que, nesta semana, serão jogados os últimos cartuchos nesta direção. Para ele, se a OAB aprovar o pedido de impeachment do presidente, em reunião marcada para esta segunda-feira, em Brasília, o quadro muda de figura. “A OAB é uma instituição séria, sem cor partidária”, diz.

 

A Operação Sanguessuga é mais um escândalo no Governo Lula?

É mais uma vez, caso lamentável, porque coloca em situação difícil a classe política. E daí, passa-se à generalização. O que vem ocorrendo no Congresso Nacional é lamentável para a classe política. Usar o Orçamento da União para se conseguir recursos utilizando ex-parlamentares, assessores, parlamentares, enfim, isso não é bom. Eu espero que o povo brasileiro aproveite esta oportunidade nas eleições de outubro para realmente fazer, se possível, pelo voto, uma limpeza no Congresso Nacional.

 

As emendas são apenas autorizativas na área do Ministério da Saúde. Para que elas sejam liberadas alguém do executivo tem que liberar. O senhor acha que há envolvimento dos ex-ministros Humberto Costa e Saraiva Felipe?

Nós não podemos fazer esta dedução. Acho que cabe a Polícia Federal e ao Ministério Público dar continuidade a investigação. Nós sabemos que não existe a figura do corrupto sem o corruptor. Evidente que cabem explicações do próprio Ministério da Saúde. Dizer simplesmente que já sabia das investigações, não convence. Até porque devem ter sabido de última hora. Caso contrário, a responsabilidade do ministro é grande, porque tinha que impedir a liberação destes recursos.

 

Quando o Governo faz um tipo de operação como essa não dá um tiro no próprio pé?

Olhe, eu diria que é uma ação da Polícia Federal e do Ministério Público. Evidente, que no meu entender, eles não têm partido. São pessoas do Governo, da Oposição, já comprovados, e só me resta um apelo: que sejam tomadas as providências cabíveis. Que a justiça seja forte em relação a estas investigações. Até porque, nós que procuramos fazer política com seriedade, em busca de resultados, defendendo os interesses do País e do seu Estado, começamos a pagar caro esta moeda, porque no dia-a-dia vêm acontecendo fatos que denigrem, cada vez mais, a imagem do Congresso Nacional e do político brasileiro.

 

Estamos diante, novamente, de um mega escândalo?

Não resta dúvida que é um escândalo que envolve o Ministério da Saúde, parlamentares e assessores no Congresso Nacional. Isso, repito, é um escândalo que não posso fazer uma avaliação na sua extensão. Até porque não conheço profundamente os resultados. Vamos aguardar os detalhes pela imprensa, em função dos dados que serão repassados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

 

O depoimento do garçom Anderson Ângelo, na CPI dos Bingos, que disse ter ouvido em detalhes um plano para assassinar o prefeito de Campinas compromete o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos?

Temos que separar isso em dois pontos. O senhor Anderson, conhecido por Jack, disse ter presenciado a trama, o planejamento para o assassinato do Toninho do PT dentro de uma casa de bingos, o que nos deixa à vontade para rebater críticas de parlamentares do governo, que disseram que a CPI dos Bingos estava com o foco das investigações fora do fato determinado. O que mostra que nós não estávamos fora deste fato, deste foco. Pelo contrário, a prova, segundo o garçom, é que existe um bicheiro, o angolano Vadim, que era um dos que planejaram o crime do ex-prefeito, cobrando de assessores do prefeito a contrapartida que havia sido prometida quando ele dizia que tinha investido muito alto na campanha.

 

Devo dizer que isto nos conforta, ter tido a paciência para suportar, suficiente para aceitar essas críticas e mostrar ao País, que na realidade, a CPI, em nenhum momento, saiu do seu foco. Mas quando eu digo que separem dois momentos, é porque naquele momento Márcio Thomaz não era ministro. Era advogado e o escritório dele trabalhou neste caso, segundo o próprio ministro e sua assessoria, como advogado da família do garçom. Devo adiantar que, depois que a CPI solicitou uma subcomissão, em que participaram os senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Suplicy (PT-SP), é que aparece a figura do ministro.

 

Acredito que, após um documento que foi levado em mãos pelo senador Suplicy. O caminho para nós descobrirmos este fato, que envolve, ou não, assessores ou o ministro, interferência de políticos do alto escalão do PT neste caso, é a quebra do sigilo telefônico do garçom, que foi aprovado. Inclusive na residência onde vive a mãe do garçom. Então, com esta quebra do sigilo telefônico, nós poderemos avançar nas investigações.

 

A CPI vai insistir na quebra do sigilo bancário de Paulo Okamotto?

Vamos sim, nesta terça ou quarta-feira, votar os requerimentos. Nossa intenção era já ter votado, mas tivemos o depoimento do garçom, que impossibilitou a votação. Mas terça ou quarta, não temos como fugir desta votação. Para ganhar ou para perder. Quem votar a favor pela quebra do sigilo do Paulo Okamotto ou contra esta quebra, bem como da convocação do Mattoso (Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, demitido após quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa), e dos assessores do ministro Thomaz Bastos (o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, e o secretário executivo, Cláudio Alencar) que se justifiquem, porque votaram a favor ou contra. Caberá à opinião pública avaliar qual o medo que existe de aprovação, num fato normal e corriqueiro de uma CPI.

 

Os partidos da base do Governo têm receio da quebra dos sigilos de Paulo Okamotto porque acham que chegam ao presidente Lula?

Eu acho que o receio é exatamente esse, quebrar a “blindagem”. Parece que o Paulo Okamotto é mais blindado que o próprio Lula. Porque se quebrar o sigilo e tiver alguns pagamentos, doações, já que foi conhecido como doador universal para familiares e para o próprio presidente, compromete Lula. Admitamos que não apareça nada nesta quebra de sigilo. Aí como o senhor Paulo Okamotto vai explicar que pagou as contas de Lula? De onde veio este dinheiro? Do “valerioduto”? Do dinheiro que recebeu, segundo o Buratti (Rogério Buratti, ex-assessor de Antônio Palocci) de propinas da “Máfia do Lixo”, dos jogos? Essa que é grande dificuldade. Talvez seja pior para o presidente e para a estabilidade do seu Governo se não tiver nada no sigilo do Okamotto. Então, é isso, eu tenho certeza, o Congresso Nacional quer descobrir. Lamentavelmente, há uma decisão do Supremo (liminar do Supremo Tribunal Federal impede a quebra do sigilo de Paulo Okamotto) que nós esperamos, até o término da CPI seja julgado o mérito.

 

A fragilidade da CPI dos Bingos foi não ter identificado todas as fontes que abasteceram o “valerioduto”. O calcanhar de Aquiles da CPI dos Bingos é a quebra do sigilo do Paulo Okamoto?

Eu diria que a CPI dos Bingos cumpriu 90% da sua missão. Já apurou a G-tech (empresa que fornecia equipamentos de loteria em contratos superfaturados para a Caixa Econômica Federal), que era o principal foco da questão. A partir daí vieram às ramificações. E por decisão do próprio Supremo, o fato conexo é possível, admissível. Então, dentro deste fato conexo, aparece o caso Toninho do PT, que todos criticaram. Está provado, o planejamento do crime ocorreu dentro de uma casa de bingo, envolvendo empresários de jogos. Se nós estamos fora, não dá para entender. Ou então o português não está tão claro, em relação ao fato determinado (da CPI). No caso de Santo André, o Ronan Maria Pinto (empresário denunciado por formação de quadrilha) tem ligações com o Arcanjo, foram sócios.

 

Nós temos a “Máfia do Lixo”, que é lavagem de dinheiro. E nós temos declarações do próprio Buratti, de que saíam recursos de dentro da Prefeitura de Ribeirão Preto, para campanhas do PT. Ao mesmo tempo, há alguns depoentes que disseram que dinheiro do jogo do bingo foi usado para financiamento de campanha. Então, estamos dentro do fato. Já temos convicção sobre o que aconteceu em Santo André, vamos investigar rapidamente a questão de Campinas e daí o caso Paulo Okamotto. De onde veio o dinheiro que ele fazia doações, seja ao presidente, seja a políticos do PT.

 

O candidato tucano Geraldo Alckmin decola?

Eu não tenho dúvida. Esta questão de decolagem não nos preocupa. Entendo que Alckmin tem credibilidade e sua história mostra isso. Acho que o fundamental no decorrer desta campanha são suas propostas e a sua credibilidade. Já o presidente Lula, vai ter muito que explicar sobre os escândalos do seu governo e o seu partido. Nós entendemos que quando o presidente Lula afirma que não sabia de nada, nem sobre o que acontece no seu partido, como forma de blindagem, já é um motivo para que não se vote nele. Ele disse que foi traído por companheiros e há quem diga que ele começa a ser traído internacionalmente pelo companheiro Evo Morales (presidente da Bolívia que anunciou a nacionalização do gás natural, prejudicando o Brasil, que depende do gás boliviano para as indústrias).

 

Como superar esta blindagem do presidente Lula?

Muitos perguntam por que não se pede o impeachment do Lula? Tem motivo de sobra. Mas nós sabemos que o presidente da Câmara (Aldo Rebelo, PCdoB-SP, ex-ministro do governo) dificilmente aceitará um pedido de impeachment. Manda arquivar. E, neste caso, é preciso 10% dos parlamentares para pedir o desarquivamento. Nós temos estes 10%. Vai para o Plenário. Aí é preciso 2/3 dos deputados. Não tem. No passado foi uma Elba (carro símbolo do impeachment do ex-presidente Collor), mas não tinha mensalão.

 

O senhor acredita que na reunião desta segunda-feira, a OAB pode aprovar o pedido de impeachment de Lula?

Será uma decisão de uma instituição séria. Nós vamos aguardar a posição deles. É muito difícil arriscar um palpite sobre o que vai acontecer. Eu acho que não tenho competência para fazê-lo. Mas espero que seja uma decisão consciente em relação aos fatos que vêm acontecendo.

 

Mas o senhor acha que com a decisão partindo da OAB, uma instituição referencial, o quadro muda?

É claro que se trata de uma solicitação da OAB, e significa dizer que é fundamentada. Não é nenhuma ação política, porque não é uma instituição política. Então, a partir daí, tem que haver uma reflexão, por parte do próprio presidente Lula, da Câmara dos Deputados e também do colegiado. Vamos aguardar. É um assunto muito sério para a gente trabalhar em cima de hipótese.

 

Mas o senhor acha que é momento de falar em impeachment? O momento de isso ocorrer não passou?

Acho que não tem momento. São os fatos. O que não pode ser feito é um pedido de impeachment político. Isso que os partidos da oposição não quiseram fazer, porque sabem que qualquer iniciativa que partisse da oposição não tinha a chance de ser aceita pelo presidente da Câmara. A chance era mínima. Era zero à esquerda.

 

* Da Agência Nordeste


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07/05


2006

Garotinho já perdeu 6 quilos em greve de fome

Deu, há pouco, no Folha On line: " O quadro de saúde do pré-candidato do PMDB à Presidência da República, Anthony Garotinho, se complica em seu sétimo dia de greve de fome.

Além do quadro de desidratação entre leve e moderada, o ex-governador do Rio de Janeiro sofre de cefaléia, dores musculares (mialgia), além de alternar períodos de prostração e sonolência.

O boletim médico divulgado hoje também aponta que o político já perdeu em torno de 5,7 kg desde quando iniciou seu jejum no último domingo e que seu peso atual é de 85,3 kg.

Segundo o médico Abdu Neme, que acompanha Garotinho, ele permanece lúcido e orientado. No entanto, foi suspenso o reidrante oral, "devido à intolerância gástrica". Neme também aponta que "o aparelho cardiovascular apresenta ritmo cardíaco normal, com ausência de extra-sístoles".

A greve de fome foi iniciada após a veiculação em diversos órgãos de imprensa de reportagens apontando irregularidades nas doações para a pré-campanha de Garotinho e a suposta ligação delas com contratos de prestação de serviços para o governo do Rio, administrado por Rosinha Matheus --mulher de Garotinho.

O jejum foi a reação do ex-governador ao que ele chamou de perseguição da mídia e tentativa de desconstrução de sua imagem.

Garotinho afirmou que somente suspende o jejum caso sejam atendidas as seguintes condições: a instituição de uma "supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro" e o direito de resposta em publicações brasileiras que publicaram reportagens sobre ele.


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05/05


2006

Humberto dá explicações sobre operação "Sanguessuga"

Recebi, há pouco, do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, a seguinte nota:
 
Caro Magno,
 
 
            Em relação à matéria publicada na coluna do jornalista Cláudio Humberto, mencionada por você durante o programa Folha Política, da Rádio Folha, de que eu estaria “no centro da Operação Sanguessuga”, tenho a esclarecer o que se segue e solicito a você a divulgação do conteúdo dessa missiva quando for possível:
 
 
1)     A senhora Maria da Penha Lino, presa na Operação Sanguessuga, não foi nomeada por mim e não exerceu qualquer função no período em que fui ministro da Saúde. Sua nomeação data de 01 de agosto de 2005, por meio da portaria ministerial número 1252. Minha saída no Ministério da Saúde ocorreu no dia 08 de julho do mesmo ano.
 
 
2)     O processo de investigação que culminou na Operação Sanguessuga foi iniciado durante minha gestão no Ministério da Saúde, a partir de relatório enviado pela Controladoria-Geral da União, que suspeitava de irregularidades na aquisição de ambulâncias por municípios auditados por aquela instituição. De imediato, mandei instalar grupo de trabalho para analisar e discutir a nota da CGU, através da portaria 70/GM, de 12 de janeiro de 2005, e, diante da ausência de resultados mais concretos, encaminhei denúncia e pedido de investigação à Polícia Federal, através de documento que se encontra nos arquivos do Ministério da Saúde.
 
 
3)     Por último, é bom lembrar que as licitações investigadas eram realizadas pelos municípios e não pelo Ministério da Saúde.
 
 
                                                                                 Cordialmente,
 
         Humberto Costa


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04/05


2006

Aliados de Garotinho pedem o fim da greve de fome

 Há quatro dias em greve de fome e já apresentando sinais de debilidade, o ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PMDB ao Planalto, Anthony Garotinho, recebe, daqui a pouco, alguns deputados da base governista na sede do partido, para tentar convencê-lo a encerrar o protesto. As informações são do portal Globo online.

A polícia fluminense está preparada para fechar as ruas que dão acesso à sede do partido, no Rio, porque vários militantes peemedebistas de Campos - interior do Estado e base eleitoral de ex-governador - estão chegando ao local para manifestar solidariedade a Garotinho.

O motivo da greve de fome se deu após denúncias de corrupção no Governo fluminense e supostas doações de dinheiro para a campanha por parte de entidades não-governamentais, suspeitas de receberam recursos na gestão Rosinha Matheus, além de doações de bandidos e traficantes do Estado.


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03/05


2006

Plenário absolve Josias Gomes

Mais uma pizza no plenário da Câmara dos Deputados. Por 228 votos a 190, o deputado do PT da Bahia, Josias Gomes foi absolvido. Ele não atingiu número suficiente para ser cassado, que são 257. Com um quórum de 443 votantes (faltaram 70 deputados) foram registradas 19 abstenções, 5 votos em branco e um nulo. 

O deputado é acusado de ter sacado R$ 100 mil de uma das contas de Marcos Valério (apontado como operador do mensalão) no Banco Rural em Brasília. No momento em que foi à agência bancária, Gomes apresentou a carteira de parlamentar para poder efetuar a operação.


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