FMO janeiro 2020

06/07


2020

60% dos diretórios de partidos deixam de prestar contas

Mesmo com um prazo maior neste ano, seis em cada dez diretórios de partidos políticos do País não informaram como usaram o dinheiro público que receberam em 2019. O limite para entregar as prestações de contas, inicialmente previsto para abril, acabou na terça-feira passada, dia 30. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que das mais de 100 mil unidades das legendas nos Estados e nos municípios, 59.634 estão inadimplentes – não enviaram qualquer dado ou fizeram apenas parcialmente. As informações são do Estadão.

Ao todo, o TSE distribuiu R$ 927 milhões às 33 siglas no ano passado via Fundo Partidário. O dinheiro é repassado em parcelas mensais para bancar custos como aluguel de sede, salário de funcionários e também as campanhas eleitorais – cabe ao comando nacional de cada uma definir a quantia que destinará aos seus diretórios.

O porcentual de inadimplência registrada neste ano é maior que o de anos anteriores. Como mostrou o Estadão no mês passado, 41,3% dos diretórios partidários não apresentaram os dados relativos a 2017. De 2018, o índice dos que deixaram de prestar contas foi de 50,7%.

Cúpulas partidárias alegam que orientam os responsáveis pelos diretórios locais a cumprir os prazos da Justiça Eleitoral, mas ressaltam que cada unidade tem independência. Além disso, destacam que a maior parte das unidades que não entregam as prestações é sem movimentação financeira – mesmo assim, precisam informar a Justiça Eleitoral que não receberam nada.

Advogado de partidos políticos de São Paulo, Ricardo Porto afirma que a nova modalidade de prestação de contas, exclusivamente por meio de um sistema eletrônico, tornou-se uma dificuldade extra a diretórios com pouca estrutura física e de pessoal.

"A maioria (dos que não prestam contas) é de órgãos municipais, e a imensa maioria sem movimentação financeira, sem movimentação do Fundo Partidário e sem recursos privados. Acreditamos que os partidos, muito embora não tenham observado o prazo, tendem a, nos próximos dias, ainda que com atraso, apresentar as prestações de contas", afirmou o advogado, que presta serviços a partidos como DEM, MDB, PL e PV.

Para a secretária-adjunta da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Denise Goulart Schlickmann, a declaração de não movimentação financeira é tão importante quanto qualquer outro relatório contábil, uma vez que a Justiça Eleitoral apura a consistência da informação da mesma forma.

Pela regra em vigor, o diretório que não declara a sua movimentação financeira à Justiça Eleitoral fica impedido de receber novas parcelas do Fundo Partidário, mas o bloqueio pode ser revertido caso a prestação seja apresentada mesmo após o prazo.

Antes, os registros partidários também eram automaticamente suspensos, o que impedia o diretório até de lançar candidato. Em dezembro, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) suavizou as sanções ao determinar a necessidade de abertura de um processo específico contra partidos que não entregarem as contas e, só então, aplicar eventuais punições.

Na avaliação da especialista, a pandemia e as restrições no funcionamento de órgãos necessários à regularização dos partidos, como a Receita Federal, contribuem para a alta inadimplência. Por outro lado, ela também destaca que a legislação não reprime os atrasos.


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Prefeitura de Serra Talhada

06/07


2020

Deputado visita obras e entrega equipamentos no Interior

Em visita a municípios do Sertão e do Agreste do estado, o deputado Fernando Filho (DEM-PE) vistoriou obras que receberam investimentos federais por meio da Codevasf e participou da entrega de viaturas para guarda municipal. Em Araripina, ele anunciou o início da terceira etapa do programa de pavimentação de ruas e avenidas da cidade, que inclui 70 mil metros quadrados de calçamento e outros 70 mil de asfalto. Além disso, Fernando Filho articulou a entrega de uma retroescavadeira, que tem sido usada pela prefeitura na limpeza urbana, ampliação de barragens e terraplanagem de quadras esportivas.

“Quando a gente selou essa parceria com o prefeito Raimundo Pimentel, a gente falava que ia colocar a mão para fazer a diferença em toda Araripina. E as obras estão avançando. Os investimentos, mesmo durante esse momento difícil de pandemia, têm chegado para poder animar a população”, afirmou o deputado na última sexta-feira (3), quando também destacou o repasse de R$ 1 milhão em recursos articulados junto ao Ministério da Saúde para o enfrentamento da pandemia em Araripina.

Ainda no Sertão do Araripe, o deputado acompanhou as obras de pavimentação realizadas em parceria com a Codevasf em Bodocó, ao lado do superintendente Aurivalter Cordeiro e do prefeito Tulio Alves. Já em Serrita, no Sertão Central, esteve, junto com o prefeito Erivaldo Oliveira, na barragem do Riacho de Jacú, que recebeu R$ 3,7 milhões em investimentos viabilizados pelo deputado e o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

No sábado (4), após visitas a Poção e Brejo da Madre de Deus, Fernando Filho encerrou a passagem pelo Agreste no município de Santa Cruz do Capibaribe, onde participou da entrega simbólica da nova frota de veículos para a Guarda Civil. Cinco equipamentos foram adquiridos pela prefeitura com recursos de emendas de Fernando Filho. “Cada parlamentar teve direito a oito viaturas para destinar para as suas bases. Dessas, encaminhei cinco para Santa Cruz do Capibaribe, para reforçar a segurança pública da cidade”, disse o deputado ao lado do prefeito Edson Vieira.


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Abreu e Lima - Prefeitura - Abreunozap

06/07


2020

“Fiz tudo que podia”, diz Sarí Corte Real

Do G1/PE

"Eu sinto que eu fiz tudo que eu podia e, se eu pudesse voltar no tempo, eu voltava. Se eu soubesse que tudo isso ia acontecer, eu voltava e ainda tentava fazer mais do que eu fiz naquela hora". O depoimento é de Sarí Gaspar Corte Real, ex-patroa da mãe de Miguel Otávio de Santana, de 5 anos, que caiu do 9º andar do prédio de luxo no Centro do Recife. A primeira-dama de Tamandaré (Litoral Sul) era responsável por cuidar da criança, quando o acidente aconteceu.

Em entrevista ao Fantástico, no escritório dos advogados dela, também no Centro do Recife, Sarí falou pela primeira vez à imprensa sobre o que ocorreu no dia 2 de junho, data da morte de Miguel.

Na quarta-feira (1º), ela foi indiciada pela polícia por abandono de incapaz que resultou em morte. O Ministério Público recebeu o inquérito na sexta-feira (3) e, agora, deverá decidir se oferece a denúncia contra a primeira-dama à Justiça.

Miguel caiu do 9º andar do edifício Píer Maurício de Nassau, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife. A mãe dele, Mirtes Souza, o deixou com a ex-patroa para passear com Mel, a cadela da família.

Segundo a polícia, a criança saiu do apartamento de Sarí para procurar a mãe e foi até os elevadores do condomínio. Imagens das câmeras de segurança mostram que, por pelo menos quatro vezes, a primeira-dama de Tamandaré conseguiu convencer Miguel a sair dos equipamentos de social e de serviço.

Na quinta tentativa, o menino entrou no elevador de serviço, e a patroa da mãe pareceu apertar o botão da cobertura. Esse toque, segundo a perícia, aconteceu. Na sequência, Miguel apertou vários botões e ficou sozinho no elevador, que parou no segundo andar, mas o menino não desceu.

No nono andar, o menino saiu do elevador e abriu uma porta. Segundo a polícia, ele escalou uma janela, usou a condensadora de ar-condicionado como escada para descer do outro lado e subiu numa grade. Uma das hastes se soltou e, com isso, ele caiu de uma altura de 35 metros.

Segundo Sarí, Miguel teria aberto sozinho a porta do apartamento para ir atrás da mãe. "Ele corre para o elevador, chama o elevador, num instante ele chega. Aí, quando abre a porta, eu digo 'Miguel, você não vai descer, volta pra casa, espera sua mãe'", afirmou a primeira-dama de Tamandaré.

Ela disse, ainda, que não apertou o botão da cobertura no elevador. "Eu só botei a mão, fazendo como se eu fosse acionar. Para ver se eu conseguia convencer ele a sair, se dessa forma ele achasse que ia ficar lá e fosse sair", declarou.

A primeira-dama disse ainda que não passou pela cabeça dela o risco que o menino, de 5 anos de idade, poderia correr ficando sozinho no elevador.

"Eu não achei que seria essa tragédia. Eu acreditei que ele voltaria para o andar, que ele voltaria para o quinto andar, até porque ele sabia o número, eu acreditei que ele voltaria para o andar", disse.

Diante das afirmações de Sari, Mirtes Souza, por sua vez, afirmou que, por ser tão pequeno, o filho não conhecia os números. Por morar numa comunidade pobre e ser filho de uma empregada doméstica, sequer tinha familiaridade com elevadores.

"Miguel tinha um pouco de dificuldade com alguns números. Ele tinha facilidade com 0, 1, 2, 4, 7 e alguns números a gente tinha que dizer a ele como fazia ou escrever do lado para ele copiar. Ele não sabia andar de elevador. Nas pouquíssimas vezes que ele andou de elevador, sempre estava acompanhado tanto por mim quanto pela minha mãe", explicou.

No inquérito da Polícia Civil, o delegado Ramon Teixeira, responsável pelas investigações, afirma que, quando a porta do elevador se fechou, Sarí voltou para o apartamento e não acompanhou a movimentação de Miguel para saber se ele estava subindo ou descendo.

Essa informação poderia ser conferida pela moradora pelo visor que fica do lado de fora do elevador, mas a primeira-dama informou que não olhou o painel, porque estava ligando para a mãe do menino.

"Na mesma hora eu liguei pra Mirtes, mas, ao mesmo tempo, eu estava tentado acalmar a minha filha, que também estava desesperada com a situação. Eu me via ali, naquela situação, com aquela movimentação. Minha filha, ele, eu me senti ali, sem conseguir falar com Mirtes, com a minha filha. Foi tudo muito rápido", disse.

Sarí afirmou que não se sentia segura para repreender o menino mais firmemente, porque ela sempre pedia que a mãe dele ou a avó, Marta Souza, que também era doméstica na casa da família Corte Real, fizessem isso.

"O maior contato que eu tive com Miguel foram nesses dois meses, na pandemia, quando, em conjunto, elas [Mirtes e Marta Souza] decidiram ir para lá para casa, que a gente [levou] todo mundo lá. E todas as vezes que precisou ser chamada a atenção dele eu solicitava que ou a mãe ou a avó fizesse isso. Eu nunca me dirigi diretamente a ele para repreender ele em nada, sempre à mãe ou à avó. Eu não me senti segura para isso", declarou.

No dia da morte de Miguel, Sarí foi presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No final do inquérito, a polícia mudou a tipificação para abandono de incapaz que resultou em morte. Esse tipo de delito é considerado "preterdoloso", que é quando alguém comete um crime diferente do que planejava cometer.

"Eu só sei que eu fiz, naquela hora tudo o que eu podia e, em nenhum momento, eu fiz nada prevendo o que aconteceu", declarou.

Sarí Corte Real afirma que não esperava a mudança de tipificação, mas que pretende aceitar a decisão da Justiça sobre o caso. "Eu acho que do mesmo jeito que eu posso errar, outra pessoa também pode errar. A gente é ser humano, todo mundo erra", disse.

"Eu já passei muita coisa na minha vida. Já tive tentativa de sequestro, já perdi meu pai num acidente de avião. Até hoje estou aqui, firme, porque muita gente depende de mim. Se, lá na frente, o resultado for esse [de prisão], eu vou cumprir o que a lei pedir. Eu acho que está na mão da Justiça, não cabe a mim, não cabe à mãe de Miguel julgar, não cabe à sociedade. Cabe à Justiça. Eu vou aguardar o que a Justiça decidir", declarou.

Sarí informou, ainda, que pediu perdão à mãe de Miguel. A manicure dela, que estava no apartamento no momento em que o caso ocorreu, afirmou à polícia que a primeira-dama quis voltar a fazer as unhas depois de tentar que o garoto saísse do elevador.

A primeira-dama afirma, no entanto, que sequer teve tempo de sentar. "Jamais [voltaria a fazer as unhas]. Não, naquela situação não tinha como, não tinha cabimento. Não tinha cabimento um negócio desse", afirmou.

Para Sarí, o erro cometido por ela foi o de não desconfiar do risco trazido pelo ato de deixar o menino sozinho. "Eu acho que o meu erro foi fazer igual a eu fazia com o meu filho, de achar que o elevador é seguro", disse.

De acordo com a mãe de Miguel, ela só soube que a ex-patroa poderia estar envolvida no que ocorreu posteriormente. Até o momento em que ela estava no Hospital da Restauração, no Centro do Recife, para onde o menino foi socorrido, Sarí não havia informado a Mirtes o que tinha acontecido.

"No primeiro momento, o que eu imaginei foi em socorrer, o que a gente podia fazer por ele. Eu dirigi, só Deus sabe como eu dirigi. Nunca cheguei tão rápido na minha vida num hospital. Eu fiquei com ela [Mirtes Souza] lá até por volta de 16h30 ou 16h45. Foi quando eu tive que vir para casa, porque minha amiga precisava voltar para casa e eu precisava ficar com Sofia [a filha dela]", afirmou.


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Banco de Alimentos

06/07


2020

A botija que virou lenda no Sertão

Meu tronco Martins, da minha mãe Margarida, originário da paraibana Monteiro, já me reportei neste espaço, versa pela dura e implacável personalidade. Meu avô Severo Martins, que morreu dormindo numa cadeira de balanço já beirando os 90 anos, era de poucos sorrisos. Ao partir de Monteiro em direção a Afogados da Ingazeira num pau de arara, em busca de um eldorado, arrastou seus cinco irmãos.

Josué, Suzinha, Francisco, Panta e Quitéria. Cada um tomou um rumo diferente para se fazer gente na vida. Não conheci nenhum deles, mas minha tia Lila, 80 anos, residente em Vitória da Conquista (BA), confirmou uma história que virou mitologia lembrada ontem por minha irmã Ana Regina: Josué Martins, afamado mão de vaca, ganhou notabilidade na cidade por uma curiosidade que nunca se confirmou.

A de que tinha uma botija enterrada em sua casa, instalada num sobrado próximo à igreja de São Sebastião, no bairro homônimo. Josué ganhou muito dinheiro abrindo a primeira farmácia de Afogados num tempo em que o povo era acometido de papeira, sarampo, catapora e até doença dos quartos, assim tratada pelos mais avançados na estrada da vida. Mas ninguém via a cor da sua dinheirama, nem mesmo sua mulher Terezinha, com quem não teve filhos e acabou adotando uma garota chamada Olivia, herdeira de todo seu patrimônio, que, além da farmácia, incluía vários imóveis na cidade.

Como meu avô Severo, Josué só vestia paletó de linho branco seguindo a moda dos coronéis da política dos grotões da época. Chegou a comprar uma patente de Coronel e dela não se largava em nenhum instante. Quando morreu, seu corpo foi vestido com o trage típico de Coronel e a famigerada patente sobre o seu peito. Famoso na região, Padre Antônio não resistiu diante da cena e foi visto rindo durante a missa de corpo presente na igreja, segundo minha tia Lila tomou conhecimento.

O destino da misteriosa botija foi motivo de chacota e de histórias que entraram para o folclore da cidade. Na verdade, virou lenda. E isso não se deu por acaso. Por muitas décadas, foi cultivada a cultura de utilizar as botijas no Nordeste brasileiro para guardar bens pessoais na forma de dinheiro, ouro em barras ou em moedas, jóias preciosas (ou quaisquer bens de valor que coubesse dentro deste vaso) como cofre improvisado enterrado no subsolo.

Com isso, entrou para o vocabulário brasileiro o termo botija para designar vasos, caixas, potes e baús que contém tesouros guardados e enterrados. Obras na literatura brasileira sobre o Nordeste exploram bastante os contos sobre botijas encontradas, sobretudo o filme O Homem que desafiou o diabo. Nele, tem uma passagem onde o protagonista desenterra uma "botija de ouro".

A de Josué nunca foi descoberta, mas a sua casinha continua intacta em Afogados da Ingazeira. Quem sabe depois desta crônica não apareça um Martins por lá querendo revirar a casa da cabeça para baixo.


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06/07


2020

2020, o ano que não quer acabar

Nestes tempos da ditadura AI-Covid19, o ano 2020 não quer acabar, afirma o bicho-grilo Adalbertovsky em sua cantoria no reino da Jaqueira. “Noutros tempos, por conta do famigerado AI-5, a crônica política dizia: 1968, o ano que não terminou. Aquele ano só acabou em 1979 nas ondas da anistia e da reabertura democrática. Este ano 2020já está durando uma eternidade. Os dias não passam. As noites não passam. A quarentena de 40 dias está durando três meses, quatro meses, cinco meses”.

“Os cofres públicos estão sendo torturados e respiram com ajuda de aparelhos superfaturados. São milhões de denários dependurados nos pau-de-arara dos contratos sem licitações. Existem cofres públicos mortos e desaparecidos nos porões da ditadura do AI-Covid19. O tempo parou no tempo. A curva do decesso das mortes parou na linha do horizonte, enquanto houver verbas federais. O estrago é grande e o ano 2020 vai demorar para acabar. Os torturadores dos cofres públicos merecem castigo”.

“O desmantelo das ditaduras, além do ditador-raiz, são os inspetores de quarteirão. Eles se julgam mais reais do que o rei. Exemplos: as barracas da orla de Boa Viagem estão abandonadas e depredadas. Mesmo assim suas excelências os fiscais ameaçam os barraqueiros que comparecem ao local e tentam sobreviver”.

“Cena da vida real, sexta-feira pela manhã: fiscais da Secretaria de Mobilidade (Paralisia) Urbana da PCR ameaçaram multar e recolher mercadorias de feirantes/barraqueiros no entorno do Parque da Jaqueira. Disseram que estavam cumprindo ordens do prefeito Geraudo Covid Julho e do secretário João Epaminondas Braga. As pessoas que assistiram à cena ficaram revoltadas e dirigiram impropérios ao prefeito Geraudo Covid, inclusive eu, modéstia à parte. O nome disto é mandonismo, autoritarismo, ditadura de quarteirão”. A crônica do bicho-grilo Adalbertovsky está postada no Menu Opinião. Metam os peitos!


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O Jornal do Poder

06/07


2020

Coluna da segunda-feira

No poder, leva vantagem

Da forma como se darão, sem povo nas ruas, sem campanha e sem ambiente eleitoral, as eleições municipais marcadas para 15 de novembro, por força de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) aprovada pelo Congresso, só se descortinam favoravelmente para os que estão no poder, detentores de mandato, seja prefeito em busca da reeleição ou com candidato já escolhido, ou vereadores tentando um novo mandato.

Trata-se de uma eleição sem campanha, consequência da pandemia do coronavírus, que já tirou a vida de quase 60 mil brasileiros em 90 dias, afetando ainda mais de 1,5 milhões de pessoas. Como a curva permanece ascendente, sem sinais de que mudará o seu curso, quem, de bom senso, vai arriscar a sua vida a fazer campanha de rua? Quanto ao eleitor, a abstenção tende a ser astronômica, a maior da história recente do País.

Custo a acreditar que cidadãos acima de 65 anos se dêem ao luxo e se aventurem a sair da casa para votar, correndo o risco de serem contaminados numa fila. O Brasil está prestes a ir às urnas sem preceder uma campanha sem discussão de ideias, de projetos, sem calor das ruas, sem comício, sem caminhadas, sem nada. Uma campanha apenas com o olho na telinha do computador ou do celular.

Sendo assim, até do ponto de vista econômico, privilegia os detentores de poder, com a máquina nas mãos. Os sem-mandatos dependerão apenas do dinheiro do fundo partidário para bancar as despesas de campanha. Como se trata de um bolo dividido para milhares, sobrará vinténs para cada um dos candidatos. A oposição, lisa, não encontrará respaldo nem fora do balcão.

Candidato à caça de apoios oficiais de simpatizantes tende a levar um tremendo não. Em resposta, quem no passado era acostumado a meter a mão no bolso para ajudar simplesmente se negará, sob a alegação de que a pandemia reduziu seus negócios a pó. 

Uma verdade, diga-se de passagem, incontestável, se for levado em consideração, principalmente, o último levantamento oficial, no qual mais de 700 mil pequenas e médias empresas encerraram seus negócios.

Fato novo – Em Olinda, próximo cenário eleitoral a ser testado em pesquisa Potencial/Blogdomagno, com divulgação à meia noite desta quarta-feira, o cenário com os pré-candidatos de hoje pode sofrer uma alteração se de fato o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos (PRTB), se animar a entrar na disputa, conforme já admitiu. Na eleição passada, Tonca, como é mais conhecido, foi ao segundo turno contra o prefeito Lupércio (SD) e culpou a máquina do Estado e o PSB pela derrota. Desde a morte de Eduardo Campos, seu irmão, Tonca rompeu com o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Júlio, numa briga familiar que começou com Renata Campos, viúva de Eduardo.

Na disputa – Se as eleições fossem em outubro, conforme estavam asseguradas na Constituição, Tonca não poderia mais entrar na disputa, porque não se afastou da Fundação Joaquim Nabuco em tempo hábil. O prolongamento para 15 de novembro mexeu, consequentemente, no prazo de desincompatibilização, abrindo espaço legal para ele se candidatar mais uma vez. Se esse cenário lhe favorecer, entra na briga como o nome apoiado pelo presidente Bolsonaro e pelas forças que estão hoje no poder. Tonca trabalha 24 horas na Fundação Joaquim Nabuco sem desgrudar os olhos de Olinda, cidade que sonha um dia governar. Para ele, Lupércio faz uma gestão medíocre e deve ser repelido pela população.

Boa notícia – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) anunciou a prorrogação da linha BNDES Crédito Pequenas Empresas até 31 de dezembro, com orçamento ampliado em mais R$ 5 bilhões. O orçamento da BNDES Crédito Pequenas Empresas já tinha sido ampliado em R$ 5 bilhões ainda em março, no primeiro conjunto de medidas do banco de fomento para mitigar a crise causada pela pandemia de covid-19. A nova ampliação foi decidida após os R$ 5 bilhões da ampliação de março terem sido totalmente contratados. Segundo o BNDES, desde março, foram aprovadas 16.318 operações com 15.094 empresas, que empregam 372.800 pessoas.

Ódio mortal – A prefeita de Arcoverde, Madalena Britto (PSB), levou seis meses para escolher o seu candidato e acabou optando por um inimigo do governador, o empresário Wellington Maciel, filiado ao MDB. Rico e poderoso, o ungido da prefeita até hoje não engoliu uma operação policial que pegou em cheio seus negócios no Sertão no Governo Eduardo Campos, coordenada pelo então secretário da Fazenda, Paulo Câmara. Na época, foi tão desastrosa para a imagem dele quanto uma operação da Polícia Federal. Por isso, Maciel não quer o governador em seu palanque. Por ele, move um ódio mortal.

CURTAS

CONDENADO – O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a determinação que obriga o ator José de Abreu a pagar R$ 20 mil em indenização ao Hospital Albert Einstein. A decisão foi publicada em 2 de junho e divulgada ao público no sábado passado. José de Abreu foi condenado em julho de 2019 por danos morais. O ator foi processado pelo centro médico depois de declarar em seu perfil no Twitter que a instituição havia apoiado a eleição de Jair Bolsonaro. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad [serviço secreto israelense], com apoio do Hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o matador e corrupto Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar merda”, disse Zé de Abreu em 2 de janeiro de 2019.

DE PERNAS PARA O AR – Os ministros do Supremo Tribunal Federal já estão em recesso até o próximo dia 31. A pausa também ocorre nos tribunais superiores. Neste período, as Cortes estão sob o comando de seus presidentes ou vices, com revezamento. Cabe a eles tomar eventuais decisões urgentes. O calendário do Poder Judiciário reservou 90 dias de folga para 2020 – dentro da conta de dias úteis. No Supremo, agora no meio do ano, serão 30 dias de descanso, mesmo diante de uma pandemia que sobrecarrega a agenda de julgamentos. Até agora, a Suprema Corte teve de tomar 3.692 decisões somente sobre a emergência em saúde pública no País. O peso na pauta é conseqüência da judicialização excessiva das ações das autoridades no combate ao coronavírus.

ECAD NA LIVE – Chefona do Ecad, Isabel Amorim inaugura hoje a nova etapa de lives pelo Instagram do meu blog às segundas-feiras. Estamos deixando as terças e quintas e adotamos as segundas e quartas, no mesmo horário de 19 horas. Isabel vai tratar da polêmica envolvendo a cobrança de taxas de direitos autorais aos artistas em lives. Ela tem experiência em negócios e em comunicação, formada em Administração de Empresas, pós-graduada em Comunicação pela USP e possui um MBA pela Business School de São Paulo e Rotman School em Toronto. Uma boa oportunidade para os artistas e produtores do País, especialmente os nordestinos, tirar suas dúvidas. Se você ainda não segue o Instagram do blog e quer acompanhar a live vai lá – @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Nenhum governador vai pagar pela roubalheira na operação de compras de respiradores via Consórcio Nordeste?


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Comentários

Fernandes

É preciso lembrar aos idiotas ÚTEIS que, Bolsonaro quando deputado federal votou contra a Transposição do Rio São Francisco ...

marcos

É bom lembrar a esquerda e aos idiotas úteis que Lula quando era deputado federal votou contra a duplicação da BR 232.

Fernandes

É preciso lembrar aos idiotas ÚTEIS que, Bolsonaro quando deputado federal votou contra a Transposição do Rio São Francisco ...

marcos

Falando em obras roubadas, cadê a Transnordestina?

marcos

Falando em obras roubadas, cadê a Hemobras?



05/07


2020

A vice que deu certo

Por Muciolo Ferreira 

Se até hoje no Brasil existiu um vice que deu certo, certamente errou quem apostou em José Sarney (vice de Tancredo Neves), Itamar Franco (vice de Fernando Collor) ou Michel Temer (vice da presidenta Dilma). Essa personalidade tem nome  e sobrenome: Maria Martha Hacker Rocha ou simplesmente Martha Rocha. 

E pensar que Martha foi eleita Miss Brasil em 1954 numa eleição quase  indireta apenas por um Colégio Eleitoral formado por sete jurados e sem a presença dos eleitores que seriam tempos depois traduzidos em numerosas platéias que lotavam o Ginásio Maracanãzinho poderia até parecer algo inusitado. Isso se não fossem a honestidade e a lisura dos  jurados na hora de escolher a Miss Bahia como a mais bela entre as seis candidatas de outros estados. Naquele júri ninguém foi  indicado pelo Centrão. 

Manoel Bandeira (poeta), Helena Silveira (escritora), Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza (jornalistas) jamais aceitariam se corromper nem receber propina para eleger outra menos competente nem bela para Embaixadora da Beleza Brasileira, mesmo sendo o Rio de Janeiro sede da competição ser o Distrito Federal e ter candidata. Daí ter sido legítima a eleição daquela que seria "A Primeira Namoradinha do Brasil". 

Uma década depois para esse título ser da atriz Regina Duarte, mas sem direito a coroa, faixa e manto. Então, qual o motivo de Martha Rocha ser "A Vice que deu certo?". Simples: Foi a partir de sua derrota no concurso Miss Universo por duas polegadas a mais no quadril que os concursos de miss em nosso País se popularizaram ao ponto de disputar a audiência no mesmo patamar de uma final da Copa do Mundo de Futebol. 

Isso até o final dos anos 60. Diferente dos outros vices que tivemos e não deram certo, Martha Rocha tinha carisma e sempre foi aplaudida nas aparições públicas. A eterna Miss Brasil nos deixou aos 87 anos. Teve uma vida de glamour. Tive o prazer de conhecê-la num evento no Recife promovido pelo coordenador do Miss Pernambuco, Miguel Braga. Ela resgatou um pouco a auto-estima do brasileiro que andava em baixa com as duas derrotas da seleção Canarinha nas Copas do Mundo de 50 e 54 e após o trágico suicídio de Getúlio Vargas. 

Teve amores e desamores. Mas isso é assunto para colunas de celebridades e de fofoca. O Blog do Magno é coisa séria. Ontem, Martha Rocha saiu de cena para entrar na história. 

*Jornalista


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05/07


2020

Filhos da irrigação

Ex-presidente da Chesf, ex-deputado federal com notável atuação no Congresso, o baiano de alma pernambucana José Carlos Aleluia prestou, hoje, nas redes sociais, uma belíssima homenagem ao ex-deputado Osvaldo Coelho, a baraúna do Sertão. Para Aleluia, Osvaldão, carinhosamente tratado pela coragem e grandeza de gestos em favor da gente sofrida nordestina, foi amigo, inspirador e mestre.

Para mim, sertanejo como ele, mas do Pajeú das Flores rogacianas, terra mais seca e deserta do que as da sua pátria abençoada do Velho Chico, Osvaldo era o trovão que fazia a simbólica concha que encobre o plenário da Câmara dos Deputados tremular e até rachar com seu grito gonzaguiano em versão de discurso, defendendo um Sertão mais justo, convertido da pobreza em riqueza pela divina varinha mágica da irrigação.

Era o Doutor do semiárido, da caatinga, pastor de ovelhas sedentas, dono da lamparina que iluminava os caminhos das trevas do Sertão muito mais que a lua cheia rasgando o céu da sua amada Petrolina. Como repórter que o entrevistou, por vezes no efervescente Salão Verde da Câmara dos Deputados, outras sob o calor de 40 graus do Sertão, aprendi a exercer a prática do profético ensinamento de Euclides da Cunha: somos, antes de tudo, fortes.

Doutor Osvaldo não morreu. Ele é eterno. Petrolina concebeu para o Brasil um político com P maiusculo, ficha tão limpa quanto as águas milagrosas do São Francisco. Quantas vezes pude constatar isso no seu caminhar. Jarbas Vasconcelos, quando governador, me disse, certa vez, que Osvaldo era a melhor reprodução de seu Quelé (pai do ex-deputado), político de elevado espírito público, que nunca lhe pediu nada pessoal, só coletivo, em favor do seu povo.

Ninguém conheceu profundamente a alma de gente sofrida quanto ele. Ninguém foi tão visionário a ponto de dobrar o poder de Brasília na conversão de projetos de irrigação no São Francisco. Depois de Nilo Coelho, que assisti ser enterrado sob o cantar dos barranqueiros e do aboio triste dos vaqueiros, ninguém ousou tanto. Osvaldo deu régua e compasso à irrigação, criou os projetos Pontal e Nilo Coelho, deu educação, transformando sua região num novo centro universitário do Nordeste com a Univasf, a Universidade do São Francisco.

O vídeo em anexo, que levou Aleluia às lágrimas com a dor da saudade que bateu forte em seu coração, reproduz o pensamento, o ideário e a larga trajetória do parlamentar. Foram mais de 60 anos de vida pública, cinco mandatos de deputado federal, três de estadual, com passagem pela Secretaria da Fazenda do Estado. Foi dono do cofre sem nunca confundir o público do privado, regra, infelizmente, hoje, de grande parte dos políticos brasileiros.

Doutor Osvaldo dizia que somos filhos da seca, mas podemos ser amanhã filhos da irrigação. No fundo, essa frase singular poderia ser assim: somos pobres sedentos. A água nos encobrirá de riqueza. Se não hoje, no amanhã.


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Comentários

Ana Amelia Coelho lemos

Caro Magno, Meu pai foi muito maior que seus sonhos, com o apoio dos seus eleitores, já em BSB, encontrou no caminho fortes aliados, bons amigos, a exemplo de Aleluia, na luta incansável pela UNIVASF. Com o conhecimento de quem realmente teve o prazer da sua convivência, vc descreve sua vida e trajetória de forma irretocável. Minha gratidão por fazer jus a sua grandeza. Grande abraço, Ana Amélia Coelho Lemos



05/07


2020

Veras lamenta morte de deputado piauiense Assis

O deputado federal Carlos Veras (PT-PE) lamentou, hoje, o falecimento de Assis Carvalho (PT-PI), seu colega na Câmara dos Deputados, aos 59 anos. A causa da morte foi um infarto. O parlamentar (foto) estava em casa, na cidade de Oeiras, a 290 km de Teresina, quando passou mal.

"É com imensa tristeza que recebo a notícia do repentino falecimento do nosso amigo Assis Carvalho, que tão bem me acolheu quando cheguei à Câmara dos Deputados. Deputado federal por 3 mandatos consecutivos pelo Piauí, era uma das principais lideranças do estado. A sua luta continuará sob a bandeira do nosso partido. Toda a minha solidariedade à família e aos amigos. Que Deus o receba em seus braços e conforte todas e todos nesse momento de tanta dor", declarou Veras, em sua conta oficial no Instagram.


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05/07


2020

A mentira é curta no longa da infâmia

Por Weiller Diniz

A mais tosca série de terror e morte, interpretada por Jair Bolsonaro, foi roteirizada com 9 tomadas para desfocar a democracia: deslegitimar as instituições, encorajar o enfrentamento, polarizar com a esquerda, conspirar contra direitos, terceirizar o fracasso, atacar a imprensa, impulsionar as milícias, sabotar o conhecimento e, como protagonista central, mentir como método. Argumentos nazistas de desconexão da verdade para aderência a realidades virtuais. Na cabeça da medusa, algumas serpentes só foram guilhotinadas depois do pânico com Fabrício Queiroz.

As locações, agressivas ao feitio do gênero de ação, golpeavam o STF e Congresso, ameaçados com o relançamento do AI-5. Na gravação em frente ao QG do Exército (19/04), o capitão falou em “negociar nada”. Na cena seguinte (3/5) disse ter as forças armadas. Acossado pelo script contra os fãs, bravateou: “acabou, porra” (28/5). Convocou atos, participou e distribuiu vídeo das hienas como ministros do STF. Nos ensaios o general Augusto Heleno, soneca dos 7 anões, obrou uma nota intimidadora (22/5). Não reuniu figurantes para ruptura e reinterpretou a fala.

Os efeitos especiais – explosão de fogos sobre o STF (13/5) – saturaram a turnê golpista. Meia dúzia de extremistas foi trancafiada. Sarah Giromini, orgulhosa no estilo western indigente, personificava o estímulo ao conflito e posava armada. A pistoleira, que coadjuvou sem brilho em outros papéis, reforçou por 10 dias o casting do presídio. Outros anões radicais foram encarcerados sem estrelato. Roberto Jefferson, salteador preso em temporadas passadas, posou com armas, mas errou o tiro: “A toga não é mais forte que o fuzil”.

No enredo do caos, polarizar com o PT e outros atores comunistas é decorado pela claque. O ponto eletrônico dos produtores sopra os argumentos para infestar as redes sociais, já na trilha da Justiça. “Vamos fuzilar a petralhada”. “Esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria”. Essa é síntese e origem do ódio ainda no teste eleitoral. A espiral belicista, de evoluir da ação para guerra, foi cancelada e cortado o cenário autoritário.

Conspirar contra as liberdades é mantra. A tirania individual torna-se vilã ao tentar sequestrar conceitos da democracia para se sobrepor ao coletivo. Os déspotas – nazistas, fascistas e franquistas – cometeram atrocidades em nome das liberdades. O compartilhamento de dados das telefônicas e da CHN foram cortados na montagem do STF. A Lei de Acesso às Informações, legenda de transparência e controle público, é alvo recorrente do estilo “noir”, opaco. Até aqui está preservada. 

*Jornalista. O artigo completo pode ser lido no site Os Divergentes.


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